[26/9/2006]
A exposição "Dias estranhos vistos de perto", que foi aberta terça-feira (26) na Galeria de Arte da Unicamp e que vai até o dia 20 de outubro (de segunda a sexta-feira), das 9 às 17 horas, reúne num mesmo espaço artístico-cultural 12 artistas. Os trabalhos possuem em comum a arte e refletem os dias atuais. A exposição tem entrada franca. A curadora da mostra, Marta Strambi, relata que fez um alinhavo de poéticas pessoais. "Procuramos selecioná-las naturalmente, buscando similaridades nas diversidades", conta. "Vivemos dias estranhos, pois desejamos a normalidade e não a achamos. E mais: nós nos assustamos o tempo todo com o que acontece."
O termo "estranho", que intitula a exposição, traduz um sentido negativo, segundo Marta. "Mas queremos uma solução de alma e temos uma expectativa de mudança", diz. A exposição pretende provocar uma reflexão sobre o estado da arte. Um dos trabalhos de Marta, um braço de silicone, está no centro da exposição. Ele aparece com uma colher de metal incrustrada, acompanhando o movimento do braço com a mão. A colher está vazia e representa a fome. A artista plástica realiza ainda uma instalação com nuvens de silicone condensadas e mãos femininas tatuadas, com um pano-de-fundo vermelho, demonstrando que as coisas não vão bem.
José Antonio Luciano, artista carioca que vive em Amsterdam há 20 anos, usa hidrocor para dar luz a seus desenhos. Retrata prostitutas em diferentes situações, algumas agressivas e outras decadentes. Seus rostos são expressivos e, em geral, com sombras. Sheila Ortega vai até os presídios e lá encontra inspiração para desenhar seus interiores. Da Ilha Anchieta, próxima de Ubatuba, de particular beleza, é salientado o que sobrou dela - a ruína.
Mauricius Farina, também curador da exposição e professor do Instituto de Artes (IA) da Unicamp, trabalha com fotografias que têm relação com a apropriação de imagens da mídia impressa, recuperando sentidos ideológicos. Trata-se de uma metáfora da pintura com a fotografia. O artista colombiano Rodrigo Echeverri trabalha fotografias do nu e o revela por partes, confrontando o que é censurado.
Juliana Brecht dá sentido ao apagamento de imagens, à imaterialidade e à memória. Marcel Esperante retrocede à infância para contrastá-la com "o hoje" em suas gravuras e metais. Milena Travassos mostra o vídeo "Vertigem", em que trabalha um simbolismo delicado e a auto-representação como performance. Jurandir Müller e Kiko Goifman apresentam o videodocumentário "Aurora", um trabalho sobre as velhas prostitutas de São Paulo. Leandro Vieira e Mariana Meloni apresentam o "Brócolis Manifesto", defendendo o vídeo de porão. Trabalham com personagens de quadrinhos experimentais.
(Isabel Gardenal)
Fotos: Neldo Cantanti
Edição de imagens: André Luís Pedro