[19/12/2006]
A Comissão de Controle e Combate à Dengue da Unicamp está adotando como uma de suas estratégias a intensificação da Campanha permanente, sobretudo neste verão. Trata-se de um programa da Universidade que iniciou em 2000, com vistas a evitar e eliminar os criadores, locais onde as larvas se desenvolvem. Preocupada com o recesso de fim-de-ano, a comissão da Unicamp acaba de encaminhar às unidades um ofício circular, com base na Portaria GR 84/01, orientando algumas medidas para minimizar a transmissão da dengue.
Segundo o seu coordenador, professor Edison Bueno, diretor-executivo do Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), o risco da dengue aumenta mais no período das chuvas, momento em que aconselha um rastreamento interno para eliminar pratos de xaxim, enfeites e recipientes que acumulem água; remover entulhos, pneus e lixo em geral; manter tampas nas caixas d' água; e limpar calhas e lajes, entre outras ações. "Caso não seja possível a limpeza neste período, é importante que isso ocorra tão logo a Unicamp retome suas atividades, no dia 2 de janeiro", destaca.
Edison Bueno conta que a Unicamp já tem feito um levantamento regular das armadilhas mostrando a presença do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. As armadilhas, feitas a partir de pneus cortados ao meio, com certo volume de água, estão espalhadas em pontos estratégicos do campus de Campinas, Limeira e Piracicaba. A intenção é detectar as larvas do mosquito, que se assemelha a um pernilongo. "As pessoas em geral são muito desatentas, sendo que a dengue ainda não está controlada, exigindo um controle mais rigoroso", comenta.
O diretor-executivo do Cecom revela que existe mesmo subnotificação dos casos, até porque o quadro de febre, que acomete os pacientes com dengue, também se manifesta em outras doenças, o que torna mais difícil a sua detecção pelo leigo. O médico informa que a notificação deve ser relatada aos serviços de saúde, e mesmo a sua suspeita. "Na Unicamp, estes casos devem ser levados ao Cecom e a outros serviços da área de saúde da Universidade", acrescenta. Também lembra que a dengue não tem vacina, ao contrário da febre amarela, transmitida pelo mesmo vetor. "No caso da dengue hemorrágica, ela pode ter uma evolução mais drástica. Daí a importância de se fazer o diagnóstico precoce", aconselha.
(Isabel Gardenal)
Foto: Neldo Cantanti