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Chegada dos calouros para a matrícula deixa a Unicamp mais colorida e rejuvenescida

Edição das imagens: 
Luís Paulo Silva

Mariana, Bárbara, Angélica e Antonia Paula na Faculdade de Ciências Médicas

[9/2/2010] A comunidade da Unicamp estava mais colorida e rejuvenescida na manhã desta terça-feira (9), dia da matrícula dos alunos aprovados em primeira chamada para preencher 3.320 vagas em 66 cursos de graduação. Na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), a bateria da Associação Atlética tocava a todo vapor, enquanto outros veteranos disputavam a adesão dos 'bixos' a diferentes modalidades esportivas. “Entrevistamos os calouros para saber qual é a habilidade deles e trazê-los aos treinos. A equipe da natação está tirando proveito do calor para convencê-los, enquanto falta gente no atletismo”, protestava Mariana Akinaga, presidente da Atlética, em tom de brincadeira.  

No fundo do auditório, Bárbara Ferrarezi, a filha de taxista e de dona de banca de frutas que passou em medicina nas três universidades paulistas, segurava a senha de número 37 para fazer a matrícula. A entrevista em que ela conta sua história, veiculada no Portal da Unicamp, tinha até então mais de 5.300 acessos. “Estou achando tudo muito legal, principalmente a recepção, a forma como todos estão recebendo a gente”.

Quem leu a entrevista foi a professora Angélica Maria Bicudo Zeferino, que coordena há sete anos o curso de graduação da FCM. “A Bárbara é uma batalhadora e, como ela, temos outros alunos. Devido à concorrência, sempre esperamos bons alunos, mas observamos que a cada ano aumenta o grupo com nível socioeconômico mais baixo. Isso não muda o desempenho, e sim as necessidades, diante dos problemas familiares”.

Antonios (pai e filho), Vivaldo, Flávio e Marcelo, na FEA; Dedini, na FEMA vice-coordenadora Antonia Paula Marques de Faria, que ministra aulas de genética e ética, concorda que vem se desfazendo a máxima de que “aluno de medicina é rico”. “Ainda não levantamos um percentual, mas vemos alunos que enfrentam dificuldades durante o curso, como por exemplo, quando solicitados a comprar um estetoscópio. Também vem crescendo a procura por bolsas de alimentação ou transporte, ou mesmo de iniciação científica – não por prioridade à pesquisa, mas para sobrevivência”. 

Questão de gênero
Na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde as mulheres representam 80% do quadro discente, formou-se uma roda de elogios ao calouro Antonio Carlos da Silva Neto, primeiro colocado no vestibular para o curso da Unicamp e também da Unesp, além de ter sido aprovado na USP. “Escolhi a FEA por ser o melhor curso da América Latina, um diferencial importante porque pretendo dar continuidade ao negócio da minha família: uma padaria”.  

Antonio Carlos, o pai, explica que a padaria é tradicional em Santo André, fundada há 55 anos e tocada pelos primos de sua esposa. “Estamos orgulhosos pelo primeiro lugar do meu filho, um fruto que está colhendo por sua dedicação aos estudos nesses anos todos. Nosso negócio é familiar e agora vai ser passado para outra geração. Espero que ele inspire os primos a participar da empreitada”.

A certa confusão que ainda se faz entre nutrição e engenharia de alimentos seria uma explicação para a predominância de mulheres na FEA, desconfiava o vice-diretor Vivaldo Silveira Junior. “Espero que os alunos que estão entrando tenham conhecimento da diferença e não se assustem, depois, quando tiverem que estudar cálculo e outras disciplinas próprias da engenharia. Formamos profissionais especializados na produção e conservação de alimentos – e não em dietas”.

O coordenador da graduação da FEA, professor Marcelo Alexandre Prado, afirma que a evasão é baixíssima a partir do segundo ano, em virtude da preocupação em explicar o campo de atuação do engenheiro de alimentos já no início do curso. “A verdade é que as mulheres têm sido bem sucedidas como engenheiras. Na elétrica e na mecânica da Unicamp, elas eram apenas 2% há alguns anos e hoje já chegam a 20%”. 

Esta informação é confirmada pelo professor Franco Dedini, que coordena a graduação da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM). Segundo ele, o índice de mulheres no curso varia de 10% a 20%, dependendo do ano. “A profissão mudou de perfil e já não é apenas chão de fábrica, tem menos graxa e mais inteligência, voltando-se ao desenvolvimento de produtos, inclusive com aplicação de designer”.

À espera da sua matrícula na FEM, Ana Luísa Manzaro da Costa justifica que escolheu  engenharia mecânica por causa do gosto pela física e matemática, e pelo objetivo futuro de fazer pós-graduação em aeronáutica. “O fato de não ter que mexer com graxa me agrada bastante”, disse, ao lado do pai, Jairo, que sendo engenheiro químico endossou totalmente a opção da filha.

Sem incidentes
Maria Teresa, do SAENo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, o funcionário da Unicamp Altamiro José da Silva, que monta exposições, roda filmes e faz de tudo um pouco na Casa do Lago, festejava a matrícula da filha, Mariana, no curso de ciências sociais. “Maravilha. É uma vaga que poucos conseguem, principalmente tendo estudado em escola pública. É uma bênção, coisa pra rico ou de pessoa inteligente”.

Mariana fez o primeiro grau na escola mantida pela própria Unicamp e o segundo grau em Hortolândia, onde mora. “Precisei estudar muito. A segunda fase do vestibular foi muito difícil e cansativa, ainda mais para mim, já que a escola pública não oferece tanta base. Foi meu primeiro vestibular e prestei só aqui. Deu tudo certo”.

A recepção aos calouros pelos veteranos ocorreu sem o menor incidente, segundo a professora Maria Teresa Moreira Rodrigues, coordenadora do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE), que disponibilizou um telefone para denúncias de trotes violentos. “Afora uma denúncia anônima, que não se confirmou, as ligações têm sido mais de funcionários da vigilância para tirar dúvidas. Quanto à pintura do corpo, é algo que os próprios alunos e pais pedem. Registramos uma procura importante apenas no plantão do serviço social, feita por alunos que vão requisitar algum tipo de auxílio da Universidade, como bolsas de trabalho, alimentação, transporte e moradia”.

Gostaria de parabenizar a

Gostaria de parabenizar a Instituição pela organização no dia da matrícula. Foi a primeira vez que estivemos na UNICAMP, e como pais, fomos muito bem recebidos pelos veteranos, em especial o pessoal da Atlética - muito educados e simpáticos. É gratificante ver atitudes assim, o que certamente motiva os novos alunos e familiares a também fazer diferença onde estão.

Rita/José Osmar Guerini- Bauru(SP)

Parabéns

Parabenizo à Instituição pela organização. Fui à Universidade pensando que teria de enfrentar longas filas... feliz... mas, certamente seria desgastante. Me enganei... tudo estava extremamente organizado e, principalmente, um calor humano indiscretível. Aproveito para parabenizar todos os calouros da Atlética da Medicina... quanta simpatia e hospitalidade. Momentos como esse guardamos em nosso coração para sempre... muito obrigada pelo respeito.
Sandra Abreu