A nº1 em licenciamentos

Das 13 patentes licenciadas para empresas em 2017 pela Unicamp, seis foram de tecnologias desenvolvidas na FEEC

A Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) é a unidade destaque na Transferência de Tecnologia na Unicamp em 2017. Das 13 patentes licenciadas para empresas em 2017, seis foram a partir de tecnologias desenvolvidas na FEEC. “Este resultado reflete uma cultura presente desde o início da criação da Faculdade de Engenharia. Sempre houve um forte envolvimento em projetos inovadores e com empresas estatais e privadas”, contextualiza o professor João Marcos Travassos Romano, diretor da FEEC.

O docente conta que, ainda nos anos 1970, vários grupos de pesquisa da então Faculdade de Engenharia da Unicamp foram formados a partir do desenvolvimento de dois grandes projetos ligados a empresas estatais: o da digitalização das telecomunicações, junto ao Sistema Telebrás, e o projeto de automação do metrô de São Paulo. “Acredito que a inovação pressupõe a transferência de tecnologias para empresas. Não tem como negar a importância disso para a Universidade”, afirma.

A FEEC está organizada em cinco grandes áreas: sistemas de energia; telecomunicações; engenharia de computação e automação; eletrônica e nanotecnologia; e engenharia biomédica. Um dos fatores a impulsionar esse destaque da unidade no número de licenciamentos, segundo João Romano, é justamente a abrangência das áreas de pesquisa da unidade. Além disso, todos os docentes são credenciados na pós-graduação, isto é, podem orientar mestrados e doutorados. “Considero isso uma vantagem, porque dá liberdade para o jovem docente atuar em várias frentes e administrar sua carreira com mais liberdade. Também criamos um ambiente acadêmico diverso, no qual convivem pesquisadores de várias gerações. Isso cria um ambiente criativo e culturalmente diverso, que propicia o surgimento de bons projetos”, aponta.

Foi essa convivência que possibilitou um dos licenciamentos da FEEC de 2017, o “Sistema de controle de escorregamento de fases em sistemas ópticos”, licenciado para a Padtec, empresa especializada no desenvolvimento, fabricação e comercialização de sistemas de comunicações ópticas. A tecnologia é fruto de uma pesquisa desenvolvida em uma parceria do professor Darli Mello, na FEEC há cerca de quatro anos, desde 2014, com Dalton Arantes, docente aposentado, mas que segue atuando como professor colaborador no Departamento de Comunicações (Decom). “Foi por meio do professor Dalton que eu pude trabalhar nesse projeto de pesquisa com a Padtec”, conta Mello.

Foto: Scarpa
O professor João Marcos Travassos Romano, diretor da FEEC: “Criamos um ambiente acadêmico diverso, no qual convivem pesquisadores de várias gerações” | Foto: Antonio Scarpinetti

O que motivou a pesquisa foi a deficiência das técnicas para estimar os chamados escorregamentos de fase em sistemas de comunicação por fibra óptica, que pode ser comparada a uma estrada por onde passa a informação. “Nos receptores desses sistemas existe uma etapa em que o processamento digital de sinais é muito intenso. É justamente aí que podem ocorrer esses escorregamentos”, explica Mello. “A tecnologia que desenvolvemos permite estimar a probabilidade deste problema ocorrer, e então checar se os receptores estão funcionando bem, otimizando o sistema”.

Segundo Mello, o processo de licenciamento foi rápido porque os termos do negócio já tinham sido acordados no escopo do projeto com a empresa. Ele apontou ainda que foi fundamental a agilidade da Inova no depósito da patente. “Isso garantiu que pudéssemos publicar os resultados sem perder a originalidade da nossa pesquisa e sem ferir os termos acordados com a Padtec”, disse. “Não há como fazer a transferência de tecnologia na Universidade sem a presença do NIT. O apoio da Inova é imprescindível”, afirma Romano.

Conforme explica Iara Ferreira, diretora de Parcerias da Inova Unicamp, a agência desenvolve uma atividade proativa no sentido de aproximar as empresas da Universidade e facilitar as negociações desde o início do projeto até a fase de licenciamento da tecnologia, como foi o caso da FEEC e a Padtec. “Cuidamos do plano de trabalho, propriedade intelectual, termo de sigilo, etc., buscando estabelecer uma negociação que possibilite o melhor retorno para a Universidade. Com isso, o pesquisador fica liberado para se dedicar à sua atividade-fim: pesquisa e desenvolvimento”, explica a diretora. “Estamos melhorando nossos processos, apoiando os pesquisadores e buscando agilizar os trâmites dentro da Unicamp”.

