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Ronaldo de Almeida e Rodrigo Toniol, organizadores do livro Conservadorismos, fascismos e fundamentalismos: Análises conjunturais, participam do programa Café com Conversa

Luís Fernando M. Costa | Editora da Unicamp | Especial para o JU

Os protestos de junho de 2013 marcaram a história da política brasileira. A maior presença da população em manifestações de rua foi acompanhada por uma polarização do processo político, com termos como “conservadorismo”, “fascismo” e “fundamentalismo” tornando-se parte do cotidiano. Com o intuito de discutir esses conceitos e seus usos no cenário atual, os professores Ronaldo de Almeida e Rodrigo Toniol, do Departamento de Antropologia da Unicamp, participaram da edição de agosto do Café com Conversa, ocorrido no dia 11 na Casa do Professor Visitante (CPV).

Ambos são os organizadores do livro Conservadorismos, fascismos e fundamentalismos: Análises conjunturais, recém-publicado pela Editora da Unicamp, cujo tema inspirou o debate.

Em sua fala, Ronaldo de Almeida explicou que o livro, fruto de um trabalho coletivo, surgiu como uma resposta à atual crise política marcada por três momentos-chave: os protestos de 2013, a intensificação da crise em 2014 e o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Segundo o pesquisador, “o livro capta esse momento político e destaca esses termos [conservadorismos, fascismos, fundamentalismos] fazendo uma reflexão teórica sobre eles, mas também entendendo como eles estão sendo usados conjunturalmente”.

De acordo com Rodrigo Toniol, a estratégia escolhida foi a de trabalhar com essas categorias, analisando seu aparecimento, suas transformações e seus usos no contexto político atual. Esse método valoriza a pluralidade de significados dos termos estudados e permite lidar com a grande diversidade de eventos políticos ocorridos recentemente no país. Ou seja, em vez de trabalhar com base em definições e vínculos teóricos e políticos, é realizada uma “espécie de geografia dos conceitos”, observando os espaços de enunciação. Por isso, o uso do plural no título do livro.

Para exemplificar a complexidade que uma categoria adquire nesse cenário, o antropólogo Ronaldo de Almeida destrincha o conceito de conservadorismo em três dimensões: econômica, vinculada a um discurso liberal de Estado mínimo; moralizante, preocupada com os comportamentos e costumes; e de segurança, interessada num Estado mais repressivo e punitivo.

Durante o programa, também foi discutida a conjuntura política internacional. Conforme Almeida, apesar da pluralidade própria aos eventos políticos, percebe-se que, no Ocidente, há uma convergência para o conservadorismo. Enquanto a última eleição presidencial do México provou ser uma exceção, as atitudes do presidente estadunidense Donald Trump indicam um caráter considerado fascista.

Ele nos conta que essa hipótese é defendida no capítulo “Donald Trump é fascista?”, escrito pelo cientista político Alvaro Bianchi e pelo historiador Demian Melo. Segundo ele, a prática do político norte-americano pode ser relacionada à categoria designada como pós-fascismo.

Para Rodrigo Toniol, de fato nota-se um avanço conservador na política, embora não haja como negar os progressos tanto no grande número de países democráticos quanto no âmbito dos direitos humanos. Porém, segundo ele, há um equívoco em compreender a história como uma linha contínua. No momento, assistimos a uma onda conservadora.

Café com Conversa é um programa de TV realizado pela Editora da Unicamp em parceria com a Secretaria de Comunicação da Unicamp (SEC) e a Casa do Professor Visitante (CPV)/Fundação para o Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). O evento promove o debate de temas da atualidade com o intuito de contribuir para a divulgação científica e cultural.

O próximo Café com Conversa terá como tema “Reforma e crise política no Brasil”, título do mais recente livro do cientista social Armando Boito Jr. A gravação, aberta ao público, será no dia 12 de setembro (quarta-feira), às 16h30, no Café da Casa, na Casa do Professor Visitante da Unicamp. A plateia pode participar fazendo perguntas aos participantes.

Leia mais sobre o livro Conservadorismos, fascismos e fundamentalismos: Análises conjunturais no blog da Editora da Unicamp:

https://blogeditoradaunicamp.com

Veja o programa

 

 

Ronaldo de Almeida e Rodrigo Toniol, organizadores do livro Conservadorismos, fascismos e fundamentalismos | Reprodução Youtube

O reitor da Unicamp abordou as principais novidades do Vestibular Unicamp e ressaltou que a inclusão social é a principal delas

Vestibular 2018 Unicamp | Ciclco Básico II, campus Barão Geraldo, Campinas| Foto: Antonio Scarpinetti

 

 

 

A PL 6299/02, popularmente conhecida como "PL do veneno", modifica o marco regulatório do uso de agrotóxicos. Neste episódio são entrevistados Larissa Bombardi (USP), Silvia Fagnani (Sindiveg), Ivan Valente (PSOL), Marina Lacorte (Greenpeace), Maria Ileide Teixeira (AMA) e a produtora rural Inês Carneiro.

