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LatinHear visa unir estudos sobre a audição

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Everaldo Silva

[11/12/2009] A surdez em geral atinge, mundialmente, uma em cada mil crianças, sendo 50% por causas genéticas; no Brasil, onde ainda há prevalência de causas ambientais como rubéola e meningite, a incidência é estimada entre 2 e 7 casos por mil. Visando o aumento da massa crítica e a excelência nas pesquisas sobre os aspectos genéticos da audição na América Latina, foi lançado na Unicamp o consórcio LatinHear – inspirado no projeto precursor denominado EuroHear, concluído em novembro, depois de cinco anos de estudos que repercutiram nas principais publicações científicas internacionais.  

Edi Sartorato, coordenadora geral do LatinHear: “Intercâmbio poderá gerar bases e ferramentas para diagnósticos e novas terapiasO LatinHear foi anunciado durante o 1º Simpósio de Estudos Avançados em Audição, realizado nesses dias 11 e 12 na Faculdade de Ciências Médicas. “Nossa população é muito particular, devido à própria miscigenação. Podemos contribuir com achados diferentes e importantes”, afirmou a professora Edi Lúcia Sartorato, diretora adjunta do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CEBMEG) da Unicamp e coordenadora geral do novo consórcio.

Segundo a docente, no auditório lotado estavam médicos, geneticistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e estudantes, comprovando o caráter multidisciplinar do evento. “O diferencial desse simpósio está na consolidação do nosso consórcio e na presença de Karen Avraham, vice-coordenadora do EuroHear, além de outros convidados de renome do exterior. Vieram muitos profissionais interessados nos estudos avançados em audição”.

Edi Sartorato informou que o LatinHear é uma iniciativa do Laboratório de Genética Molecular do CBMEG, da Disciplina de Otorrinolaringologia da FCM e da Associação Terapêutica de Estimulação Auditiva e Linguagem (Ateal), já contando com a adesão de grupos de pesquisadores da Universidade de Fortaleza e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Teremos uma assembleia para buscar novas adesões. Sabemos do interesse de grupos da USP e, no âmbito da América Latina, da Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela”. 

O consórcio incentivará projetos com finalidades em comum e, de acordo com a coordenadora geral, que foquem principalmente os aspectos fisiológicos e moleculares dos mecanismos da audição. “O intercâmbio de novos grupos de pesquisa poderá gerar bases e ferramentas para diagnósticos e novas terapias, além de promover políticas públicas nessa área de conhecimento”.

Entretanto, mais que promover o intercâmbio de informações por meio de projetos colaborativos, o LatinHear pretende atuar na formação de alunos de pós-graduação em áreas afins e na promoção de cursos, simpósios e congressos no sentido de estimular o aprendizado e a colaboração científica para o desenvolvimento de pesquisas de ponta. “Se o EuroHear foi financiado pela Comunidade Europeia, nosso desafio é buscar recursos para alcançar todas essas metas. Estamos iniciando contatos com o governo federal e a Fapesp”.  

A experiência do EuroHear
Na abertura do simpósio, Edi Sartorato salientou que as pesquisas do EuroHear, formado por 25 laboratórios europeus, permitiram um rápido avanço no conhecimento dos mecanismos da audição. “Em 1994, Christine Petit [coordenadora do consórcio] e colaboradores puderam mapear o primeiro lócus relacionado à surdez sindrômica numa família numerosa da Tunísia, que apresentava consanguinidade entre seus membros. As descobertas genéticas refletiram rapidamente na área clínica e principalmente na melhor compreensão dos mecanismos intrínsecos envolvidos no sistema auditivo”.

Karen Avraham, vice-coordenadora do EuroHear: “Descoberta mais recente foi do microRNA que leva a perda auditiva”Karen Avraham, vice-coordenadora do EuroHear e professora da Universidade de Tel Aviv (Israel), é considerada uma das mais eminentes pesquisadoras na área da genética do surdez. Em sua palestra, explicou que, dentre as inúmeras causas da perda auditiva, o interesse do consórcio esteve naquelas de origem genética, com mutação primária ou genes suscetíveis. “Uma das dificuldades em identificar esses genes – e talvez, por isso, estejamos atrás em relação a outros campos da saúde – é a enorme geneticidade na perda auditiva”. 

Em relação à perda sindrômica, Karen Avraham explicou que 400 síndromes foram descritas no passar dos anos. “Ela é responsável por 70% da perda auditiva genética e pode ser de 80% (ou ainda maior) em regiões onde as famílias apresentam alta taxa de consanguinidade, como na Tunísia, Oriente Médio, Índia e em pequenas populações isoladas, mesmo nos Estados Unidos ou Canadá. Mais de 100 genes foram identificados e 40 deles, isolados. A descoberta mais recente foi do microRNA que leva a perda auditiva”. 

Sequenciando genoma do paciente
Fernando Costa, reitor da Unicamp: a caminho do sequenciamento individual de pacientes, como já é feito nos EUA O reitor da Unicamp Fernando Costa, que voltara do Congresso da Associação Americana de Hematologia, revelou ao recepcionar o público que sua administração, até o próximo ano, espera finalizar um grande laboratório de uso múltiplo, onde será feito sequenciamento em larga escala. “É uma questão de tempo e de redução do custo que todo doente tenha seu próprio genoma sequenciado integralmente. Isso já é feito em alguns centros americanos, por exemplo, em casos de leucemia mielóide aguda. O sequenciamento individual pode ser possível em nossa instituição num curto período de tempo”.