[27/9/2004] "O ideal é que o intelecto se junte ao inteligível. Eis o limite do conhecimento", aponta o filósofo da Universidade de São Paulo (USP), José Arthur Giannotti, que participou segunda-feira (28), na Unicamp, do VIII Encontro de Pesquisa em Graduação em Filosofia, organizado pelo Centro Acadêmico de Filosofia (Cafil) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.
Convidado para falar no primeiro dia do evento, que vai até sexta-feira (1), Giannoti iniciou sua palestra dizendo que atualmente a filosofia virou uma profissão. "É uma categoria que está prevista no Imposto de Renda", ironiza, para em seguida jogar uma água fria: "poucos serão profissionais da filosofia. Com a expansão dos estudos filosóficos, poderemos até mesmo perder o pé", adverte.
O mundo contemporâneo, constata Gianotti, colabora para que não existam filósofos. Eles amiúde passam a ser invocados modernamente na área de auto-ajuda. "Embora ache mesmo natural que a filosofia ajude muito a vida cotidiana", diz.
O filósofo, autor de diversas obras, entre as quais As Origens da Dialética do Trabalho, tece um discurso que percorre a base da filosofia sem adentrar, no entanto, a história da filosofia propriamente. Revela que a ciência filosófica nasce do "espanto!", tematizado por Platão. "É quando se 'puxa o tapete do mundo' e se procura saber o que está acontecendo", define.
Segundo Giannotti, a filosofia surgiu de uma disputa entre aqueles que pensavam que tudo era movimento e aqueles que pensavam o mundo somente pela visão lógica.
O professor percorreu a trajetória dos sofistas. Salientou Aristóteles, que afirmava que a vida buscava o princípio organizador (com sua lógica formal) e Kant, para quem a percepção humana passou a ser não tão neutra, contra o mito da neutralidade. "O ser não pode ser pensado como absoluto. Com a crise da metafísica, os alemães quase enlouquecem tentando resgatá-la a todo o custo", adverte.
(Isabel Gardenal)