[27/9/2004]
A psicóloga Vick Bloch, presidente da DBM Brasil, acompanhou a dor de muitos trabalhadores que, desde 1988, tiveram suas carreiras interrompidas por causa do desenvolvimento em projetos de carreira. Mais que romper carreira, a nova ordem mundial e, especialmente a nacional, provocou mudanças de vida para profissionais que não tiveram tempo para, segundo a psicóloga, "cuidar de sua carreira".
Os tempos mudaram e, se, cidadãos dos idos 1900 não tiveram essa orientação, hoje, ainda na universidade, futuros profissionais da geração 2000 assinam inúmeras listas de presença em palestras como a de Vicky, no Ciclo de Palestras do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE), para saber como se comportar diante das novas exigências do mercado de trabalho. Nesta terça-feira (28), na sala Ciclo Básico 3 da Unicamp, Vicky abordou o contexto histórico da fase Collor até os dias de hoje e mostrou a alunos de diferentes cursos a importância de cuidar da carreira já no início da vida profissional.
Apesar de viverem numa época em que a oferta de treinamentos e esclarecimentos é intensa, os estudantes testemunham uma das maiores crises de desemprego do País. De acordo com Vicky, antes de 1988, um funcionário permanecia entre 25 e 30 anos numa empresa, mas hoje, é um dos principais vilões da história brasileira. Ela mesma já entregou prêmio a um funcionário de uma organização por 40 anos de dedicação ao trabalho. Mas a "lealdade infantilizada", como ela diz, estava entre os efeitos negativos de uma dedicação que chegava a mais de 18 horas de trabalho. Tal disponibilidade fez com que as pessoas não pensassem em cuidar da carreira, realizando cursos de capacitação ou reciclagem profissional. "A pessoa não conseguia pensar em outra possibilidade", explicou.
Ao final da palestra, a psicóloga revelou aos alunos que para construir uma carreira bem-sucedida é preciso traçar uma linha de convergência e analisar três aspectos: "O seu interesse tem a ver coma visão da organização? Os valores coincidem com a cultura da empresa? E as competências se convergem?" Essa avaliação, na opinião dela, mostrará se o candidato dará certo num determinado lugar.
Outra iniciativa importante também antes de aceitar uma vaga é observar o ambiente de trabalho, pesquisar tendências dos mercados e competências requeridas e desenvolver uma estratégia para gerenciamento e carreira.
Vicky mostrou que o profissional tem de se fazer antes de ser reconhecido. "Não deixe na mão do outro porque ele não irá fazer o melhor para você . Só quem sabe de si é você mesmo", concluiu.
(Maria Alice da Cruz)
Foto digital: Neldo Cantanti