[16/10/2008] A Agência de Inovação Inova Unicamp reuniu na tarde desta quinta-feira (16), no auditório da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, cerca de 150 pessoas no evento Lei de Inovação: Avanços e Desafios. Três palestrantes convidados discutiram sobre pontos diversos relativos à Lei de Inovação federal, à recém-promulgada Lei Paulista de Inovação e à Lei do Bem.
João Alberto de Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), falou sobre o papel do Estado como indutor da inovação tecnológica. Negri apontou que o Brasil tem uma participação importante na produção de ciência, entretanto a inovação não tem acompanhado a produção científica. “No Brasil existem cerca de 1000 empresas industriais líderes. Acreditamos que estas empresas têm capacidade de puxar o desenvolvimento tecnológico industrial do país”, afirma.
Negri fez um balanço da política pública para ciência e tecnologia e afirmou que a Lei do Bem ampliou os incentivos fiscais e melhorou os mecanismos de acesso ao financiamento de P&D. “O Brasil construiu um sistema robusto de inovação, com a pós-graduação, e fundos especiais para o financiamento da pesquisa”, afirma. Entretanto ele apontou que embora os mecanismos sejam positivos, o alcance de fomento ainda é baixo. “As 785 empresas apoiadas pela Finep nos últimos três anos pode ser um indicador de melhoria, mas ainda não rápido o suficiente”, coloca.
O professor Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Unicamp, abordou a lei de inovação sob a perspectiva das parcerias público privadas (PPP). Ele vê as PPPs como mecanismos importantes e positivos no processo de inovação tecnológica. “A empresa continua sendo central para a inovação”, coloca. Mas, segundo o professor, as PPPs têm tido a relevância ampliada porque o volume de informação no mundo cresce de forma gigantesca e se torna impossível para a empresa construir estratégias de inovação sem considerar um conjunto de relacionamento para mobilizar toda esta informação. “A parceria com o setor privado também é benéfica para a universidade porque ajuda a fortalecer as atividades de ensino e pesquisa”, pondera.
Para Pacheco, a crise financeira mundial vai ter um impacto enorme na economia real. “Ela cria uma restrição de crédito que se espalha na economia real e apesar de todos os pacotes recentes, vai demorar um bom tempo para se restabelecer a confiança no sistema financeiro”, declara. Pacheco coloca que houve um aumento do investimento agregado no Brasil nos últimos dois anos, inclusive em P&D. “Na esteira do crescimento, o gasto em P&D estava aumentando junto do investimento”, analisa. O professor acredita que em função da crise as empresas vão ficar muito mais cautelosas em seus planos, mas não vão deixar de investir. “Estes planos vão ser arrefecidos, mas não vão deixar de existir. É uma questão de competição entre as empresas que precisam se posicionar no mercado”, pontua.
Silvia Piva, da Gomes Hoffmann Advogados, fechou o evento com uma palestra sobre a efetividade dos mecanismos fiscais previstos na lei do Bem. O evento foi o segundo realizado em comemoração aos cinco anos de atuação da Agência de Inovação Inova Unicamp, órgão da Reitoria responsável pela política de inovação da Universidade e pela interface com o ambiente empresarial e público.