Pediatra do Caism orienta sobre
cuidados com recém-nascidos

24/01/2014 - 12:17

Um dia vem a notícia da gravidez. Depois vem a comemoração. A gestação transcorre dentro do tempo esperado, com os devidos cuidados com a saúde da mãe e do feto. É hora de abandonar o cigarro, a bebida e outros vícios. É preciso visitar o ginecologista com frequência, a fim de ter uma gestação assistida. Após nove meses, nasce o bebê. Motivo de alegria para os pais e familiares, a criança vem saudável e é recebida com todas as honras. Chega o momento de levá-la para a casa. É aí que começa a insegurança. Como colocá-la na cadeirinha para transportá-la no carro? O bebê chora. Por que será que isso acontece? Os pais se desmancham em carinho e infelizmente não sabem ao certo o que fazer. Uma alteração fisiológica habitual, a icterícia, que acontece pelo excesso de bilirrubina, deixa o bebê amarelinho. Será que esse é de fato um sinal corriqueiro?  "Cerca de 10% dos recém-nascidos (RN) têm níveis preocupantes de icterícia", comenta a professora Maria Aparecida Mezzacappa, pediatra que atua na Divisão de Neonatologia do Hospital da Mulher "Prof. Dr. J. A. Pinotti" Caism da Unicamp. Segundo ela, cerca de 2% deles necessitam de tratamento para evitar complicações. A antiga recomendação de expor a criança aos famosos 'banhos de sol' carece de evidência científica, e não é mais utilizada. Para abordar os cuidados com o bebê nos primeiros dias de vida, a médica concedeu uma entrevista ao Portal Unicamp, descrevendo algumas situações que podem ocorrer no período e que merecem atenção do leitor, principalmente dos pais. Leia a seguir.

Portal Unicamp - Quais os principais cuidados que os pais devem ter com o recém-nascido? 
Aparecida - Nessa fase inicial da vida, os principais cuidados são com a amamentação, higiene e frequentes visitas ao médico para avaliar o ganho de peso do bebê. Ainda, os pais devem estar atentos para a posição da criança dormir no berço (decúbito dorsal ou de costas) para evitar a Síndrome da Morte Súbita, assim como o uso de assentos (cadeirinhas) para transporte em carros de passeio. Muito importante é o acompanhamento médico na primeira semana de vida para os recém-nascidos que tiveram icterícia.  

Portal Unicamp - É muito comum nesse período a preocupação excessiva com o recém-nascido. O bebê sente a insegurança dos pais? Qual o seu conselho para que uma situação inesperada com o bebê, como por exemplo uma dor de barriga, não seja superdimensionada?
Aparecida -
Sim, a criança pode sentir essa insegurança natural que ocorre especialmente quando se tem o primeiro filho. Não é incomum a supervalorização de aparentes problemas nesse período da vida, como longos períodos de sono, características e frequência da evacuação  ou mesmo preocupação com lesões de pele. A família deve buscar orientação da equipe médica para avaliar a necessidade de algum tratamento.

  

Portal Unicamp - É possível tratar a icterícia em casa?
Aparecida - Grande parte dos recém-nascidos (80%) tem algum grau de icterícia iniciada nos primeiros três dias de vida e que regride espontaneamente entre sete e dez dias. Cerca de 10% deles têm níveis mais preocupantes, necessitando de acompanhamento ambulatorial após a alta da maternidade e, um número bem menor (cerca de 2%), necessita de tratamento para evitar complicações. Esse tratamento é sempre realizado no hospital. A antiga recomendação de expor a criança aos famosos 'banhos de sol' carece de evidência científica, e não é mais utilizada.

Portal Unicamp - O que recomenda para uma mãe que tem dificuldade de amamentar nos primeiros dias?
Aparecida - As dificuldades podem ser de múltiplas causas: desde problemas locais das mamas (como mamilos aplanados, invertidos) até dificuldades de sucção pelo neonato, dadas por grau leve de imaturidade, quando nascem com 35-37 semanas de idade gestacional, ou seja, de três a cinco semanas antes do nascimento a termo, que é o esperado. A principal orientação diz respeito a manter a confiança e procurar atendimento profissional especializado que faça consultoria, dando suporte e apoio à amamentação. Esses profissionais podem ser médicos ou comumente enfermeiras com especialização nessa área. Nunca é aconselhável introduzir qualquer outro tipo de alimento antes de uma avaliação mais detalhada pela equipe de saúde.

Portal Unicamp - Por que em geral a criança chora nessa fase?
Aparecida - Neonato chora por poucos motivos. Nessa fase da vida, a principal causa tem a ver com a amamentação, por problemas na pega da mama, por produção ainda insuficiente de leite ou em razão da mãe ter uma baixa predisposição para amamentar. Quando bem-alimentadas, as crianças mamam entre 20 e 30 minutos e dormem tranquilamente.

Portal Unicamp - Como o Caism faz a abordagem dos bebês ao nascimento?
Aparecida - No Caism, que possui o título de Hospital Amigo da Criança há dez anos, a rotina para recém-nascidos a termo consiste em promover o contato da criança de baixo risco com a pele materna imediatamente após o nascimento, por no mínimo uma hora, estimulando a sucção ao seio precocemente, além de permitir que a família participe de todo o processo do parto. Quando mãe e RN estiverem bem, são encaminhados ao alojamento conjunto, onde a amamentação exclusiva ao seio é estimulada até a alta hospitalar (apenas 9% das crianças recebem outro tipo de leite por indicação médica). Por ocasião da alta, em média com 60 horas de vida, todas as crianças têm avaliação do seu peso (medida direta de possíveis dificuldades de amamentação) e a avaliação da intensidade da icterícia, através de equipamento que dê leitura transcutânea do pigmento que determina a icterícia, a bilirrubina. Essas duas avaliações permitem estabelecer a necessidade de acompanhamento médico e de enfermagem durante a primeira semana de vida, oferecido pelo hospital.
 

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