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Rotundas, painéis e coxias na prova de aptidão em Dança

[23/1/2008] Um palco italiano em plena Unicamp. Este foi o pano-de-fundo da prova de Dança na quarta-feira no Departamento de Artes Corporais do Instituto de Artes (IA). Nele, 82 candidatos participaram terça e quarta-feira da Prova de Aptidão, que deve confirmar se o aluno tem de fato perfil para estudar na Universidade. Na prova prática, eles se misturavam a rotundas, painéis e coxias, que iam sendo configurados ao longo do exame para criar diferentes atmosferas numa mesma sala. Concorrem a 25 disputadíssimas vagas. Essas provas práticas começaram na terça-feira (22), examinadas por cinco professores da casa. A eles coube avaliar questões como o espaço do corpo (interno e externo) e o trabalho por níveis ou zonas de espaço físico (alto, médio, baixo, frente, atrás), além dos diferentes níveis de profundidade. "Os alunos acabam por lidar com o conceito de palco", contou a professora Holly Cavrell, que pelo terceiro ano consecutivo preside a banca examinadora do curso, que está situado entre os três melhores do país.

Para Holly, as provas são o espelho do que será mostrado durante o curso, por isso da necessidade de reproduzir situações semelhantes. Foram meses para prepará-las. "Portanto, ao atualizar algo no curso, necessitamos rever também as provas". São avaliados critérios como postura, domínio corporal, ritmo, orientação espacial, percepção e memória do movimento, criatividade, e comunicação e versatilidade. "O trabalho corporal do bailarino equivale ao de um atleta", enfatizou. Neste ano, a nota será composta pela média simples de duas provas: um olhar técnico e outro criativo. Cada uma delas vale 24 pontos. Caso o candidato obtenha nota menor que 8 pontos em qualquer uma das provas, ele terá nota final igual a zero, sendo eliminado da opção.

Júlia Ziviani é a chefe do Departamento de Artes Corporais e também membro da banca examinadora. Desde o ano passado, verificou que os alunos vêm para a Unicamp com um trabalho corporal melhor e mais interessados em estudar, mas admitiu que os candidatos que vêm do interior em geral não tiveram as mesmas oportunidades que os residentes em centros maiores. Disse, no entanto, que os que têm aptidão entram no espírito da prova, não deixando que fatores limitantes interfiram em seu desempenho.

Recordou que paira uma dúvida, que é dos pais, de estarem apoiando uma carreira mal-remunerada. "Isso não é verdade hoje. Dá para sobreviver bem da arte sim. Temos ex-alunos atuando em grandes companhias e morando no exterior, junto ao Cirque du Soleil, Companhia Pina Bauch da Alemanha e The Place de Londres", fez questão de salientar. Também descartou o preconceito de estabelecer uma carreira masculina. "Há espaço para todos. Na Unicamp, temos alunos que migraram de áreas como as engenharias, matemática e biologia e que se encontraram na Dança."

Milena Oslanski, 17 anos, vem de Sorocaba. Fez cinco anos de street dance e sapateado, bem como jazz. Faz balé clássico desde os quatro anos. Acredita que este trabalho corporal, que deve ser constante, em sua visão, é o primeiro passo para quem deseja seguir carreira. "Não consigo me ver em outra carreira. É um gosto que não tem fim. Quero dançar muito em grandes companhias, mas pretendo um dia repassar meu conhecimento a outras pessoas. Não quero um trabalho isolado das pessoas", afirmou.

Depois de três horas de prova, saiu cansada. Por outro lado, não conseguia esconder o encantamento de estar na Unicamp. Achou a primeira fase do Vestibular Unicamp a mais difícil, um verdadeiro funil. "Recebi com alegria o resultado da aprovação. Espero repeti-lo com boa performance."

A coordenadora do curso de Dança, Ângela Nolf, aplicou prova. Disse que já dá para perceber que muitos não conseguirão acompanhar o curso, pois o foco é a dança no corpo. Explicou que os candidatos da prova de Dança têm como aprimorar seu desempenho tomando como referencial outros candidatos. "Não é colar. É refinar-se a partir da observação", definiu. Ao abordar a carreira, Ângela revelou que há um padrão muito estético, apesar de enfatizar que não é isso que está em jogo. "Muitos, por exemplo, seguem a carreira de pesquisa e não optam por ser bailarinos de palco."

Terminada a prova, a presidente da banca anunciou: "vocês terminaram a prova. Podem se dirigir à sala 2 para pegar os seus pertences". Esta será uma rotina na vida dos aprovados.

É também o ideal de Mariana Chaim, 18 anos. Estar entre os melhores é uma de suas finalidades, ela que saiu de uma escola pública de Americana. "Para isso, procurei dar o meu máximo, mas o que pega é o condicionamento", falou, apesar de concordar com a prova de aptidão. "São os alunos que fazem o curso e por isso é bom estar entre os melhores. Quero fazer um bom curso", acentuou.

Do lado de fora da sala, Susi Esteves, Sônia Maria e Priscila Gentili, mães de Mariana, Lígia e Maiara, aguardavam as candidatas. Elas mostraram que qualquer sacrifício vale para ajudar suas filhas e que para ser mãe implica participar. Susi, por exemplo, saiu de São Paulo, às 4 horas da madrugada. Chegou à Unicamp às 6. "A disciplina também conta nesta maratona", concluiu.

As Provas de Aptidão da Unicamp prosseguem até amanhã (24) em Campinas, com exceção de Odontologia, que acontece no campus de Piracicaba. Mais informações no site da Comvest.
(Isabel Gardenal)
Fotos: Antônio Scarpinetti
Edição de imagens: Natan Santiago

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