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Eneds reúne estudantes por uma proposta de engenharia social

Edição das imagens: 
Luís Paulo Silva

Flávio Chedid

[17/9/2009] “Que contribuição vocês, futuros engenheiros, querem dar à sociedade por meio de seu trabalho?” Esta é a reflexão motivada pelo 6º Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social (Eneds), segundo Ricardo Righeto, representante do Centro Acadêmico Bernardo Sayão (Cabs), da Propeq (empresa júnior da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp) e do Mercado de Trabalho (MTE) na mesa de abertura do evento, nesta quinta-feira, no Centro de Convenções da Unicamp. O encontro, que até a quinta edição aconteceu na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem como diferencial a organização exclusiva de estudantes. “Trata-se de uma programação feita por alunos para toda a comunidade e, principalmente, a estudantes de engenharia”, explica Righeto. Rekats de experiência e extensão, tecnologias sociais, teoria e prática da economia solidária, uso do espaço e formação em engenharia estão entre os temas que norteiam as atividades que se encerram nesta sexta-feira (18).

O Eneds tem mudado o destino de muitos estudantes de engenharia, que até pouco tempo não tinham um currículo voltado para a atuação social e política, de acordo com o representante da Soltec da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Flávio Chedid. “O Eneds causa uma inquietação em relação à formação. Saí de um curso de engenharia de produção, em 2004, com a sensação de que tudo o que aprendi não tinha a ver com minha ideia de mundo. Não tinha disciplina de história, não tinha filosofia. Quando conheci o Soltec, encontrei muitas atuações que não recebi na graduação, como a engenharia para a educação ou engenharia para trabalhadores informais. Por que em cinco anos não ouvi falar nisso?”, questionou. “É preciso que os estudantes tenham consciência de sua opção política. É importante que não se faça política nos momentos vagos, mas que na atuação as questões sociais estejam presentes”, acrescentou.

Chedid, Costa, Bacic, Habib, Ricardo Silveira (ITCP) e Righeto“Na opinião de Chedid, a Unicamp é uma sede importante para a realização do Eneds, por ser uma instituição na qual já se desenvolvem projetos relevantes na aplicação social das atividades de engenharia. De acordo com o diretor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec), Max Henrique Machado da Costa, a Universidade desenvolve diversos projetos de empreendedorismo social em parceria com a Agência de Inovação Inova Unicamp, o que motiva os estudantes a se envolverem em projetos de responsabilidade social em sua área. “Temos projetos principalmente na área de energia e informação”, informou o diretor.

O pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários (Preac), Mohamed Habib, disse que o Eneds acontece num momento oportuno, em que a academia precisa discutir a questão da tecnologia social. O pró-reitor salientou a questão da exclusão do conhecimento, em que os aparatos tecnológicos ficam em poder de uma minoria dominante que desenvolveu o conhecimento, e exclui uma maioria dominada do direito à informação.

A organização contou com a participação também da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) criada pela Preac com o objetivo de reunir estudantes para desenvolver projetos de extensão na área de tecnologia para a sustentabilidade de cooperativas da região de Campinas. O presidente da ITCP, Miguel Juan Bacic, disse que a unidade tem preocupação com temática da relação tecnologia e desenvolvimento social tendo como foco a preocupação com núcleos mais trágicos da sociedade.