[3/7/2007] A estréia mundial da obra "continuaMente", de autoria de Jônatas Manzolli, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (Nics) da Unicamp, acontece nos dias 17, 18 e 19 de agosto no auditório do Itaú Cultural, São Paulo, às 20 horas. Trata-se de obra encomendada pelo Itaú Cultural, em que Manzolli busca um sincretismo entre várias linguagens e interatividade. O espetáculo é construído por música interativa, que se move do ruído informacional à síntese sonora, do digital ao analógico, do low-fi ao high-fi. O autor trabalha com processos de significação construídos através da mistura, superposição e do adensamento de sons, integrando padrões rítmicos e matizes sonoros da percussão com a paisagem sonora do cotidiano.
O trabalho será interpretado pelo trio de percussão composto pelos músicos César Traldi, Cléber Campos e Daniele Cervetto, alunos de mestrado e doutorado do Instituto de Artes (IA) da Unicamp. Nessa nova composição, Manzolli trabalhou com o gesto cênico-musical e a tecnologia, que se entrelaçam em textos, imagens e sonoridades apresentadas em oito cenas compostas por trilha eletroacústica, percussão e eletrônicos.
O programa Rabisco, desenvolvido por pesquisadores do Nics, gera imagens que se transformam em ciclos mutantes no teclado de um piano robô. Os tom-tons, paus-de-chuva, chocalhos, pandeiros, luvas, tapetes e baquetas interativas, laptops e microcâmeras criam e recriam o contínuo sonoro. O som digital, uma discretização do som das ruas, do meio ambiente e dos transeuntes, é agrupado em conjuntos que estabelecem pontos de contato entre si. Alocado em segmentos, formam-se subconjuntos que criam novos sentidos, sensações e climas. O significado musical vem da semelhança das vizinhanças de cada cena sonora.
Manzolli convida o ouvinte para perceber as múltiplas sonoridades que preenchem o universo de cada dia: os segredos imersos no ruído ambiental semelhantes às vozes encobertas na complexidade da cidade, os descompassos dos sons que tornam pessoas insensíveis, transportando-as dos sussuros ao avião a jato, do murmúrio dos viajantes da paisagem sonora gerada pela síntese humana de transeuntes e da ambigüidade do som sintético e digital. São sons que descrevem passagens por cercanias que, muitas vezes, são ouvidas mas desconhecidas ou, que conhecidas, não permitem ser ouvidas.
(Da Redação)