Assista ao ‘Café com Conversa’ sobre ‘Gêneros e Feminismos’

Gabrielly Ciurcio | Editora da Unicamp | Especial para o JU

O feminismo é um movimento que acompanha as demandas e necessidades sociais. Durante os anos 1970, no contexto dos novos movimentos sociais, os grupos feministas dedicavam-se ao tema da opressão da mulher. Duas décadas mais tarde, em sintonia com as mudanças dos padrões de feminilidade, masculinidade e das relações amorosas e sexuais, as questões de gênero ganharam espaço, tornando-se alvo de pesquisas e da militância.

Esse é o pano de fundo do programa de TV Café com Conversa de novembro, sobre “Gêneros e feminismos”, com a historiadora Margareth Rago e a socióloga Maria Lygia Quartim de Moraes do PAGU - Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Numa conversa entusiasmada, elas debateram sobre a amplitude política e social dos temas feministas.

O programa é uma parceria da Secretaria de Comunicação da Unicamp, Editora da Unicamp e Casa do Professor Visitante/Fundação para o Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Esta edição do Café com Conversa foi uma homenagem à antropóloga Mariza Corrêa, uma das fundadoras do PAGU, que morreu em 2016.
 

Margareth Rago, autora de A aventura de contar-se, da Editora da Unicamp, comentou sobre o processo de escrita do livro e sobre a escolha das sete mulheres de diferentes vertentes do movimento feminista, cujas trajetórias são relatadas na obra. Suas vivências variam desde a prostituição até o exílio político e se tornaram historicamente importantes na medida em que colaboraram para reverter o quadro de invisibilidade feminina deixado pela ditadura militar. Uma das militantes retratadas no livro é justamente Maria Lygia Quartim de Moraes.

No programa, Maria Lygia abordou principalmente as opressões sofridas pelas mulheres e o processo de reversão dessa situação desde a Revolução Industrial, quando se começou a pensar o que é ser mulher sob o capitalismo. Sem deixar de comentar sobre o crescimento do feminismo em contraposição ao aumento da violência contra a mulher, a socióloga Lygia lembrou a questão das relações de poder entre masculino e feminino, ressaltando a percepção da mulher como um objeto e o deslocamento da ideia de virilidade masculina em diversas esferas da sociedade. “Não podemos nos esquecer de que o privado também é político”, afirmou, enfatizando que “os homens não vão abrir mão de seus privilégios”, ao discorrer sobre as posições que o movimento deveria tomar na atualidade.

A historiadora Margareth falou sobre a popularização do feminismo, o que gerou uma apropriação das ideias feministas por parte do capitalismo, levando parte do movimento a se rearticular e a buscar uma ressignificação de sua identidade. Para ela, “o feminismo é tão perfeito que não passou despercebido para os movimentos neoliberais”, lembrando justamente o fato de que muitas marcas e empresas têm usado ícones feministas como ferramenta para as vendas. Mas enfatizando, em contrapartida, que este é um efeito claro das proporções que os debates feministas têm tomado na sociedade.

Mulheres que se tornaram referência para o movimento feminista foram lembradas muitas vezes durante o programa, como Leila Diniz, Ruth Cardoso, Mariza Corrêa, Patrícia Galvão, a Pagu, e até mesmo Rita Lee, além é claro das mulheres que Margareth nos trouxe em seu livro, como Gabriela Leite, Ivone Gebara e a própria Maria Lygia.

A edição de novembro do Café com Conversa foi a última de 2017. As edições anteriores foram sobre “Mudanças climáticas”, “Impactos da reforma trabalhista” e “Literatura e redação no Vestibular da Unicamp”, todas disponíveis no Youtube no Canal da Editora da Unicamp e no Canal da TV Unicamp.

Links para os livros:

A aventura de contar-se


Traficantes do simbólico & outros ensaios sobre a história da antropologia: http://www.editoraunicamp.com.br/produto_detalhe.asp?id=1054

Links para os programas anteriores:

“Mudanças climáticas”

“O impacto da reforma trabalhista”

“Literatura e redação no Vestibular da Unicamp”