Os caminhos para ingressar na Unicamp


Ilustra: luppa SilvaMúltiplos aspectos compõem uma grande universidade: docentes, pesquisadores, funcionários e, sobretudo, estudantes. A seleção de estudantes é um complexo sistema que envolve, primeiramente, a expectativa dos candidatos e a estrutura da instituição. Uma universidade reconhecida pela excelência das atividades de ensino, pesquisa e extensão, como a Unicamp, possui uma grande capacidade de atração de estudantes para seus cursos de graduação.  

A diversidade da universidade e seus campos de conhecimento e atuação demandam revisões e diálogos constantes com a sociedade e, particularmente, com os jovens que almejam ingressar em seus quadros. Há 31 anos a Unicamp optou pela criação de um Vestibular próprio e cumpriu com êxito a função de selecionar estudantes para seus cursos.

No entanto, a sociedade mudou, as expectativas dos jovens mudaram, o acesso à educação tornou-se mais democrático e as demandas por conhecimento se alteraram. Em 2011, com a criação do ProFIS (Programa de Formação Interdisciplinar Superior), a Universidade rompeu o monopólio do Vestibular como única forma de ingresso a seus cursos e iniciou um experimento exitoso de seleção dos melhores estudantes de cada escola pública da cidade de Campinas. A grande acolhida desse sistema encorajou a Universidade a dar passos mais arrojados na seleção dos estudantes.

A Unicamp adotará a partir de 2019, 5 sistemas de ingresso: o Vestibular Unicamp e o ProFIS, já existentes, o Vestibular Indígena e os Editais ENEM-Unicamp e Edital Vagas Olímpicas. Como observei em outro artigo, seguindo os passos de outras grandes universidades do mundo, “a variedade de critérios de admissão pode reduzir as desigualdades de acesso e fortalecer a pluralidade de pessoas, saberes, histórias e experiências que estimulem a produção de outros conhecimentos e modos de ler o mundo.”

O objetivo deste artigo é explicar à comunidade da Unicamp e aos candidatos e professores as regras dos novos sistemas de ingresso. Todos os editais e informações estão disponíveis no endereço eletrônico da Comissão Permanente para os Vestibulares.

Reprodução
Cartaz de divulgação dos sistemas de ingresso divulgado no site da Comvest


Explicando os sistemas de ingresso

Sem mencionar o ProFIS, que tem regras consolidadas, apresento 4 sistemas: são 2 vestibulares (Vestibular Unicamp e Vestibular Indígena) e 2 editais (ENEM-Unicamp e Vagas Olímpicas). Os vestibulares significam que todas as etapas (inscrição, concepção, aplicação e correção de provas, classificação e divulgação de resultados) são de responsabilidade da COMVEST, ou seja, é um processo integralmente conduzido pela Unicamp. Os editais ENEM-Unicamp e Vagas Olímpicas significam que a Unicamp não é responsável pela concepção, aplicação e correção das provas que são de responsabilidade de outras instituições, como o INEP e os órgãos responsáveis pela realização de Olimpíadas e outras competições de conhecimentos.  A COMVEST, no caso dos editais, operacionaliza o sistema e classifica os estudantes inscritos a partir de pesos e critérios definidos pelos cursos de graduação.

Todos os estudantes podem se inscrever em todos os sistemas, desde que atendam às especificidades de cada sistema.

Outro dado importante: a inscrição em um dos sistemas não significa inscrição automática nos demais sistemas. Alguém que se inscrever no Vestibular Unicamp não está automaticamente concorrendo no Edital ENEM, por exemplo.


Vestibular Unicamp 2019

O Vestibular Unicamp continuará a ser o principal sistema de ingresso na Unicamp: pouco mais de 80% das vagas da Unicamp (2.589) estão disponíveis nesta modalidade. Podem se inscrever estudantes de escola pública e privada e as provas continuarão a ser realizadas em duas fases.

Uma mudança importante é na bonificação do Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS) aplicável a estudantes de escola pública. Os estudantes que tenham feito integralmente o Ensino Fundamental II terão 20 pontos adicionais à sua média padronizada. Os que cursaram o Ensino Médio, 40 pontos. O PAAIS, ao diminuir a bonificação do Ensino Médio e bonificar o estudante do Ensino Fundamental, busca ser mais adequado quanto aos critérios sociais. Os 60 pontos que eram atribuídos, até ano passado, a quem realizou o Ensino Médio só serão atribuídos a quem fez, no mínimo, 7 anos de escola pública (Fundamental II e Médio). 

Outra novidade é adoção de cotas étnico-raciais: 15% das vagas regulares da Unicamp estão nessa modalidade. São 509 vagas, das 3.340 vagas regulares da Unicamp.

