Hemocentro realiza curso para Bancos de
Sangue de Cordão Umbilical de todo país

27/09/2012 - 10:20

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Pedro Andrade, Angela Luzo, Chantal Prolux e Mirsada Imamovic

Pedro Andrade, Angela Luzo, Chantal Prolux e Mirsada Imamovic

Juliana Monteiro Furlan

Juliana Monteiro Furlan

Nathalia Gomide Cruz

Nathalia Gomide Cruz

O Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário da Unicamp encerrou na quarta-feira (26) um treinamento de dois dias para 19 técnicos de 10 bancos públicos de sangue de cordão integrados ao Programa Brasil Cord do Ministério da Saúde. Esse foi o segundo Curso téorico-prático sobre ensaio CFU (Ensaio de Progenitores Hematopoiéticos) para Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e o primeiro utilizando ensaios clonogênicos com um aparelho de última geração para leitura de colônias de ensaio (CFUS). BSCUP da Unicamp é o único que realiza esse tipo de exame (clonogênico) em todas as amostras para o pré-congelamento.

A empresa canadense StemCell Tecnologies cedeu o equipamento para o treinamento, que foi ministrado pelas pesquisadoras canadenses Chantal Prolux e Mirsada Imamovic com apoio de Pedro Andrade e Shilei Vaz da Science Pro Ltda, representante da StemCell Tecnologies no Brasil. As instituições que participaram do curso foram Hospital Sírio Libanês, Hemope, Hemominas, BSCUP HC – UFRGS, Hemocentro USP-Ribeirão Preto, BSCUP Brasília, BSCUP HC-UFPR, BSCUP Fortaleza, HEMOSC, Hospital Israelita Albert Einstein, Unicamp (BSCUP, TMO e Citometria de Fluxo).

De acordo com Ângela Luzo, o BSCUP do Hemocentro da Unicamp é o terceiro do país em volume de coletas e o único que realiza esse tipo de exame (clonogênico) em todas as amostras para o pré-congelamento. “A realização deste exame nesta fase é importante para garantir a funcionalidade das células tronco coletadas que já apresentam a sua viabilidade analisada através de citometria de fluxo por 7AAD, considerado na literatura, o melhor método para este tipo de avaliação”, explica a coordenadora do BSCUP do Hemocentro.

"Esse curso é uma experiência ótima de aprendizado, troca de experiência e aperfeiçoamento da técnica de cultura de células progenitoras hematopoéticas de sangue de cordão umbilical. Não usamos essa técnica para sangue de cordão ainda; começaremos no ano que vem. Mas já é feito para sangue periférico pós-mobilização", disse Nathalia Cruz, da Fundação Hemominas. Para Juliana Monteiro Furlan, do BSCUP do HC de Porto Alegre, a parte prática foi a mais interessante. "Até então, eu só tinha visto a técnica na teoria. Voltando para Porto Alegre, vamos iniciar a aplicação dos ensaios clonogênicos", comentou Furlan.

Segundo Luzo, as duas técnicas de leitura foram comparadas durante o treinamento. “Estes exames são importantes para comprovar a eficácia das células tronco que serão utilizadas no transplante”, salienta. A próxima etapa para os bancos do Brasil Cord, diz, será a acreditação internacional ou pela Foundation for the Accreditation of Cellular Therapy and International NETCORD Foundation (Fact NETCORD) ou pela America Association of Blood Bank (AABB).

O Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP) do Hemocentro já coletou quase 2800 bolsas e destas, 1560 foram criopreservadas. O uso das bolsas com concentrado de células tronco é utilizado em tratamentos de leucemia e aplasia de medula, a maioria em crianças. Até o final de 2011 foram realizados em todo país, 123 transplantes com bolsas de célula tronco com HLA compatível - inclusive doadas pela Unicamp - desde a criação dos bancos públicos que integram o BrasilCord. Hoje é o tipo de HLA (antígeno de histocompatibilidade leucocitário) que define o transplante.

Para Ângela Luzo, coordenadora do BSCUP da Unicamp, a conscientização dos casais sobre os benefícios da doação do sangue de cordão praticamente triplicou nos últimos anos. Luzo explica que um dos diferenciais para o sucesso do programa é o perfil do profissional à frente das coletas. “Além das habilidades técnicas, o enfermeiro precisa estar bem engajado com o processo desde a entrada da gestante, o convívio com as equipes médicas até a realização do parto”, enfatiza.

A área do BSCUP do Hemocentro foi inaugurada há cinco anos e também abriga células tronco de sangue periférico. No local foram investidos mais de R$ 3,5 milhões em equipamentos e infraestrutura e um dos destaques é o equipamento de criopreservação denominado BioArchive, que possui um sistema automatizado de registro das bolsas com código de barras, congelamento e armazenamento de bolsas a -140 graus. O equipamento pode armazenar até três mil bolsas e foi doado pelo Hospital Albert Einstein. No Japão, mais de 50% dos transplantes de medula já são feitos com as células extraídas do sangue do cordão umbilical.

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