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Mostra no MACC reúne recém-formados da Unicamp

[26/5/2008] Um desenho que lembra um fragmento de mapa de metrô, com duas linhas que se cruzam, recebe o visitante na mostra Entre_Linhas, que está em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Campinas "José Pancetti" até 30 de junho. A imagem resume bem a proposta da exposição, que revela conexões entre as obras de 22 artistas plásticos recém-formados pelo Instituto de Artes (IA) da Unicamp. Além de marcar a entrada dos ex-alunos de artes plásticas no mercado profissional, a mostra faz um recorte da atual produção artística de Campinas e região, que reflete também a produção nacional.

São desenhos, pinturas, gravuras, instalações, esculturas, aquarelas, fotografias e arte seqüencial que apresentam "pontos de entrecruzamentos, ressonâncias, divergências, tensionamentos e emparelhamentos" , como escreveu Regina Rohas, professora do IA e organizadora da exposição. Apesar da diversidade e atualidade das propostas e materiais, as obras comunicam-se entre si e com as tradições nas artes plásticas, quando não questionando-as.

Entre os pontos de convergência estão as obras que atualizam a pintura e a escultura por meio de suportes novos ou precários, expondo a fugacidade da arte – como quase de tudo – no mundo contemporâneo. É o caso dos trabalhos de João Lourenço, Luana Damasceno Valeriano, Gustavo Torrezan e Fernanda Lazzarini.

Na obra intitulada Saint-Paul, que mistura instalação e técnicas mistas, Lourenço relê a obra The Garden of Saint-Paul, de Van Gogh – um dos mestres da vanguarda européia –, ao reproduzi-la em um esboço no papel, cercá-la com veludo e inseri-la dentro de uma moldura gasta e antiquada. Além disso, desestabiliza a visão do espectador ao "tombar" o quadro na parede.

Outra característica que se repete em vários trabalhos é a atualização dos retratos e auto-retratos, que diferentemente de sua função ao longo da história, aqui aparecem fragmentados. São vestígios, tentativas de apreensão ou "apagamentos" de rostos, como nos desenhos, pinturas e aquarelas de Carolina Gianini, Elisa Pegolaro, Bádia Moya, Mariana Soares Leme e Agda Brigatto.

O chefe de setor e curador do Macc, Fernando Bittencourt, observa que a mostra revela que os artistas estão mais "envolvidos na criação do que na conclusão da obra". "Não há uma preocupação com a durabilidade dos trabalhos", avalia. Como exemplo, cita a pintura de Luana Damasceno, que utilizou nanquim e ecoline sobre papel-arroz. "Ela trabalhou no limite, pois o papel-arroz é um material extremamente frágil." As linhas que contornam suas figuras humanas e cenários também não se fecham, deixando-as inacabadas e permitindo que as cores escapem.

O visitante é conduzido à Sala Especial do museu pelo "labirinto" de vinil adesivado criado especialmente para aquele espaço por Ilma Guiderolli. Dentro da sala, depara com um trabalho em arte seqüencial de 15 metros de comprimento, intitulado Nós (Dream Sequence), de Mario Cau, que não entrou para o 14 Salão de Arte Contemporânea de Campinas, mas pôde ser vista em mostra paralela realizada pelos artistas que não tiveram suas obras selecionadas para o salão.
(Carlota Cafiero, da Agência Anhangüera)