Ao preservar a maior parte das vagas no Vestibular, a Unicamp sinaliza que será de responsabilidade da Universidade a definição dos principais critérios quanto a provas e conhecimentos no processo de seleção daqueles que vão ingressar na graduação. As provas do Vestibular Unicamp são reconhecidas por sua qualidade e são referenciais para muitos docentes na educação básica. Os temas, a originalidade de abordagem e a contextualização, por exemplo, inspiram professoras e professores em suas atividades didáticas.

Outro dado importante: vagas não preenchidas em outros sistemas migrarão para o Vestibular Unicamp. Por exemplo, se não forem preenchidas as vagas do Edital ENEM de um determinado curso, elas serão transferidas para o Vestibular. Logo, 2.589 é o número mínimo de vagas existentes no vestibular.

As inscrições terminam em 31/08/2018 e as provas serão realizadas em 18/11 (1ª fase) e 13, 14 e 15/01/2019 (2ª fase). As provas serão aplicadas em Campinas e mais 28 cidades do interior do Estado de São Paulo e nas seguintes capitais: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

 

Vestibular Indígena

 O Vestibular Indígena oferecerá 72 vagas em 34 cursos de graduação. Algumas vagas são regulares (23), ou seja, se não forem preenchidas, serão transferidas para o Vestibular Unicamp. As outras 49 vagas são adicionais e, caso fiquem ociosas, não serão somadas às 3.340 vagas regulares (veja a relação aqui).

O Vestibular Indígena será realizado em fase única, como provas nas mesmas áreas de conhecimento do Vestibular Unicamp (Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza), além da prova de redação.

A opção de realizar um Vestibular específico, o primeiro entre as universidades públicas estaduais de São Paulo, é permitir que estudantes com experiências educacionais diferenciadas disputem as vagas entre si. O número de estudantes indígenas é muito menor se comparado a outros grupos contemplados com cotas, como pretos e pardos, por exemplo. O ingresso de estudantes indígenas na Unicamp é muito restrito no atual sistema, por isso, a criação de um Vestibular para estudantes indígenas é uma ação importante para promover a inclusão desses estudantes e, ao mesmo tempo, a diversidade na Unicamp.  A expectativa é que os saberes tradicionais e os saberes acadêmicos possam conviver numa experiência que favoreçam novas visões e concepções em torno das múltiplas culturas.  

Para participar desse processo os estudantes devem ter feito todo o Ensino Médio em escola pública e preencher uma declaração de pertencimento étnico, com assinatura de lideranças dos grupos aos quais declararam vínculo.

As inscrições ocorrem entre 15/08 e 14/09/2018. A prova será realizada no dia 02/12/2018 nas cidades de Campinas (SP), Dourados (MS), Manaus (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Recife (PE).

Foto: Perri
O Conselho Universitário aprovou a criação do Vestibular Indígena na mesma sessão que adotou as cotas étnico-raciais.


Edital ENEM-Unicamp

O Edital ENEM-Unicamp disponibilizará 645, ou seja, quase 20% das 3340 vagas para estudantes selecionados pelo ENEM. É importante frisar que é um edital específico da Unicamp e não a adesão ao SISU (Sistema de Seleção Unificada), administrado pelo INEP-MEC. Por este sistema de ingresso, a Unicamp quer oferecer oportunidades aos estudantes de qualquer parte do território nacional.

O Conselho Universitário ponderou que é preferível dar mais oportunidades aos candidatos e não esgotar suas possibilidades num processo que tem dezenas de universidades e, no qual, o candidato pode indicar apenas 2 opções de cursos. A Unicamp, portanto, gerenciará um sistema próprio, no qual a nota obtida no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) será utilizada para classificar os estudantes.

Outro diferencial da Unicamp em relação ao SISU é que os candidatos poderão indicar a opção por curso, tal como no Vestibular, e não terá que viver a ansiedade de um sistema de classificação onde as pessoas trocam de curso conforme a nota obtida e não de acordo com suas preferências e afinidades. O SISU é um sistema dinâmico no qual durante os dias de opção de curso, os inscritos no sistema conhecem a nota do último classificado e podem “optar” por outro curso ou instituição.

Ao fazer sua própria classificação, a Unicamp compreende que não está em disputa com outras instituições e, consequentemente, os estudantes não precisam participar de uma espécie de leilão em que candidatos com maiores notas ingressam em cursos que não querem seguir. Por exemplo, um candidato que pretendesse fazer Odontologia, mas tendo nota insuficiente em relação ao último classificado, poderia optar por um curso de outra área, que exige nota menor, apenas para ingressar na universidade. O resultado desse sistema, muitas vezes, é o aumento da evasão. 

