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Unicamp introduz mudanças no seu vestibular

Edição das imagens: 
Luís Paulo Silva e Rádio e Televisão Unicamp (RTV)

Renato Pedrosa: Coordenador da Comvest

[4/12/2009] A Unicamp fará mudanças em seu Vestibular Nacional com o objetivo de promover a atualização acadêmica e programática e aprimorar a seletividade do certame. As alterações, que valerão para o próximo exame, voltado aos ingressantes de 2011, incluem a substituição das questões dissertativas pelas de múltipla escolha e a ampliação de um para três textos referentes à redação, provas que constituem a primeira fase. Na segunda fase, os candidatos responderão a 24 questões dissertativas em cada um dos três dias, relativas a três áreas do conhecimento: Matemática (12) e Língua Portuguesa e Literatura (12), Ciências da Natureza (8 de Física, 8 de Química e 8 de Ciências Biológicas) e Ciências Humanas e Artes (pelo menos 8 de História e 8 de Geografia, 6 de Língua Inglesa e até 2 entre Filosofia, Sociologia e Artes). “Estamos convencidos de que essas modificações aprimorarão o nosso processo de seleção, cuja qualidade sempre foi muito elevada”, afirma o coordenador da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), Renato Pedrosa. [VÍDEO]

Veja detalhes das mudanças na página da Comvest

De acordo com ele, a revisão do vestibular vinha sendo discutida pelo menos desde 2005, dentro de um processo permanente de avaliação instituído pela Universidade. Há questão de um ano, porém, as propostas começaram a evoluir. Até a aprovação por unanimidade, na quinta-feira, pela Câmara Deliberativa do Vestibular, instância responsável por esse tipo de medida, as sugestões de modificações foram exaustivamente analisadas e submetidas a um amplo debate nas unidades de ensino e pesquisa da instituição. Os dois principais pontos motivadores da revisão do certame, assinala Pedrosa, foram a necessidade de promover a atualização acadêmica e programática e de aprimorar a seletividade do exame, notadamente na primeira fase. Em relação ao primeiro aspecto, o coordenador da Comvest explica que o Vestibular da Unicamp foi formulado originalmente em uma época em que o ensino médio era dividido em disciplinas tradicionais como matemática, física, química e história, entre outras. Estas, segundo Pedrosa, constituíam a estrutura das duas fases do exame.

Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação e com o advento das novas orientações dos parâmetros curriculares, nos âmbitos estaduais e federal, ocorreu a reestruturação da educação básica. Como consequência, foram definidas três grandes áreas do conhecimento, assim divididas: Linguagem e Códigos, Ciências da Natureza e Ciências Humanas e Artes. “Havia a necessidade de adequar o Vestibular da Unicamp a essa nova realidade. Além disso, nós já vínhamos discutindo a necessidade de introduzir mudanças que pudessem estimular a integração do conhecimento e a busca pela interdisciplinaridade, metas originais do nosso exame”, justifica o coordenador da Comvest. O segundo fator motivador da revisão, diz, foi a constatação de que seria preciso aperfeiçoar a seletividade do certame.

Pedrosa observa que a Universidade havia adotado algumas providências nesse sentido anteriormente, principalmente em razão do crescimento significativo do número de candidatos ao longo dos anos. “Inicialmente, todos os vestibulandos que auferiam 50% dos pontos eram automaticamente classificados para a segunda fase. Esse critério foi abandonado em 1998, pois ele nos criava um problema de logística, visto que, com a ampliação do contingente de candidatos a cada ano, nós éramos obrigados a corrigir cada vez mais provas. Assim, nós limitamos os aprovados para a segunda fase em 25 candidatos por vaga, o que na prática atingia dois ou três cursos. Depois, reduzimos ainda mais esse número, estabelecendo um teto de oito candidatos por vaga. Ainda assim, tínhamos claro que era indispensável avançar em relação ao aperfeiçoamento do modelo”, relata.

“Tendo em vista as análises conduzidas por uma comissão designada pela Câmara Deliberativa da Comvest, atualizada duas vezes ao longo dos últimos quatro anos, a Universidade chegou finalmente a uma proposta de revisão do vestibular que contemplasse os objetivos estabelecidos. Conforme Pedrosa, os estudos indicaram a necessidade de se ampliar a primeira fase. Assim, decidiu-se por aumentar o número e a abrangência das questões e alterar o modelo de redação, que agora passará a ser composta por três textos, em diferentes gêneros. “Os vestibulandos terão cinco em vez de quatro horas para fazer a prova, com pelo menos 50 minutos para cada texto e 3 minutos para cada questão. Essas alterações somente seriam possíveis se adotássemos o formato de múltipla escolha, o que acabou sendo aprovado pela Câmara Deliberativa. Do contrário, seríamos obrigados a realizar a primeira fase em dois dias distintos, alternativa que não seria boa nem para os candidatos e nem para a Universidade”, esclarece Pedrosa.

Sobre a adoção das questões de múltipla escolha, o coordenador da Comvest assegura que o modelo não trará, como alguns podem pensar a princípio, qualquer prejuízo à avaliação dos concorrentes a uma vaga na Unicamp. “Ao contrário, dentro da proposta que formulamos, a alteração ajudará a aperfeiçoar a seleção”. De acordo com ele, do ponto de vista da análise do conhecimento e dos aspectos cognitivos demonstrados pelos vestibulandos, as questões dissertativas e de múltipla escolha se aproximam muito em termos de eficácia. “Há uma particular habilidade, que é a da escrita, que obviamente deixa de ser considerada numa prova de múltipla escolha. Entretanto, esse tipo de avaliação será feita, de maneira ainda mais efetiva, por meio da redação, que exigirá do candidato excelente domínio da língua portuguesa e elevada habilidade para formular argumentos e concatenar ideias”, pondera.

