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A bela história da bela Bárbara

Bárbara aos dois anos e meio e hoje: quis desde sempre Medicina na Unicamp

[5/2/2010] Bárbara Ferrarezi passou grande parte da infância e adolescência na calçada da avenida Júlio de Mesquita, bem em frente ao Hospital Irmãos Penteado, onde seus pais adquiriram há 20 anos uma banca de doces, salgados e refrigerantes. A banca passou a ser cuidada pela mãe, Beatriz, quando o pai, João, tratou de reforçar a renda familiar em um ponto de taxi logo na esquina. “Não sei bem como nasceu essa vontade pela medicina. Nesse ambiente do hospital, sempre vi e convivi com muitos médicos, mas acho que a influência foi pequena”.

Bárbara foi aprovada nos vestibulares para os cursos de medicina das três universidades públicas paulistas – USP, Unicamp e Unesp – e da Famema (Faculdade de Medicina de Marília); ainda aguarda os resultados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Seria legal passar também nessas duas universidades e ficar com a autoestima mais elevada”, brincou, corada com a ponta de atrevimento que não condiz com sua timidez. 

A opção de Bárbara será por permanecer em Campinas, quando muitos tenderiam pela USP. “Sempre morei aqui e não quero dar outra preocupação e mais gastos aos meus pais indo para outra cidade. E também porque vou cursar uma das melhores faculdades de medicina do país. Desde sempre, quis a Unicamp”. 

Uma foto com roupa e maleta de médica, com pouco mais de 2 anos de idade, comprova que o desejo vem de infância. Beatriz Ferrarezi, ao falar sobre a conquista da filha, respira fundo e põe a mão no peito. “Estamos vivendo uma alegria enorme. Era um sonho da Bárbara, que sempre se via como médica da Unicamp, e um sonho meu, de mantê-la debaixo das minhas asas. Sou mãe coruja e poderei continuar dando a ela todo o cuidado e infraestrutura de que precisa”.

beatriz e Bárbara: vida construída na calçada da Júlio de MesquitaSegundo Beatriz, assegurar uma boa educação para as duas filhas não foi empreitada fácil, mas tudo se deu de forma muito planejada. Ela e João eram ainda solteiros quando adquiriram a banca; casados, vieram Bárbara e depois Bruna, e Beatriz levava as crianças para cobrir o horário de almoço de João na banca. “Somos sozinhos em Campinas, não tínhamos com quem deixá-las”.

Até se livrarem do aluguel, mantiveram as meninas em escola pública. “Fomos montando a base para oferecer um bom colegial. Um ano depois de comprarmos nossa casa, já havia condições de a Bárbara ir para uma escola particular”.

No primeiro ano, o Colégio Integral – que fica na esquina oposta ao ponto de táxi de João Ferrarezi – não concedeu bolsas. Entretanto, nos últimos anos do segundo grau, bem como no cursinho preparatório para o vestibular, Bárbara assegurou bolsas por mérito. “Não digo que foi fácil, tive que ralar bastante, como todos que prestam vestibular para medicina”.

Bárbara, que é muito bonita, não teve como pensar em namoros ultimamente e desconfia que o tempo vai continuar curto para isso. “No último ano, o coitado me veria só uma vez por mês. Daqui pra frente, vai ficar cada vez mais difícil e terei de estudar muito, mas é o que sempre quis fazer. Pensei em várias especialidades, como neurociências, mas só descobrirei mais tarde o que realmente quero”.

Beatriz, a mãe coruja, avisa que a outra filha, Bruna, já conseguiu bolsa na mesma escola e também quer medicina. “Quem sabe, daqui a três anos vocês estarão de volta para nos entrevistar”.

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