[15/3/2010] As cerca de 60 pessoas que assistiram ao seminário "Novas aplicações do sequenciamento de DNA e perspectivas da bioinformática", apresentado na manhã da sexta-feira (12) pelo biólogo francês François Artiguenave, saíram do auditório da Agência para a Formação Profissional da Unicamp (AFPU) duplamente impressionadas. Chamou a atenção, em primeiro lugar, o português fluente do palestrante, que já passou três anos em Belo Horizonte (MG) como pesquisador visitante da Fundação Oswaldo Cruz. O outro motivo de surpresa foi a quantidade de novas informações transmitidas à plateia. "O seminário nos permitiu uma atualização em relação às novas tecnologias empregadas para sequenciamento de DNA e estudos da estrutura protéica", comentou a professora Maria de Fátima Sonati, do Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, que acompanhou a apresentação ao lado de docentes e alunos de graduação e pós-graduação de várias unidades da Universidade.
Doutor em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Paris V (França), Artiguenave dirige desde junho de 2006 o Laboratório de Bioinformática do Genoscope – Centre National de Séquençage, instituto de pesquisa criado em 1997 e incorporado dez anos mais tarde à agência francesa de energia atômica (Commissariat à l'Énergie Atomique – CEA). Ele foi convidado pela Reitoria a vir conhecer a Unicamp depois que a Diretoria da FCM manifestou interesse por seu currículo, encaminhado em resposta aos anúncios publicados pela Universidade nas revistas Science e Nature no final do ano passado. "A atual administração está muito preocupada em atrair pesquisadores com experiência internacional, especialmente em áreas estratégicas como a bioinformática", explicou o professor Ronaldo Aloise Pilli, pró-reitor de Pesquisa, também presente ao seminário.
A apresentação de Artiguenave no Auditório da AFPU durou aproximadamente uma hora e meia e tratou de dois assuntos: das atividades do Genoscope, onde trabalham 150 pesquisadores — 20 deles no Laboratório de Bioinformática —; e de estudos estruturais de proteínas com ênfase em seu processo evolutivo.
Em relação ao Genoscope, Artiguenave destacou o fato de o instituto ter optado por envolver-se em projetos de sequenciamento nas áreas de meio ambiente e biodiversidade para evitar a forte competição com os Estados Unidos na área do genoma humano. Um dos projetos em andamento é o do sequenciamento do genoma da uva — produto de extrema importância para os franceses.
Segundo o palestrante, o constante e veloz aprimoramento da tecnologia de sequenciamento permitiu ao instituto saltar de 6 milhões de leituras de bases de DNA por ano em 2005 para mais de 200 milhões de leituras em 2009. "Daqui a três ou quatro anos, o genoma humano poderá ser sequenciado em 15 minutos", estimou Artiguenave.
Terminado o seminário, Ronaldo Pilli informou aos alunos presentes que o Genoscope tem vagas abertas para pós-doutorado. Para mais informações, consulte o site do instituto (em francês, inglês e espanhol).