Skip to content

Montanhistas da Unicamp já planejam realizar a trilogia dos Alpes na Europa

Fotos: 
Fotos: Divulgação e Antônio Scarpinetti
Edição das imagens: 
Edição:Everaldo Silva

Luís a Carla na Cordilheira

[30/7/2009] Os montanhistas Luís Felipe Moura e Carla Baldan Dias, ele docente da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) e ela funcionária da Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen) da Unicamp, acabam de retornar de uma viagem ao Peru, para uma expedição na Cordilheira Branca, cujas montanhas chegam a mais de 6 mil metros de altitude. Nesta ‘empreitada’, Luís Felipe atingiu os cumes do Ishinca, de 5.530 metros, e do Pisco, de 5.760 metros. Mas ambos tiveram que interromper a escalada em Urus, por causa do mau tempo. No ano passado, Carla fez a sua primeira escalada de alta montanha na Cordilheira Real, na Bolívia, ainda que a sua maior prática esteja no montanhismo de rochas. Namorados e companheiros de escaladas, os dois já planejam o próximo desafio – cumprir a trilogia dos Alpes na Europa, com a clássica escalada ao Mont Blanc e as escaladas mistas ao Eiger e ao Matterhorn.

A expedição ao Peru começou no dia 27 de junho, com uma viagem para Lima e, logo em seguida, para Huaraz (3.090 metros), a principal cidade do vale, entre as Cordilheiras Branca e Negra. A cidade de Huaraz serviu de base para a dupla realizar as ascensões e a fase de aclimatação. Tendo abandonado a tentativa de escalada do Urus perto do cume, pelo mau tempo, novo obstáculo para Carla a colocaria definitivamente fora do projeto original. Ela enfrentou problemas de saúde e tomou a difícil decisão de retornar ao Brasil para se recuperar. Mesmo dividido, Luís Filipe permaneceu na expedição por 23 dias, dez a mais que Carla. Um pouco decepcionada com o rumo da viagem, ela entendeu que imprevistos podem ocorrer e que precisam ser contornados. “Já estamos nos preparando porque no ano que vem teremos outros desafios como conseguir novos patrocínios”, conta.

Luis na CordilheiraA escalada do Pisco foi uma das mais belas na opinião de Felipe, que chegou ao cume na companhia de outros brasileiros. Já na escalada do Chopicalqui, os montanhistas decidiram abandonar a escalada a menos de 150 metros do cume, devido a grande quantidade de neve e ao risco de avalanches. Segundo Luís Filipe, aprende-se muito com as escaladas. “Estou exercitando mais a organização, planejo mais minhas ações e busco maior concentração na vida, o que me ajuda muito até na minha atividade como professor”, garante.

Uma das principais barreiras enfrentadas pela dupla, além da escalada, foi uma greve no país, que culminou com o bloqueio das principais vias de acesso e a parada obrigatória no local por três dias.

Apesar da tradição dos ex-alunos da Unicamp se destacarem nesse esporte, tendo como nomes de maior destaque Vítor Negrete e Rodrigo Raineri, sendo que o primeiro conseguiu escalar o Monte Evereste, no Himalaia, sem oxigênio suplementar, para depois morrer, em 2006, pouco ainda se sabe sobre esta prática, mesmo na comunidade universitária. Uma das coisas que se desconhece, por exemplo, é que a mochila de um montanhista é relativamente pesada para carregar. Nela vão equipamentos como o crampon, a piqueta, a corda, a lanterna, o equipamento fotográfico, água, capacete e lanche. A bota também é pesada e é fabricada com ênfase à questão térmica. Isso sem falar que um montanhista se veste com pelo menos quatro camadas de roupas quentes e fica muitos dias sem tomar banho.

Luís Felipe e Carla Baldan são membros do Grupo de Escalada Esportiva e Montanhismo da Unicamp (Geeu), ligado à Faculdade de Educação Física (FEF), e dirigem as atividades do grupo, com outros colaboradores. O Geeu conta com a adesão de cerca de 40 membros por semestre. Ali o objetivo é estimular e divulgar a prática das escaladas, ensinando os primeiros passos. A expedição Cordilheira Branca 2009 teve o apoio financeiro das empresas Conquista, Trilha do Esporte, Atlex e Liofoods.

Essa última expedição resultou em cerca de 3 mil fotos e 4 horas de imagens, que devem  ser transformadas em um documentário, com duração de aproximadamente 100 minutos. Veja o blog da expedição, com relatos e fotos da aventura.