Evento da educação, o Endipe, supera
expectativas e já soma quase 4 mil inscritos

05/07/2012 - 12:50

Dirce Zan e Luiz Carlos de Freitas

A necessidade de pesquisadores de universidades brasileiras colocarem em pauta o estado da arte no campo educacional, refletindo sobre o futuro, o que eles estão produzindo no país (envolvendo as práticas de ensino) e as investigações que os professores da rede pública estão realizando hoje. Esta será a tônica da 16ª edição do Congresso Nacional de Didática e Práticas de Ensino (Endipe), que acontece na Faculdade de Educação (FE) da Unicamp entre 23 e 26 deste mês. A abertura está prevista para o dia 23, às 19 horas, no Ginásio da Faculdade de Educação Física (FEF).

O tema suscitou, segundo uma das organizadoras do evento, a docente da FE Dirce Zan, grande alarido na comunidade científica e, antes de fechar o prazo para as inscrições, elas tiveram que ser encerradas, já com a soma de quase 4 mil inscritos. A expectativa inicial era reunir 2.500 participantes, tendo como público-alvo professores das universidades e pesquisadores do campo do ensino de diferentes disciplinas e licenciaturas (não só da Didática), alunos de graduação e de pós-graduação e professores da rede pública.

O Endipe acontece desde a década de 1980, a cada dois anos, em diferentes Estados do país. Em 2010, foi em Belo Horizonte-MG e neste ano, pela primeira vez, será na Unicamp, contando com o envolvimento das universidades estaduais paulistas (Unicamp, USP e Unesp), das federais (Unifesp e UFSCar), das PUCs (SP e Campinas) e do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Começou como um encontro de estágios e de didática, da disciplina de Didática e Metodologia. Com uma fusão, passou a ser organizado conjuntamente, com grande impacto na área.

Trata-se, hoje, de um dos encontros mais importantes da área de Educação, sobretudo para a escola pública e as políticas públicas. A iniciativa partiu de duas pesquisadoras, que pertencem à coordenação do Endipe: as professoras Alda Junqueira (da PUC-SP) e Selma Garrido Pimenta (USP), e foi abraçada por um grupo de pesquisadores e por demanda da comunidade. O objetivo é reunir pesquisadores de diversas áreas do conhecimento interessados pelo ensino, pela didática e pela prática de ensino.

A esse respeito, o diretor da FE Luiz Carlos de Freitas explica que o cenário atual da educação no Brasil passa por transformações aceleradas, diante da realidade econômica do país, que se alterou sobremaneira nos últimos dez anos, passando a demandar um volume grande de recursos humanos em vários setores. Ocorre que a dívida histórica com a educação dificulta cumprir essa meta, esclarece. “Então começam a aparecer tentativas de acelerar tal processo com políticas públicas improvisadas ou de curta visão, para tentar fechar esse buraco histórico. Isso é de alto risco e inspira cautela”, aconselha.

Também com esse pano de fundo, expõe Dirce Zan, os temas que serão tratados no congresso incluem questões específicas do ensino, da didática e metodológicas. Outras discussões ainda abordam esse momento da escola e as mudanças contemporâneas da sociedade, os novos desafios que chegam às instituições de ensino, a avaliação, o currículo e as condições do trabalho docente. “Está organizado em eixos como a qualidade da escola, a laicização e a democratização do ensino público”, informa.

O evento será realizado em diferentes prédios da Unicamp, mas os simpósios que abrigarão todos os congressistas devem acontecer no Ginásio da FEF. Outras sessões estarão espalhadas em espaços como a Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural (CDC), FE, Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) e Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC). Apesar das inscrições terem superado as expectativas em termos de quantidade de pessoas, as atividades são abertas ao público (havendo espaço). Mais sobre a programação do Endipe.

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