Para participar do Edital ENEM-Unicamp é necessário cumprir um dos requisitos básicos: ser estudante de escola pública ou ser autodeclarado preto ou pardo (rede pública ou privada). A metade das vagas deste edital, ou seja, 10% das vagas regulares da Unicamp, é para cotas étnico-racionais, que somadas aos 15% das vagas no Vestibular Unicamp, formam o percentual de 25% das vagas reservadas para as cotas étnico-raciais (independentemente do candidato ter feito escola pública ou privada).

As inscrições para o Edital ENEM-Unicamp começam no dia 15/10 e vão até 14/11/2018 e os candidatos podem utilizar a nota das duas últimas edições do ENEM (2017 e 2018), ou seja, estudantes que prestaram a prova neste ano e no ano passado podem concorrer neste Edital.

 

Edital Vagas Olímpicas

O Edital de Vagas Olímpicas busca atrair estudantes premiados em competições de conhecimento e olimpíadas científicas nacionais e internacionais. São oferecidas 90 vagas (7 adicionais e 83 regulares) em 22 cursos. Os aprovados por este sistema não precisarão realizar nenhuma outra prova para ingressar na Unicamp.

Os estudantes poderão optar por até 2 cursos e identificar a Olimpíada e o tipo de medalha obtida (ouro, prata e bronze) ou, no caso de olimpíadas internacionais, também é válido o certificado de participação.

Os pesos de cada competição e sua importância foram definidos por cada curso de graduação e a classificação final obedecerá a ordem de prioridade para cada olimpíada. Um curso da área de exatas, por exemplo, pode considerar que uma olimpíada de Matemática é mais relevante que uma competição da área de robótica. Os candidatos devem estar atentos para, ao escolher o curso de sua preferência, observar quais são as olimpíadas aceitas.

Os candidatos poderão utilizar sua maior pontuação obtida em olimpíadas nos dois anos anteriores ao ingresso na Unicamp, ou seja, 2017 e 2018. O nível das olimpíadas deve ser equivalente ao Ensino Médio, ou seja, são vetadas as competições de nível fundamental e/ou nível superior.

As inscrições começam no dia 21/11/2018 e vão até 10/01/2019.

Foto: Isaías Teixeira
Cerimônia de premiação da Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) realizada na Unicamp. Para disputar uma vaga pelo edital as premiações devem ser obtidas em competições nacionais ou internacionais.


A ordem final dos aprovados: como fica?

Todos os sistemas são independentes para a classificação, mas são integrados para o momento de divulgação de resultados e, no caso dos aprovados, efetivação da matrícula.

Caso um candidato tenha sido aprovado em mais de um sistema, qual a ordem de classificação? A diversificação dos sistemas de ingresso foi pensada num contexto de promoção de maior inclusão, portanto, respeitando-se o número de chamadas, a ideia é contemplar o princípio mais inclusivo.

Caso um candidato tenha sido convocado para matrícula em um mesmo curso, na mesma chamada, no Vestibular Unicamp 2019 e em outro(s) sistema(s) de seleção, a vaga a ser preenchida seguirá a seguinte ordem de prioridade: Vestibular Unicamp, Edital de vagas olímpicas, Edital ENEM e Edital Vestibular indígena.

De forma prática: passei no mesmo curso no Edital ENEM-Unicamp e no Vestibular Unicamp. A sua vaga será a do Vestibular e a vaga aberta no Edital ENEM permitirá que se convoque outro candidato daquela lista.

Candidatos aprovados na mesma chamada em cursos diferentes: valerá a opção do candidato no ato de matrícula. Tendo passado em Engenharia Mecânica no Vestibular Unicamp e Engenharia Elétrica no Edital Vagas Olímpicas o candidato indicará sua preferência e a outra vaga será disponibilizado para o próximo classificado na chamada seguinte.

Se um candidato passou num curso na 1ª chamada pelo Edital ENEM, mas não foi convocado na mesma chamada no Vestibular Unicamp, ele terá a opção de matricular-se na vaga obtida e, automaticamente, abdicar da outra lista. Caso ele não ocupe a vaga do Edital ENEM, o candidato continuará concorrendo no sistema do Vestibular. Porém, caso a vaga não se concretize, ele não poderá reivindicar a vaga do Edital ENEM, pois esta vaga já estará ocupada por outro estudante selecionado.

Outra informação importante e que precisa ser reiterada: vagas regulares ociosas em qualquer sistema novo (Vestibular Indígena, Edital ENEM-Unicamp, Vagas Olímpicas) serão transferidas para o Vestibular Unicamp 2019.

A Unicamp construiu um sistema diversificado para atender às demandas e expectativas de continuar selecionando os melhores estudantes. As alternativas foram criadas para contemplar perfis variados, e expressão de uma universidade comprometida com as demandas da sociedade e antenada aos desafios de seu tempo.


Veja vídeo sobre o Vestibular da Unicamp