IdEA realiza reunião inaugural do Grupo de Estudos de Inteligência Artificial

Encontro reuniu especialistas em áreas de estudos diferentes e com posições diversas em relação ao tema
Encontro reuniu especialistas em áreas de estudos diferentes e com posições diversas em relação ao tema

O Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp deu início nesta quarta-feira (20) às atividades do Grupo de Estudos sobre Inteligência Artificial, reunindo dez especialistas de diversas áreas e instituições para debater os avanços e problemas envolvendo as novas tecnologias. Cada vez mais comum na vida cotidiana, a inteligência artificial (IA) emprega máquinas com algum grau de autonomia baseadas em algoritmos ou sequências de regras e operações que permitem solucionar classes semelhantes de problemas.

Carlos Vogt, presidente do Conselho Científico e Cultural do IdEA
Carlos Vogt, presidente do Conselho Científico e Cultural do IdEA

Muitas são as vantagens do uso de ferramentas baseadas em IA, concretizadas em aplicativos e produtos úteis para a sociedade, como veículos autônomos, tradutores simultâneos, assistentes de voz em celulares e softwares de navegação por GPS. A própria forma de fazer ciência deverá ser impactada pelas tecnologias de IA. De fato, a par da utilidade delas, são muitos os dilemas, contradições e desafios de natureza ética, filosófica, política e científica a ser considerados no centro dos debates do novo grupo de estudos do IdEA.

Para o engenheiro elétrico Virgilio Almeida, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um dos membros do grupo, “a IA não é algo do futuro, é algo que está presente imediatamente no nosso meio”. “Nós fazemos parte de um ecossistema que nos envolve e que é todo baseado nesses algoritmos”, declarou Almeida durante palestra apresentada na primeira reunião no IdEA. Para o docente da UFMG e também professor associado do Berkman Klein Center for Internet and Society da Universidade Harvard, o Brasil não está devidamente atento à questão e a iniciativa da Unicamp é bem-vinda.

Alcir Pécora, coordenador do IdEA
Alcir Pécora, coordenador do IdEA

Sob a coordenação do jornalista especialista em análise de dados Marcelo Soares, o grupo de estudos conta também com o engenheiro de comunicações Demi Getschko (Comitê Gestor da Internet no Brasil), o jornalista Eugênio Bucci (ECA/USP), o advogado Francisco Brito Cruz (InternetLab), o físico Jacques Wainer (IC/Unicamp), a demógrafa Luciana Alves (NEPO/Unicamp), a jornalista Magaly Prado (pós-doc. ECA/USP), o cientista social Rafael Evangelista (Labjor/Unicamp) e o físico Victor Mammana (CTI Renato Archer). O encontro inaugural também teve a presença do reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, do linguista e poeta Carlos Vogt, presidente do Conselho Científico e Cultural do IdEA, do crítico literário Alcir Pécora, coordenador do IdEA, e do físico Anderson Fauth, coordenador adjunto do IdEA.

Segundo Vogt, a proposta de criar o GE nasceu durante o Seminário Pós-Verdade, realizado em setembro de 2018 pelo IdEA, em parceria com o jornal Folha de S.Paulo. Entre as mesas do simpósio havia uma intitulada “Quem são os algoritmos”, com palestras de Marcelo Soares e Virgilio Almeida abordando como essas tecnologias estão influenciando os debates na sociedade contemporânea. “Convidamos o Marcelo Soares para integrar as atividades do IdEA, e uma delas seria a organização e a coordenação desse Grupo de Estudos de Inteligência Artificial, que, certamente, é um tema não somente atual, como de uma atualidade impositiva por várias razões”, afirmou Vogt, ex-reitor da Unicamp (1990-1994). As reuniões do GE de Inteligência Artificial serão mensais e os resultados devem ser apresentados em seminário e publicação ainda a serem definidos.

Marcelo Soares, especialista em análise de dados
Marcelo Soares, especialista em análise de dados

O coordenador do IdEA, Alcir Pécora, professor do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, destacou que a organização buscou encontrar especialistas em áreas de estudos diferentes e com posições diversas em relação ao tema para propor ao final das discussões desdobramentos de natureza especulativa e intelectual. “Nós ficamos muito curiosos em tentar avançar essa discussão aqui para saber exatamente o que está por trás desses algoritmos e o que pode ser especulado sobre esses elementos. Os desdobramentos possíveis são vários”, disse Pécora.

O coordenador do GE, Marcelo Soares, propôs alguns temas sobre IA a serem debatidos nas próximas reuniões, entre eles: as implicações sociais no trabalho e no Direito; os impactos políticos; saúde, identidade e privacidade; algoritmos na produção e consumo de cultura; quem são as grandes empresas que desenvolvem e controlam; e ficções e Singularidade. “Muito me honrou esse convite do IdEA para montarmos esse grupo. Ao mesmo tempo em que nem todos nós temos experiência prática, no dia a dia, de trabalhar com inteligência artificial, todos nós aqui temos perguntas, questionamentos, leituras e curiosidades a trazer sobre isso. Acredito que os próximos meses serão bastante interessantes.”

Anderson Fauth, coordenador adjunto do IdEA
Anderson Fauth, coordenador adjunto do IdEA

Em 2018, o IdEA criou seu primeiro grupo de estudos, o GE de Educação, que se debruçou sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, produzindo no segundo semestre um documento com contribuições dos especialistas que foi encaminhado ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Também no ano passado, o IdEA teve como primeiro convidado do Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente o cineasta Ugo Giorgetti, que ministrou um curso e repassou toda sua produção em uma mostra de filmes durante 13 semanas. Neste ano, além do novo GE, o Instituto de Estudos Avançados deve inaugurar o Programa do Cientista Residente, trazendo especialistas renomados para desenvolver atividades na Unicamp.

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Grupo de Estudos sobre Inteligência Artificial reuniu dez especialistas de diversas áreas e instituições
Grupo de Estudos sobre Inteligência Artificial reuniu dez especialistas de diversas áreas e instituições