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Historiadora avalia a mídia dos presbiterianos

[30/9/2003] 30 de setembro (atualizado 1/10) - Na mesa-redonda "Mídia e sociedade", do II Encontro de Pesquisa em Ciências Humanas, realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), a historiadora Karina Kosicki Belotti apresentou na última terça-feira (30) dados de sua pesquisa de mestrado sobre a mídia evangélica. Seu trabalho, que aborda a "Mídia presbiteriana no Brasil: 1976 a 2001", mostrou que os protestantes históricos (presbiterianos, luteranos, metodistas e batistas principalmente) utilizam a mídia para suas divulgações desde a década de 30.

O estudo (de caso) teve como objeto de análise a empresa Luz para o Caminho (LPC), com sede em Campinas. Karina avaliou as mensagens exibidas pela LPC na TV Fênix (canal fechado), voltadas sobretudo ao público protestante, e o livreto "Cada Dia", periódico mensal com pequenas mensagens bíblicas diárias, dentre outras fontes.

De acordo com os resultados, a mídia evangélica presbiteriana no Brasil, igreja que tem atualmente cerca de 500 mil membros, procura delimitar espaços no campo religioso, principalmente devido à multiplicidade de evangélicos que não seguem sua mesma linha. Os protestantes são grupos minoritários numa sociedade de cultura católica, constata Karina. "E, por serem minoria, enfrentam muitos preconceitos. Por isso, tentam preservar sua identidade religiosa, que difere da linha pentecostal e neopentecostal, também chamadas evangélicas. Eles parecem reivindicar sua herança protestante", destaca.

No trabalho, a pesquisadora esclarece as principais divisões doutrinárias entre as igrejas evangélicas e como a mídia é empregada para difundir suas mensagens. A autora conclui que a mídia para os presbiterianos ajuda a propagar a religião e educar a sociedade. "Mas as idéias e os valores morais defendidos por eles podem ser encontrados também em outros meios de comunicação evangélicos, e mesmo católicos". A Bíblia, prossegue Karina, vem da tradição oral e passa para a escrita. "Esta história pode ter uma mesma mensagem, mas em geral é apresentada de formas diferentes.

A pesquisadora, que agora inicia sua investigação de doutorado, informa que não segue nenhum credo religioso, mas que encontrou no preconceito religioso evangélico um terreno fértil para dar sua contribuição.
(Isabel Gardenal)