[26/9/2004]
Os projetos de educação científica estão perto de ser uma realidade em instituições de ensino fundamental e básico. Se depender de parcerias de boa vontade como a firmada entre a Unicamp e o Instituto Sangari na sexta-feira (24), na sala do Conselho Universitário (Consu), em pouco tempo, o ensino de ciências nas escolas deve migrar da teoria para a prática. O convênio assinado pelo professor Carlos Henrique de Brito Cruz e o fundador e presidente do Instituto Sangari, Ben Sangari, garante o desenvolvimento dos dois primeiros projetos elaborados pelo Museu.
O primeiro deles é Circo das Ciências, que promete uma nanoaventura a estudantes de ensino fundamental e médio aprender conceitos da tão falada nanotecnologia – um dos mais recentes desafios de grandes cientistas. Uma mistura de elementos de linguagem de diversas mídias, como cinema, animação, jogos e teatro, o projeto "Circo das Ciências" exigirá a colaboração dos jovens participantes. De acordo com o professor Marcelo Knobel, membro da Comissão Executiva do museu, é um projeto móvel, itinerante, capaz de chegar às diversas comunidades. O final da aventura depende da solução de problemas que envolvem conhecimentos científicos.
"Desafio" é o segundo projeto a receber apoio do Instituto Sangari. As atividades são conduzidas por um desafio tecnológico, no qual a equipe terá de trabalhar para encontrar soluções para um problema real de caráter científico e tecnológico. O jogo envolverá apenas um tema, segundo Knobel.
Professor do Instituto de Física e coordenador do Núcleo de Desenvolvimento e Criatividade da Unicamp, Knobel destaca que o Instituto Sangari é o primeiro grupo a apostar na idéia, alocando recursos. O convênio propõe a contratação de dois gerentes por três anos para o projeto e o grupo oferece toda a infra-estrutura que dispõe, relacionada a compras, de advogados, marketing, entre outros.
Ben Sangari disse que a parceria com a Unicamp divide duas paixões no que diz respeito à importância da educação em ciência e tecnologia e conhecimento. "Particularmente, o museu apóia a popularização da ciência e da tecnologia, levando-a à sociedade em geral." Ele reforçou que a popularização da ciência e da tecnologia é um dos objetivos também do Instituto.
A equipe acredita em projetos permanentes, que não precisem de uma sede física. Segundo Knobel, o que levou à criação do museu foi a idéia de que, para fazer um grande museu, tem de ter um grande projeto.
"Há pouquíssimos museus de ciência. Mas existe um movimento forte aumentando gradativamente." A proposta é despertar o interesse da população e estimular o pensamento crítico e a criatividade das pessoas. Para Knobel, é indiscutível a necessidade de ter um bom museu de ciências.
(Maria Alice da Cruz)
Foto: Antoninho Perri