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Fármacos falam todas as línguas, diz Eliezer Barreiro

[23/9/2004] Eliezer Barreiro, da UFRJ: é preciso ter vontade política para aumentar a expectativa de vida da população [24/9/2004] "Grande parte dos fármacos hoje falam todas as línguas, menos a sua. Um exemplo está contido no teor das bulas de remédios. Apesar disso, felizmente, as políticas industriais do governo hoje acenam para a importância dos fármacos e medicamentos". A constatação, do pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eliezer Barreiro, integrou hoje a palestra "A química medicinal e a descoberta racional de fármacos", realizada no anfiteatro do Instituto de Química (IQ) da Unicamp em um dos colóquios organizados sistematicamente pelo Instituto do Milênio de Materiais Complexos (IMCC), iniciativa da qual fazem parte outros professores da Universidade.

Para o palestrante, a Academia tem que responder o desafio de democratizar a linguagem dos fármacos e medicamentos. Depois de diferenciar fármacos (que estuda os medicamentos e o seu uso) e medicamentos (substâncias empregadas para tratar ou prevenir doenças ou distúrbios funcionais), abordou a química medicinal. Definiu-a como o estudo dos aspectos relacionados à descoberta, invenção e planejamento de novos fármacos. A química medicinal, prossegue, estuda os fatores estruturais relacionados à absorção, distribuição, metabolismo, eliminação e toxicidade de novos compostos candidatos a fármacos.

Eliezer informou ainda que a química medicinal é uma promotora de saúde e de inovação. "Os países que investem em saúde preventiva têm um mercado interno bastante avantajado." Disse mais: muitas pessoas insinuam que medicamentos demoram muito para entrar no mercado, por volta de uns 20 anos. O imatinib, um anticâncer – inibidor de tirosina quinase, aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em 2001, levou nove anos para ser disponibilizado, exemplificou.

A longevidade da população, na visão de Eliezer, pode ser melhorada com o avanço dos fármacos e medicamentos, mas também com vontade política. "Ocupamos atualmente a 52ª colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados oficiais do IBGE do ano de 2002. De pronto, é preciso priorizar uma melhor distribuição de renda e combater a mortalidade infantil, o que por si já aumentaria a expectativa de vida. Nesse mesmo ano, a expectativa ao nascer era de 68 anos para os homens e de 74 anos para as mulheres", salienta Eliezer.

Coordenador do Instituto Virtual de Fármacos, Eliezer foi qualificado pelo professor do IQ, Oswaldo Luís Alves, "um caçador de fármacos". É um dos grandes nomes de referência na área de química medicinal.

O Instituto do Milênio congrega pesquisadores da Unicamp, UFRJ, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de Pernambuco. O Instituto, que desenvolve materiais complexos, mantém forte relação com o setor produtivo e tem, entre suas atividades, um programa de divulgação científica. "O intuito é repensar a química a partir da observação de novos paradigmas", pondera Oswaldo, coordenador dos colóquios do IMMC.
(Isabel Gardenal)
Foto digital: Neldo Cantanti

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