Skip to content

Prova de Arquitetura sinaliza para um olhar atento à cidade

[24/1/2008] A linguagem não-verbal, desenvolvida na Renascença por Bruneleschi, permitiu um enorme salto na Arquitetura e ganhou espaço, quarta-feira (23), no Vestibular Unicamp, último dia das Provas de Aptidão. Este tipo de linguagem, segundo o professor Evandro Ziggiatti Monteiro, que presidiu a banca examinadora, é amplamente usada na sociedade e se caracteriza como instrumento para o jovem descobrir o mundo não-dito. "Embora nem todos tenham espírito crítico, isso também está sujeito a aprendizado e lanço aqui o desafio de observarem mais", disse.

A primeira questão da prova, considerada a mais simples, exigiu do aluno certo conhecimento de composição volumétrica e percepção espacial. A segunda, uma composição livre, requeria do candidato uma visão ampla sobre a cidade. A proposta estava contida no texto 'clássico' Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino. Trazia a fotografia de uma ruína urbana - uma imagem de Barcelona - relacionada ao texto. Pedia-se que criassem uma reflexão sobre esta cidade e seu passado a partir de um desenho livre.

Evandro, ao comentar a prova de aptidão de sua área, lamentou que as mídias estejam afastando os jovens dos elementos concretos. "Eles preferem viver um mundo virtual, que não exige muito esforço de pensar", constatou. Na Arquitetura, enfatizou Evandro, é pré-requisito lançar um olhar atento. "Isso porque o aprendizado pode ficar prejudicado. Os jovens acham que tudo deve ser rápido como no mundo virtual. Aconselho que deixem as fotografias feitas em celulares e passem a andar com um bloco de notas para desenhar", salientou.

O professor Paulo Scarazzato trabalha com 'luzes', elemento que também apareceu na primeira questão da prova, além das sombras e noções de cheio e de vazio. "Esta observação é feita em cima dos espaços da cidade, que é ampla. O futuros arquitetos precisam estudar espaços abandonados, vivos, degradados e outros, pois eles fazem parte do cotidiano deste profissional", abordou.

Também na primeira questão os candidatos foram apresentados a novos materiais que serão muito utilizados pelo estudante de Arquitetura na confecção de maquetes simples. Alguns conheceram pela primeira vez o papel 'paraná', o papel ondulado e o acetato.

Gostar de desenhar e possuir senso de observação são habilidades que o candidato deve ter, segundo o professor Daniel Moreira, que participa da banca de correção, que começa hoje no Ginásio Multidisciplinar da Unicamp. Outra habilidade lembrada por ele foi exercitar o desenho, praticando-o constantemente. "Os alunos devem passar pelo menos um ano desenhando, devem andar muito pela cidade, aprender a realizar leitura de mapas e representar graficamente um fotografia", exemplificou. Evandro concordou com as dicas e acrescentou que o candidato deve trabalhar o raciocínio lógico, pois, afinal, "esta geração já pegou um mundo 'pronto', e os arquitetos são a contraposição a esta idéia. Parem e reflitam. Existem outras alternativas", sustentou.

Mateus Jacob, 19 anos, é um desses exemplos que gosta de desenhar muito no papel. No atual emprego, em uma agência de design, este mineiro de Belo Horizonte que, quando pequeno, gostava de desenhar casinhas, agora passa o dia desenhando móveis. "Aprecio o que faço. Estou tendo acesso ao componente prático. Este estágio é realizado já há algum tempo", contou. Ao deixar o local da prova, Mateus desabafou: "estou aliviado e tirando uma carga de meus ombros".

Mateus acentuou que fez um rascunho mais simples do que está acostumado a fazer, para conseguir cumprir o tempo. Deu certo. Eles foi um dos primeiros a concluir a prova, a qual qualificou como mais simples do que imaginava. Enquanto continua o seu trabalho de estagiário desenhando móveis, ele aguardará o resultado do Vestibular Unicamp no site da Comvest, em 7 de fevereiro, quando sairá a lista dos aprovados em primeira chamada.

Moradora de Timóteo-MG, no Vale do Aço, Daniele Mendes, 20 anos, comentou que nunca tinha participado de uma prova de aptidão. Confessou que achou uma excelente idéia a da Unicamp. "Os examinadores precisam ter um contato com o que o candidato é capaz de fazer", destacou. A candidata também prestou o Vestibular da UFMG e agora vai pesar o melhor curso. Para ela, a segunda fase do Vestibular Unicamp foi a mais difícil, sobretudo as provas de Química e de Física.
(Isabel Gardenal)
Fotos: Antônio Scarpinetti
Edição de imagens: Natan Santiago

==
* Comente esta notícia * Índice do Portal Unicamp * RSS * Jornal da Unicamp * Agenda de eventos da Unicamp