PL do veneno é tema do Oxigênio #57

 

 

 

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, fala, nesta edição do programa Unicamp Direto ao Assunto, sobre a ampliação do teto salarial aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e seus respectivos impactos nas contas da Universidade.

O reitor Marcelo Knobel | Foto: Antonio Scarpinetti

 

Na edição dessa semana do "Unicamp Direto ao Assunto", o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, fala sobre reajuste salarial, aumento do auxílio alimentação e, ainda, progressão na carreira.

Marcelo Knobel, reitor da Unicamp

 

A Copa do Mundo está aqui, mas será que essa copa é mesmo sobre futebol? Neste programa temático, entrevistamos Jamil Chade (Estadão), Marcelo Proni (Unicamp) e Bernardo Buarque de Hollanda (FGV) sobre as controvérsias e os jogos de interesses nos bastidores da Copa da Rússia.

Programa Oxigênio edição nº 55 | Labjor e RTV Unicamp

 

 

Colóquio no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp atualiza o movimento, 50 anos depois. Ouça também playlist com músicas do período.

LUIZA BRAGION MORETTI

Efeméride já abordada em diversos meios de comunicação neste mês, o “maio francês” foi um movimento de esquerda, desconectado do então Partido Comunista, dentro de um país essencialmente de direita. A partir da divulgação de um pacote de reformas educacionais conservadoras imposta pelo governo, o movimento teve origem dentro das universidades e chegou à classe operária. Cerca de um milhão de pessoas foram às ruas contra o militarismo da era Charles de Gaulle. A difusão foi severamente reprimida pela polícia. Conduzida pelo estudante Daniel Cohn-Bendit, amparados por apoios plurais, a mobilização anunciou greve geral para o dia 13 de maio. Houve mais repressão, convocação de novas eleições e vitória da chapa do mesmo presidente. Porém, o legado de um dos maiores acontecimentos do século XX é estudado, atualizado e discutido em diversos espaços acadêmicos, políticos e culturais, cinco décadas depois.

O colóquio “Maio de 68: depois da primavera”, de 22 a 24 de maio, no auditório do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp, foi um dos eventos que tratou o levante sob diversos aspectos e com convidados de diferentes instituições. A proposta é “mais do que uma “memória da mobilização: buscamos compreender os desdobramentos ainda presentes nas lutas políticas contemporâneas”, define Gabriel Zacarias, professor do departamento de História e organizador do evento. A equipe de reportagem da TV Unicamp (SEC) acompanhou algumas conferências.O vídeo que compõe a matéria inclui, além de Zacarias, entrevistas com Olgária Matos, da Unifesp e USP, Marcelo Ridenti, professor do IFCH da Unicamp e José Fernando Azevedo, da ECA-USP, este último abordando especificamente o movimento negro antes e após 68 a partir de manifestações culturais.

“Maio de 68” indicava a necessidade de uma nova ordem mundial, voltada à igualdade entre os sexos, do respeito à vida e ao meio ambiente, do planejamento ecológico e da defesa dos direitos das minorias. “O progresso não poderia ser meramente econômico, mas afetivo, de mudanças na ocupação urbana e no modo de vida. Diversos acontecimentos simultâneos conduzem o mundo todo em semelhante direção”, explica Zacarias. Nos Estados Unidos, o então recém assassinato de Martin Luther King – em abril – sucedido por manifestações em favor dos direitos dos negros e contra a Guerra do Vietnã. No Brasil, a rebeldia estudantil já notável nos anos anteriores, explode no mesmo ano com a morte do estudante Edson Luis Souto, no Rio de Janeiro. Eclodia um movimento jovem e ainda esperançoso pelo fim do poder ditatorial, mas sufocado pelo AI-5 (Ato Institucional), em dezembro. Esse deslocamento leva às forças identitárias que pautarão os anos seguintes: feminismo, revolução sexual, fortalecimento do movimento antirracista, ecológico e contra a intolerância em geral. “Ascensão da ética da revolução, negação da sociedade de consumo, crescente relação entre arte e política são algumas características das contestações de 1968, que marcaram a História contemporânea mas com interrogações ainda em aberto”, explica Marcelo Ridenti.

A arte foi definitivamente incluída nesse novo processo do “fazer político”: música, cinema, literatura, cartazes, grafites até a participação ativa dos artistas nas manifestações. Em âmbito brasileiro, a emersão da Tropicália, o Teatro Oficina, Teatro Opinião e influência da pop art são alguns exemplos. E o que fica disso tudo nos dias de hoje? “A mensagem libertária de 68 vai encontrar, 50 anos depois, um retorno forte do conservadorismo, mas com lutas emergentes por demandas progressistas mais avançadas”, comenta Zacarias.

