[16/9/2009] “Não temos democracia em nada neste país. Não temos democracia racial, social e econômica. Muito menos no futebol”. A frase é do ex-jogador de futebol Sócrates. O ex-camisa 8 do Corinthians participou, no Espaço Cultural Casa do lago, de um debate sobre a democracia corinthiana.
A 'democracia corinthiana' lotou o auditório. Simpatizantes do jogador, torcedores, professores e estudantes da Unicamp acompanharam a fala do “magrão”. Ele arrancou aplausos e sorrisos da platéia com suas histórias sobre a Grécia, onde esteve há dois anos e de sua infância, entre outras.
O encontro com o ex-jogador fez parte do 10º Festival do Instituto de Artes (Feia), evento organizado por estudantes do Instituto de Artes, que prossegue até neste sábado (19). José Paulo Florenzano, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Gustavo Forti Leitão e Caetano Tola Biasi, diretores do curta-metragem Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana, também falaram sobre o tema na Casa do Lago.
Esta é a segunda vez que Sócrates visita a Unicamp. Agitador político, como se autodenominou, pouco falou sobre a democracia em seu ex-time. Abriu a palestra contando sobre a época em que jogava no Botafogo de Ribeirão Preto e o seu ingresso na faculdade de medicina. O 'doutor Sócrates' também aproveitou o momento para deixar um recado aos estudantes da Unicamp: “A base de tudo é o conhecimento. A leitura é fundamental”, disse.
Leonardo Simões Freire, aluno do terceiro ano do Instituto de Economia (IE), acompahava a palestra de Sócrates em busca de datalhes sobre o que foi a Democracia Corinthiana. Antes, arriscou: “Pelo que sei, foi um momento histórico para a época. Atualmente tanto no futebol como no país, enfrentamos problemas democráticos”, disse. Assim com Sócrates também arriscou uma frase: “não dá para falar em democracia quando a maioria das pessoas não tem acesso à saúde e à educação”.
Sobre o documentário Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana, ainda em fase de produção, Sócrates lamentou que as pessoas ainda tenham que pagar para ter acesso aos documentos. “A memória custa caro”, afirmou. Para o ex-corinthiano, o apoio do IA tem sido fundamental para que o projeto do documentário seja concluído. “Outras entidades também deviam participar”, reforçou. "A única coisa que a gente pode querer da vida é ser feliz. O resto é bijuteria", foi outra frase de efeito de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o do passe de calcanhar, da democracia e que só quer ser feliz...