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Unicamp incentiva inclusão social com Ciência e Arte nas Férias

Edição das imagens: 
Luís Paulo Silva

Marcos, Michelle e Larissa: relato das experiências

[5/2/2010] Em tempos em que se discute a acessibilidade e a inclusão social, a Unicamp propiciou a três alunos surdos a experiência de conhecer o ambiente da Universidade, através de atividades práticas. O programa Ciência e Arte nas Férias, organizado pela Pró-reitoria de Pesquisa, que terminou nesta sexta-feira (5), recebeu no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) e no Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) os alunos Marcos Vinicius Pereira de Arruda, Michelle Luchesi Alves da Silva e Larissa Cardoso Faria. Arruda participou do “Projeto e cidadania: vila na rede, uma rede social inclusiva”, orientado por Cecília Baranauskas. Michelle e Larissa compuseram o projeto “A integração de conhecimento de língua portuguesa através da Libras”, orientadas por Carmem Zink e Susy Lagazzi.

O Vila na Rede é um site que se insere no projeto e-Cidadania, que tem o objetivo de propor soluções para que todos tenham acesso à cultura digital e é coordenado pela professora Maria Cecília Baranauskas com a participação de pesquisadores de diferentes áreas da Unicamp.  Dentro desta proposta o Vila na Rede é uma rede social inclusiva que, durante o Ciência e Arte, foi enriquecida com conteúdo em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A inserção da Libras torna-se necessária porque a acessibilidade dos surdos não é garantida apenas com o texto escrito, como contou a mestranda Elaine Hayashi, pesquisadora do projeto “Eu tinha uma visão completamente diferente sobre como garantir a acessibilidade a eles”.

O projeto em que as alunas atuaram objetivou auxiliar alunos surdos a entender melhor a língua portuguesa a partir de conteúdos de história e com auxílio de imagens. “Os surdos escrevem na estrutura de libras e o português escrito fica muito longe dessa linguagem”, disse Juliana Barbosa Costa, pesquisadora do IEL, que participou do projeto. Já Arruda participou da produção audiovisual de conteúdos em Libras e até produziu um dicionário da língua.

Ronaldo Pilli: surpresaOs estudantes se reuniram na manhã desta sexta (5) com o pró-reitor de Pesquisa, Ronaldo Aloise Pilli, e com o coordenador do Programa Ciência e Arte, Mário Fernando de Góes. Os jovens que estudam na Escola Estadual Professor João Lourenço Rodrigues, no bairro Cambuí, em Campinas, contaram que não há intérprete de libras para os alunos do ensino médio e eles precisam da ajuda de colegas para resumir por escrito o que a professora disse. Pilli mostrou-se admirado pelo esforço dos alunos. “É surpreendente para mim que vocês consigam avançar nos estudos com tão pouco apoio. O mérito de vocês é ainda maior por conseguirem esse avanço e sonharem em ingressar na universidade e no mercado de trabalho”, declarou.

Marcos é filho de uma funcionária da creche da Unicamp e participa do programa pela segunda vez. “Fiquei admirado com as coisas que vi. Adorei as oficinas e a palestra de abertura”. Michelle contou que fez muitas perguntas aos pesquisadores “Sou muito curiosa. Gosto de saber tudo profundamente.” Já Larissa, que está no segundo ano do ensino médio, prometeu: “Venho no próximo ano e trago outros amigos surdos”.

Giovani e Francielle de volta ao programa como monitoresEx-participantes, hoje graduandos, tornam-se monitores do programa
Os alunos do segundo ano dos cursos de Tecnologia em Telecomunicações e Tecnologia em Saneamento Básico, oferecido pela Faculdade de Tecnologia em Limeira, respectivamente, Giovani de Souza Gomes e Francielle Fernandes, tinham uma história diferente para contar. Durante o ensino médio os dois participaram do Ciência e Arte e neste ano atuaram como monitores do programa. Gomes participou em 2007 e, em 2008, além de ter voltado à Unicamp para curtir mais o aprendizado do programa, também integrou o PIC Júnior. Francielle fez parte dos dois programas em 2008.

Gomes atuou em laboratórios do Instituto de Química e Francielle no Laboratório de Bioquímica de Alimentos, da Faculdade de Engenharia de Alimentos. “Já conhecíamos o programa. E agora vamos ter a visão dos dois lados, como monitores e como alunos”, enfatizou ela. De acordo com os graduandos, ter participado do projeto no ensino médio contribuiu para que voltassem a sua atenção à Unicamp.