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Cabrera, chileno e professor do Instituto de Física, pede ajuda a seu país

Edição das imagens: 
Everaldo Silva
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[12/3/2010] Entre os mais de 40 chilenos que trabalham ou estudam na Unicamp está Guilhermo Gerardo Cabrera Oyarzun, professor titular do Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW). Desde 1975 na Universidade, ele viveu momentos de preocupação com o terremoto que abalou seu país em 27 de fevereiro. Seus irmãos e parentes de segundo grau ainda residem em Santiago e a população do país precisa de ajuda.

Cabrera, que atua com antiferromagnetismo quântico, cadeias de spins, sistemas correlacionados, cuprados supercondutores e transporte quântico, está preocupado em ajudar as pessoas de seus país que necessitam de ajuda. Para isso indica uma ação que a Embaixada do Chile no Brasil desenvolve no momento, com a abertura de uma conta bancária para esta finalidade. As doações (no Brasil) devem ser encaminhadas para Embaixada da República do Chile, Banco 399 – HSBC Bank Brasil S.A – Banco Múltiplo. Conta: 00618-00. Agência: 1276. CNPJ: 03.793.074/0001-10. Além da conta para depósitos, é possível cooperar utilizando cartões de crédito internacionais.

O Portal da Unicamp conversou com Cabrera sobre a situação em seu país. Acompanhe:

Portal da Unicamp -
Onde o sr. estava e como soube da notícia?
Guilhermo Gerardo Cabrera Oyarzun - Eu estava na minha residência. Às 6 horas da manhã recebi ligações telefônicas de parentes que moram no exterior (fora do Chile) e já sabiam da notícia. Procurei informação via Internet e através da TV cabo. As linhas telefônicas no Chile não funcionavam. Consegui sintonizar a rádioemissora Magallanes através da Internet. As notícias eram desastrosas.

Portal -
Qual foi a sensação de ver o Chile na situação?
Cabrera – Nós chilenos temos uma “cultura sísmica” bastante desenvolvida e temos vivido situações similares no passado. A diferença é que hoje a mídia funciona a grande velocidade e transmite muita informação impactante rapidamente. A primeira sensação foi de solidariedade para com as vítimas e assombro pela magnitude do fenômeno (um mega-terremoto de 8.8 graus).

Portal - 
Já vivenciou algo semelhante?
Cabrera – Sim, vivenciei o grande terremoto de maio de 1960. Eu era criança, mas ainda guardo a lembrança da impressão que me causou o evento. Esse terremoto é o de maior intensidade registrado na história e ele mudou a geografia chilena. Povoados e ilhas sumiram do mapa. O tsunami devastou uma extensa região do Chile. O terremoto de 1960 é mencionado no famoso livro de Física elementar de  Richard Feynman, “Lectures on Physics”, porque a onda sísmica foi tão intensa que deu várias vezes a volta no globo terrestre, permitindo acuradas medições para determinar a estrutura interna do planeta (o que foi uma desgraça para os chilenos, acabou sendo uma “festa” para os cientistas). Nessa ocasião, a cidade mais atingida foi Valdivia.

Portal -
Quer deixar algum recado?
Cabrera – Sim. É necessário aprender com as desgraças. No caso dos chilenos, aconteceram falhas em como monitorar situações emergenciais. O país deve aprimorar sua cultura para tratar catástrofes desse tipo, organizando uma defesa civil eficiente. Esse tema pode ser levado às escolas e discutido nas comunidades. É também importante ter políticas transparentes de urbanização. No Chile deverá haver um controle mais rígido da construção civil. No Brasil, não temos terremotos, mas os mesmos princípios de prevenção se aplicam, por exemplo, a como tratar as enchentes. As universidades têm que servir de foros importantes nessa discussão.