[15/3/2010] O Instituto de Economia (IE) da Unicamp, promoverá no próximo dia 29 de março, no Hotel Renaissance, em São Paulo, o Seminário Produção de Commodities e Desenvolvimento Econômico. O objetivo do evento, segundo o professor Fernando Sarti, um dos organizadores, é contribuir para qualificar o debate em torno da economia de commodities. “Do ponto de vista da academia, entendemos que essa questão merece uma reflexão mais aprofundada. Não podemos cair na armadilha de continuar discutindo o tema de forma maniqueísta, tratando um setor relevante ora como uma maravilha ora como um desastre para o Brasil”, afirma. O seminário será patrocinado pela mineradora Vale.
De acordo com Sarti, o evento será a primeira iniciativa dentro de um convênio firmado entre a Unicamp e a Vale. A parceria prevê outras ações, como o desenvolvimento de pesquisas científicas cooperadas. O docente do IE explica que o debate acerca da economia de commodities costuma ser muito polarizado no país. De um lado, estão os produtores, que colocam suas atividades no melhor dos mundos. Do outro, os críticos, que enxergam o setor como algo atrasado e incapaz de agregar valor aos produtos e de contribuir para a dinamização da economia em geral. “Nós da academia entendemos que essas posições estão muito ideologizadas de parte a parte. Por isso estamos promovendo o seminário, com a intenção de ampliar e qualificar a discussão”.
Desse modo, prossegue Sarti, estão sendo convidados para participar do evento representantes da academia, do setor produtivo e do governo. O docente do IE considera que a economia de commodities apresenta pelo menos seis dimensões que merecem maior reflexão por parte desses atores. A primeira, diz, está relacionada com a questão tecnológica. Ele lembra que o setor é muito heterogêneo. “Alguns segmentos empregam muita tecnologia, como o do petróleo. Outros, como o da mineração, nem tanto. O que é importante observar é que há uma grande oportunidade para o ampliar o domínio da tecnologia em várias frentes”, pondera.
A segunda dimensão tem a ver com a produtividade. Sarti destaca que os setores não podem continuar sedo pensados isoladamente. “É preciso olhar também para os encadeamentos dessa produção. A produção do agronegócio, por exemplo, demanda necessariamente ações de armazenamento e distribuição. Acreditamos que é importante que o país aproveite o boom dessas atividades para ampliar a infraestrutura e melhorar a economia como um todo”. O terceiro aspecto a ser pensado, conforme o docente do IE, é o financeiro. “É inegável a importância do setor de commodities para a nossa balança comercial, assim como no sentido de captar recursos lá fora para ações de internacionalização. É interessante refletir como isso pode contribuir para que outras empresas e grupos também possam ter acesso a esse tipo de capital”.
A quarta dimensão a ser debatida, segundo Sarti, é a empresarial. Algumas empresas brasileiras, lembra ele, são líderes internacionais em suas áreas de atuação. “Precisamos compreender melhor como a estrutura empresarial desses grupos está formatada e como ela pode ajudar outras empresas a estabelecerem suas estratégias de crescimento”. O quinto ponto de análise refere-se à sustentabilidade. O professor do IE avalia que esse tema permeia toda a atividade produtiva. “Além disso, é uma preocupação que também está na agenda da opinião pública. As empresas precisam mostrar o que estão fazendo para minimizar a agressão ao ambiente por conta de suas atividades”.
A última dimensão, afirma Sarti, tem a ver com a participação dos entes públicos, no caso o governo federal, no esforço para dinamizar a economia de commodities e, consequentemente, a economia de forma geral. “Essa questão não pode ser definida apenas pelo mercado, embora seja legítimo que cada setor busque o que entenda ser melhor para si. Penso que há espaço para uma atuação governamental nesse caso, principalmente via uma política industrial”. Para Célio Hiratuka, coordenador do Neit, “cabe ao governo coordenar essa questão, de modo que o crescimento da economia de commodities traga benefícios para todo o sistema econômico, bem como para a sociedade em geral”. De acordo com Sarti, os nomes dos participantes do seminário, bem como a forma de inscrição do público, ainda estão sendo definidos. Detalhes nesse sentido serão divulgados oportunamente no sítio do IE.