Ainda em relação à adoção do modelo de múltipla escolha, Pedrosa argumenta que, graças à ampliação do número de questões, será possível alargar a abrangência dos temas abordados e promover a interação entre as três grandes áreas do conhecimento, o que certamente permitirá uma avaliação mais aprofundada das competências dos vestibulandos. O coordenador do Vestibular da Unicamp descarta a possibilidade de o “exame de cruzinhas”, como é popularmente chamado, dar maiores chances aos candidatos com grande “desenvoltura” para o chute. Segundo ele, a qualidade das questões não está associada diretamente ao formato da prova. O dirigente da Comvest reforça que está comprovado que exames de múltipla escolha, desde que bem formulados, podem atingir o mesmo objetivo dos dissertativos. “O estudante que não estiver bem preparado continuará tendo dificuldades para passar à fase seguinte. Mesmo assim, na hipótese de o candidato promover uma loteria e se dar bem, ele dificilmente obterá aprovação na segunda etapa do exame, que exigirá dele mais do que ‘sorte’”, prevê.

Sobre esse aspecto, Pedrosa tranquiliza os aspirantes a uma vaga na Unicamp. Ele considera que as mudanças não tornarão o vestibular mais difícil e nem exigirá uma preparação diferenciada por parte dos candidatos. “De maneira geral, o estudante que teve um bom desempenho no ensino médio continuará tendo boas chances de ser aprovado”. Ainda em relação às novidades que serão introduzidas no certame de 2011, o coordenador da Comvest destaca que as disciplinas – e consequentemente as áreas - passarão a ter peso diferente do atual na nota final, desconsiderado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e as provas prioritárias. Nessa condição, o peso da redação, por exemplo, passa de 10% para 12,5%, o mesmo ocorrendo com Língua Portuguesa e Literatura. Já o peso da Matemática subirá de 11,7% para 15,6%. “Essas mudanças demonstram que o Vestibular da Unicamp valorizará ainda mais habilidades como a leitura, o domínio da escrita e a capacidade analítica dos vestibulandos”, resume Pedrosa.

No que toca ao Enem, antecipa o coordenador da Comvest, o resultado do exame será usado da mesma forma como ocorre atualmente, ou seja, 20% na primeira fase. A tendência, de acordo com ele, é que a utilização desse indicador seja obrigatória para todas as instituições de ensino superior. A decisão final deverá sair em janeiro próximo. “A prova do Enem tem boa qualidade seletiva. São 180 itens de todas as áreas do conhecimento, que permitem uma boa comparabilidade nacional. Quanto mais se avalia com boa qualidade, melhor o resultado”, considera Pedrosa.

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COMO ESTÁ

PROPOSTA

1ª FASE

DURAÇÃO

  • 1 dia
  • 4 horas
  • 1 dia
  • 5 horas

QUESTÕES

12 questões dissertativas

48 questões de múltipla escolha

REDAÇÃO

  • 3 propostas (carta, dissertação e narrativa) para escolha de uma a ser desenvolvida
  • Coletânea de textos a serem usados na proposta escolhida
  • Candidato produzirá 3 textos de gêneros  diversos
  • Haverá pelo menos um texto-fonte para cada texto a ser produzido

ENEM

20% da nota da primeira fase, uso opcional

20% da nota da primeira fase, obrigatório a todos os candidatos

CLASSIFICAÇÃO PARA 2ª FASE

  • Mínimo de 3, máximo de 8 candidatos por vaga em  cada curso, com corte em  50% da nota da primeira fase
  • Não muda

2ª FASE

DURAÇÃO

  • 4 dias consecutivos
  • 4 horas de prova em cada dia
  • 3 dias consecutivos
  • 4 horas de prova em cada dia

PROVAS

12 questões dissertativas de cada disciplina, totalizando 24 questões por dia:

  • Língua Portuguesa/Literaturas de LP + Ciências Biológicas
  • Química + História
  • Física + Geografia
  • Matemática + Inglês

24 questões dissertativas a cada dia:

  • 12 Língua Portuguesa/Literaturas LP + 12 Matemática
  • 24 Ciências da Natureza (8 Física + 8 Química + 8 Ciências Biológicas)
  • 18 Ciências Humanas/etc. (pelo menos 8 História e 8 Geografia e até 2 entre Filosofia, Sociologia e Artes) +  6 Língua Inglesa

APTIDÃO

Provas que avaliam habilidades específicas. Obrigatórias para candidatos de: Artes, Arquitetura e Urbanismo

Não muda, passa a ser denominada Prova de Habilidades Específicas

PRIORITÁRIAS

Até duas provas da segunda fase com pesos 1 ou 2, exceto Aptidão (peso fixo 2)

Até duas provas, com pesos

  • 1, 2 ou 3: Provas de Língua Portuguesa/Literaturas LP ou de Matemática
  • 2, 3 ou 4: Provas de Primeira Fase, de Ciências Humanas/etc., de Ciências da Natureza ou de Habilidades Específicas

OPÇÕES POR CURSOS

Até duas, em qualquer curso, exceto aqueles que exigem Prova de Aptidão, que não podem ser segunda opção

Não muda

NOTA FINAL E CLASSIFICAÇÃO

Média ponderada das notas padronizadas, segundo as opções, cada curso estabelece as notas mínimas nas provas prioritárias para manter a preferência para 1ª opção na classificação

Não muda

NÚMERO DE QUESTÕES

108 questões dissertativas + 1 texto de redação

120 questões (72 dissertativas + 48 múltipla escolha) + 3 textos de redação

 

[VÍDEO] - Edgar de Decca