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Filósofo da USP ajuda a "puxar tapete do mundo"

[26/9/2004] "O ideal é que o intelecto se junte ao inteligível. Eis o limite do conhecimento", aponta o filósofo da Universidade de São Paulo (USP), José Arthur Giannotti, que participou hoje, na Unicamp, do VIII Encontro de Pesquisa em Graduação em Filosofia, organizado pelo Centro Acadêmico de Filosofia (Cafil) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.

Convidado para falar no primeiro dia do evento, que vai até o dia 1º de outubro, Giannoti iniciou sua palestra dizendo que atualmente a filosofia virou uma profissão. "É uma categoria que está prevista no Imposto de Renda", ironiza, para em seguida jogar uma água fria: "poucos serão profissionais da filosofia. Com a expansão dos estudos filosóficos, poderemos até mesmo perder o pé", adverte.

O mundo contemporâneo, constata Gianotti, colabora para que não existam filósofos. Eles amiúde passam a ser invocados modernamente na área de auto-ajuda. "Embora ache mesmo natural que a filosofia ajude muito a vida cotidiana", diz.

O filósofo, autor de diversas obras, entre as quais As Origens da Dialética do Trabalho, tece um discurso que percorre a base da filosofia sem adentrar, no entanto, a história da filosofia propriamente. Revela que a ciência filosófica nasce do "espanto!", tematizado por Platão. "É quando se 'puxa o tapete do mundo' e se procura saber o que está acontecendo", define.

Segundo Giannotti, a filosofia surgiu de uma disputa entre aqueles que pensavam que tudo era movimento e aqueles que pensavam o mundo somente pela visão lógica.

O professor percorreu a trajetória dos sofistas. Salientou Aristóteles, que afirmava que a vida buscava o princípio organizador (com sua lógica formal) e Kant, para quem a percepção humana passou a ser não tão neutra, contra o mito da neutralidade. "O ser não pode ser pensado como absoluto. Com a crise da metafísica, os alemães quase enlouquecem tentando resgatá-la a todo o custo", adverte.
(Isabel Gardenal)

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