[23/9/2004]
O primeiro curso público de física do estado de São Paulo foi implantado em 1963, em Rio Claro, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Unesp. Até hoje, apesar do reconhecimento das atividades exercidas pelos físicos e de estes profissionais merecerem destaque na ciência brasileira, não existe uma regulamentação da profissão. "Não existe um órgão que defina direitos ou deveres para o profissional da área", afirma o professor Homero Lavieri Martins, presidente da Associação Brasileira de Física Médica (ABFM).
Martins é um dos profissionais que integram a Comissão sobre a Regulamentação da profissão, formada pela Sociedade Brasileira de Física (SBF). Ao lado do professor da FFCL da USP de Ribeirão Preto, Amando Ito, presidente da SBF, ele esteve quinta-feira no auditório do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp para apresentar a profissionais, professores e alunos da Universidade a proposta de projeto de lei para profissionalização do físico no Brasil. A proposta é estimular a discussão do tema entre o maior número de profissionais.
A regulamentação, de acordo com Ito, permitirá a criação de um conselho e de normas para credenciamento e fiscalização da profissão. As conseqüências da regulamentação teriam efeito não apenas na garantia profissional, mas também para tornar conhecidas as atividades que o físico pode exercer.
A aprovação do projeto na Câmara dos Deputados poderia inserir um número muito maior de profissionais no mercado de trabalho, pois muitas vezes a oportunidade de trabalho é desperdiçada pela falta de um número de registro no conselho específico da área. "Às vezes, um profissional de outra área é selecionado por contar com um registro, mesmo que o físico seja tão bem-qualificado", explicam Martins e Ito.
(Maria Alice da Cruz)
Foto digital: Antoninho Perri