[11/5/2005]
"Meu pobre, meu computador, meu projeto." Assim o professor do Instituto de Pesquisas Sociais e Tecnológicas (IPSO), Carlos Seabra, vê vários dos projetos de inclusão digital desenvolvidos no Brasil e questiona: "Quem disse que computador é só para fazer curso de informática? A máquina tem de estar disponível para pessoa navegar, escrever poesia, letra de música, buscar informações". Na sua opinião, existe demagogia em determinados programas sociais que dizem que conhecimentos em informática aumentam a possibilidade de emprego. As críticas bem como os benefícios da era digital foram abordados por ele na palestra "Panorama Nacional da Inclusão Digital", no Fórum Permanente Conhecimento, Tecnologia da Informação, hoje na Biblioteca Central da Unicamp.
"As pessoas precisam aprender a usar o computador para dialogar com o próprio cérebro", disse. A inclusão digital, na observação de Seabra, está muito ligada à social, a partir que o desenvolvimento de novas tecnologias implica a perda de empregos e aumenta a exclusão digital. Na sua opinião, o ideal seria não parar de desenvolver tecnologia, mas reaproveitar em outras áreas os profissionais substituídos por máquinas.
Diante dessa nova realidade, o Ministério da Cultura efetivou um Programa de Cultura Digital. As propostas foram apresentadas no fórum pelo articulador de políticas digitais do ministério, Cláudio Prado, durante a palestra "Pontos de Cultura e Inclusão Digital". No momento, o ministério disponibiliza recursos para incrementar ONGs Sociais, oferecendo antenas de banda larga e kit de multimídia para possibilitar a criação de estúdios.
Na abertura do fórum, o pró-reitor de extensão da Unicamp, Mohamed Habib, lembrou que "a tecnologia da informação não chega à maioria da população mundial. Hoje, 90% dos computadores atendem apenas 10% da humanidade." Na sua opinião, as universidades precisam se envolver na "marcha do combate de todo tipo de exclusão, seja de conhecimento, social e econômica".
(Maria Alice da Cruz)
Fotos: Neldo Cantanti