Veja vídeo produzido pela TV Unicamp: 

 

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Leia mais sobre o colóquio na reportagem do Jornal da Unicamp:

Maio de 68: depois da primavera

 

ReproduçãoPlaylist

[Por Luiza Bragion Moretti e Peter Schulz]

É Proibido Proibir

Soy Loco por ti América

Revolution

Street Fighting Man

Pra não dizer que não falei das flores

L'Été 68

Bye Bye Badman

Paris Mai

Like a Rolling Stone

With a Little Help from my Friends

 

 

 

Programa Registro Geral - Maio de 68: depois da primavera

O OxiLab traz episódios mais curtos, com novidades da ciência brasileira. Neste episódio falamos sobre a importância dos estudos de genômica e contamos com a participação da professora Maria Carolina Quecine-Verdi.

OxiLab: esse tal de Genoma

 

 

Tema é debatido pelos médicos e professores da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (FCM) Eros Antonio de Almeida e Mariângela Ribeiro Resende.

Luís Fernando M. Costa | Editora da Unicamp | Especial para o JU

Segundo o senso comum, as doenças são problemas restritos à área da saúde. No entanto, tanto fatores sociais quanto econômicos determinam suas dinâmicas, desde a dimensão de sua contaminação até a eficácia das respostas governamentais. Os médicos e professores da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (FCM-Unicamp) Eros Antonio de Almeida e Mariângela Ribeiro Resende debateram o tema “Epidemias” no programa Café com Conversa, gravado na última quarta-feira (9/5) na Casa do Professor Visitante (CPV-Unicamp).

Enquanto endemias são doenças persistentes – restritas a uma certa dimensão e localidade –, as epidemias surgem a partir do momento em que essas doenças ultrapassam certo nível de magnitude e repercussão social. Em casos extremos, encontramos as pandemias, de amplitude global, como a da H1N1, ocorrida em 2009. É a dimensão dessa contaminação que influencia sua visibilidade, assim como a atenção pública e a eficácia das respostas institucionais.

Devido à repercussão midiática das doenças de maior impacto, há uma constante negligência com relação às endemias. Surgidas num curto espaço de tempo e contaminando uma grande parcela da população, as epidemias e as pandemias se sobressaem, recebem grande parte da atenção da mídia e tomam para si a parcela majoritária dos recursos governamentais, destinados a uma rápida solução. No entanto, a resposta institucional não corresponde à demanda da população, uma vez que há um longo processo até que os investimentos repentinamente mobilizados se transformem em pesquisa e tratamento.

A professora Mariângela Resende ressalta o desafio em relação à produção de vacinas. A vacina da febre amarela, por exemplo, além de difícil produção, ainda depende de métodos artesanais, razão pela qual não há um estoque mundial suficiente para suprir a demanda. Ela também pontuou a necessidade de investir em pesquisa para o desenvolvimento de novas tecnologias de produção.

Para o professor Eros de Almeida, para além da importância dos casos de alto impacto, como as epidemias, deve-se investir na pesquisa e nas respostas às endemias que, independentemente de sua visibilidade midiática, têm relevantes impactos sociais. Elas persistem em diversas populações, que devem receber a atenção adequada dos órgãos de saúde.

Ele ressalta o caso da coinfecção entre a doença de Chagas (Tripanosoma cruzi) e a Aids (HIV/Aids) – tratado mais a fundo no livro Epidemiologia e clínica da coinfecção: Trypanosoma cruzi e vírus da imunodeficiência adquirida, publicado pela Editora da Unicamp e indicação de leitura dessa edição do Café com Conversa. Nesse caso, a pouca incidência é compensada pela alta mortalidade caso não haja um precoce diagnóstico seguido de tratamento.

Por fim, os debatedores colocam em foco os desafios. Mariângela Resende ressalta a necessidade de medidas estruturantes, como ações de financiamento e vigilância direcionadas ao SUS. Segundo ela, apesar da excelência do sistema,  existem problemas na gestão e no financiamento que impedem que ele funcione adequadamente. Eros de Almeida, além de mencionar os desafios políticos, destaca a importância da atenção ao paciente. Segundo ele, apesar da relevância da pesquisa no enfrentamento das epidemias, também é fundamental destinar esforços e recursos ao tratamento das pessoas.

 

 

 

Eros Antonio de Almeida e Mariângela Ribeiro Resende | Foto: Reprodução

Neste temático, visitamos a Entourage Phytolab, uma startup que está desenvolvendo um medicamento à base de extrato de Cannabis em parceria com a Unicamp.

Maconha é tema do Oxigênio #53