 

Cooperação de longo prazo

Para o professor Evandro Conforti, pesquisador da FEEC também envolvido em projetos de pesquisa que resultaram em licenciamentos, um dos fatores que colaboraram para esta unidade liderar o número de licenciamentos na Universidade são as cooperações de longo prazo com empresas, como a Padtec, e com a Fapesp. “Só com a Padtec já temos 10 anos de cooperação em projetos de pesquisa. Foi por meio dessa parceria que conseguimos adquirir um osciloscópio de última geração, equipamento utilizado no desenvolvimento de três tecnologias licenciadas”, afirma Conforti.

São elas: o “método para caracterização de moduladores eletro-ópticos”, que possibilita que dispositivos fotônicos responsáveis por modular o sinal óptico operem com máxima eficiência; a “chave eletro-óptica espacial amplificada com acoplador a filme fino de dupla entrada”, que auxilia o redirecionamento de pacotes de informação entre diversas rotas de uma rede óptica mais rapidamente; e o “método de medição de gorjeio e efeitos não lineares”, que serve para determinar a intensidade de distorções e de efeitos não lineares em sistemas ópticos, otimizando sua operação para que o enlace óptico opere com máxima eficiência e qualidade.

Segundo Conforti, a cooperação é importante porque possibilita formar recursos humanos mais conectados com as necessidades da indústria e, portanto, mais preparados para liderar projetos inovadores nas indústrias. “Todos os meus doutorandos saem daqui empregados”, contou. “Não se trata tanto da tecnologia em si, mas do caminho percorrido, de aprender como inovar, combinando pesquisas de fronteira com as necessidades do mercado”, finaliza Conforti.

A cooperação com as empresas gera, portanto, um ambiente de maior diversidade, que colabora para formação de recursos humanos de alta qualidade. “Não podemos perder de vista que a verdadeira missão da universidade é formar recursos humanos. Mas não é, simplesmente, um tipo de pessoa que vai repor a força de trabalho que está atuando agora. Temos que formar um tipo de profissional inovador e flexível, capaz de criar soluções para o mundo moderno”, afirma Newton Frateschi, diretor-executivo da Inova Unicamp. “Nós acreditamos que é possível fazer isso expondo essas pessoas à pesquisa e ao ensino de ponta, tratando de problemas interdisciplinares, com conhecimento de fronteira de todo tipo, desde o mais fundamental ao mais aplicável. É essa diversidade que estimula pessoas mais criativas”, afirma Frateschi.

 

Motivação para inovar

Como o ambiente acadêmico pode favorecer a inovação? Um dos caminhos é estimular a prática multidisciplinar ainda na graduação. “Nossos alunos têm uma notória motivação para inovar. Desde o primeiro ano, eles se envolvem em uma série de atividades que exigem conhecimentos que muitos deles nem aprenderam ainda”, revela o diretor da FEEC, João Romano. Um exemplo é a competição da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE), Fórmula SAE BRASIL, na qual estudantes de engenharia têm que desenvolver o projeto de um carro tipo Fórmula.

Durante três dias de evento, os carros passam por provas estáticas e dinâmicas, avaliando a performance de cada projeto na pista, assim como as apresentações técnicas das equipes, que inclui projeto, custo e uma apresentação de marketing. Os melhores da etapa nacional vão competir nos Estados Unidos. “Quando participam dessas competições, os alunos lidam com eletrônica, computação, controle, ou seja, estão praticando a multidisciplinaridade, em uma abordagem que permite o estudo de fundamentos importantes em um contexto de aplicação. Um bom caminho para fomentar a inovação e o empreendedorismo é aproveitar esse entusiasmo, fazendo dessas atividades ferramentas de ensino e aprendizagem”, sugere Romano.

Patrocinaram esta edição do Prêmio Inventores: a CCLPI, a Clarke Modet & Co, a Cervejaria Ambev, a FM2S, a Agricef, a Kasznar Leonardos Propriedade Intelectual e a Matera. Para saber mais sobre o Prêmio, acesse: www.inova.unicamp.br/premioinventores

 

 

 

Imagem de capa JU-online

Audiodescrição: em laboratório de engenharia elétrica e de Computação, imagem em perfil e de busto, homem sentado, à esquerda na imagem, observa três equipamentos que possuem pequenos monitores, com tela de cerca de dez por quinze centímetros, que mostram indicadores escritos e por meio de gráfico. Esses equipamentos, semelhante a CPUs de computador, estão na horizontal e apoiados sobre prateleiras afixadas numa parede à frente dele, à direita. Há ainda um tipo de microscópio à frente dele. Imagem 1 de 1.