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Recuperação da economia mundial segue tímida, afirma Otaviano Canuto

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Everaldo Silva

Otaviano Canuto: economias avançadas e emergentes respondem de modo diferente aos desafios impostos pela recente crise

[19/11/2009] A economia mundial vem dando sinais de recuperação frente à recente crise, mas essa retomada ainda é tímida. A análise é do economista Otaviano Canuto, vice-presidente de Desenvolvimento Econômico e de Gestão do Banco Mundial. Em razão desse quadro, segundo ele, ainda existem elevados riscos de que o mundo passe por novos momentos de tensão. Canuto, que foi professor da Unicamp, esteve nesta quinta-feira (19) na Universidade para participar do seminário Economia Pós-crise: Continuidade e Reestruturação, promovido pelo Instituto de Economia (IE).

De acordo com o executivo do Banco Mundial, as economias avançadas e as emergentes têm respondido de forma diferente aos desafios impostos pela crise. Estas, diz, têm apresentado melhor desempenho em relação àquelas. “As economias emergentes, sobretudo as mais vigorosas, entraram depois e estão saindo antes da crise. Pelo que podemos observar, tendo como referência os dados dos últimos anos, a tendência é que as emergentes continuem apresentando taxas de crescimento superiores às das avançadas no futuro próximo”, considera.

Na visão de Canuto, a economia mundial precisará transpor alguns obstáculos para que possa voltar à “normalidade”. Um deles é estabelecer o que classificou de rebalanceamento entre Estados Unidos e China. Outro é definir novos eixos de expansão do consumo fora da zona dos países desenvolvidos. “A China tem uma importância muito grande nesse jogo, mas não pode ser encarada como a única solução. Precisamos encontrar outros pontos de expansão da demanda, principalmente para substituir o consumidor norte-americano, que está exaurido na sua capacidade”, defende.

No que toca ao Brasil, Canuto pensa que o país pode aproveitar o momento atual para gerar novas oportunidades no cenário mundial. Conforme o economista, a economia brasileira encontra-se numa posição favorável em comparação com a da maioria das nações. “O país enfrentou uma situação de estresse muito dura, e saiu-se muito bem. A resposta positiva do Brasil está relacionada à lição de casa que fez tanto no plano fiscal quanto em termos de redução das vulnerabilidades externas. O fato de a economia estar bem nas áreas fiscal e de balança de pagamentos possibilitou essa resposta favorável e está abrindo boas perspectivas em relação ao crescimento do mercado brasileiro”, avalia.

Mariano LaplanePara o professor Mariano Laplane, diretor do IE, os momentos de crise são espetaculares do ponto de vista da formação do economista. “É uma época em que o senso comum e o consenso desaparecem, o que possibilita novos aprendizados. Quando demos início ao ciclo de seminários, no começo deste ano, nossa proposta era criar um espaço para pensar e desfazer certezas. Nas três edições realizadas, nós tratamos das origens e possíveis desdobramentos da crise, do seu impacto social e da perspectiva do financiamento. Em março de 2010, com a retomada das atividades, vamos discutir a questão do gasto público. Penso que o IE vem cumprindo o papel de trazer profissionais atualizados e criativos para refletir sobre temas tão importantes para a sociedade e para a formação dos economistas”.