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O livro das sete mulheres do Grupo Antropoantro na Galeria

Edição das imagens: 
Everaldo Silva

Tina, Beth, Inês, Lalau, Olívia, Silvia e Vane: uma história que deu certo

[7/5/2009] O que há no interior do livro do artista? Anotações, percepções, desenhos, conceitos, esboços ou a própria obra de arte? Silvia Mattos, Beth Schneider, Inês Fernandez, Lalau Mayrink, Olivia Niemeyer, Tina Gonçalez e Vane Barini abrem os livros e sanam a curiosidade dos visitantes ao colocar este pequeno-grande objeto, vital à criação de muitos artistas, como centro da exposição inaugurada nesta quinta-feira (7), na Galeria de Arte Unicamp. “Livro-imagem/imagem-livro” exprime a peculiaridade de cada uma das artistas do Grupo Antropoantro, criado em 2000 no Ateliê Silvia Mattos.

O livro está presente tanto nas obras individuais quanto na obra “Era uma vez uma história que deu certo”, instalação em canto de parede na qual fotos, desenhos, pinturas e serigrafias contribuem para contar a história de um boneco de plástico com a qual o Antropoantro percorreu os lugares mais inusitados, entre eles o interior de um ônibus urbano. “As pessoas interagiram com a instalação, com o grupo. Ater o motorista gostou porque foi uma intervenção na rotina dele”, explica Silvia.

O livro azul de Tina Gonçalez “Azul” não é só a cor escolhida por Tina Gonçalez para compor a exposição. É o nome de uma obra que pode transmitir uma diversidade de sentimentos. Com a vantagem de poder ser tocada – aliás, todas as peças permitem isso –, o visitante escolhe seu melhor azul: o das geleiras que exprimem a beleza da natureza ou o da paisagem modificada pelo homem. “Azul” é um livro de artista ou um livro artístico composto de uma bela capa, título, subtítulo e um conteúdo surpreendente. Para entender, é preciso visitar, tocar e manipular. “Trabalho com cores primárias (azul, amarelo e vermelho), mas escolhi o azul por ter a ver com o meu momento e o momento da exposição”, diz Tina.

A cera que cobre o texto bíblico pode exprimir o exagero da devoção; o alinhavo da Constituição Federal de 1913 pode significar a necessidade de revisão do livro; as cores que cobrem as fotos em preto-e-branco do livro de arte do início do século 20 permitem refletir sobre a resistência em colorir pinturas na época. Mas são respostas que estão no íntimo de Beth Schneider. Ousadia? “É minha marca. É uma forma de mostrar que precisamos repensar certos conceitos”, responde a artista.

Obra de Beth Schneider: alguns conceitos precisam ser revistos “Livro Não-lugar” e “Livro Não-água”, obras de Silvia Mattos, são um conjunto de obras que surgiram de duas grandes instalações de 30 x 350 centímetros, em plástico. O resultado é uma sequência de fotos reveladas em transparência forradas em tom prata ou dourado.

Inês Fernandez sempre teve inclinação para a arte, mas o destino a levou para a formação em letras. E são as letras e as imagens de jornais que compõem e obra “Inventário do cotidiano”, um conjunto de 33 livros encadernados no qual a paginação é reinventada de acordo com a inspiração da artista. Publicações da década de 1070 até os dias atuais ajudam a dar forma às encadernações no formato 43x30 e 32x22.

A aposentadoria do Departamento de Lingüística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp levou Lalau ao Ateliê Silvia Matos, em 1992. Em 2000, a ex-professora e agora artista plástica topou o desafio de criar o Antropoantro. O desenho faz parte de seu dia-a-dia, o que a ajudou a compor a obra "Mafagafos". “Meu livro é composto a todo momento, aos poucos, em salas de esperam reuniões...”, diz Lalau.

A vontade de transformar a própria arte move o livro de Vane Barini, que tira as imagens mais surpreendentes de suas próprias fotografias. “Na arquitetura sempre como objeto o indivíduo. De uma multidão registrada em fotos eu particularizo o homem”, explica Vane. Enquanto a transformação move o livro de Vane, Olívia Niemeyer dá movimento a suas imagens estáticas no vídeo “O animal que logo sou”, inspirado no livro do filósofo Jacques Derrida do qual ela empresta o título da obra.

É desse conjunto de idéias que o Antropoantro escreve um só livro a partir do livro de artista de cada uma dessas sete mulheres. “Aqui uma opina sobre o trabalho da outra, sem problemas”, diz Silvia.