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Seminário Internacional estimula parto alternativo em Madrid

[23/8/2006] Uma das conquistas que o obstetra da Unicamp, Hugo Sabatino, atribui à sua estada na Espanha, recentemente, foi a composição da Carta de Madrid – um documento que resume as novas perspectivas para a atenção ao parto de baixo risco. Tal carta foi possível, segundo ele, graças a um Seminário Internacional, promovido pela Unicamp, Universidade Complutense e Associação Espanhola de Matronas no Hospital Clínico "San Carlos" em Madrid, organizado por Sabatino e pelos espanhóis Miguel A. Herraiz e Mariangelis Rodrigues.

O evento, que partia da proposta de difundir o parto alternativo (ou de cócoras), calhou com o momento em que a Espanha assistia a um aumento significativo de cesarianas desnecessárias. "As mulheres que não optavam pelo parto tradicional, optavam pela cesárea. Sugerimos então uma terceira posição, quando se falava pouco do parto alternativo", garante Sabatino. O seminário gerou um CD com o conteúdo dos colóquios, bem como da Carta de Madrid. "Faltava um documento consensual sobre o tema e atualizando pontos do parto de baixo risco", informa Sabatino. "Levamos para lá uma tecnologia que eles não conheciam", conta o precursor do parto de cócoras no Brasil.

Além do CD, outros resultados estimularam os participantes do evento e profissionais adeptos do parto alternativo: um curso de pós-graduação em Ginecologia, a ser ministrado em meados do próximo ano. De acordo com Sabatino já foi assinado, no ano passado, um convênio Brasil-Espanha que prevê intercâmbio de alunos e profissionais de saúde incentivadores desse parto. No momento, também está sendo reformatado um curso de espanhol a distância e, possivelmente, de inglês, visando ensinar o método de atenção simplificada ao nascimento.

O parto alternativo gerou, há pouco, o livro Obstetrícia Geral, assinado por Sabatino e por Joaquim Cortes Prieto, da Universidade de Alcalá. Professor-associado do Departamento de Tocoginecologia da Unicamp, Sabatino conta que há 25 anos fala sobre o tema. "Muito do que já falamos neste tempo tornou-se obrigatório hoje, como é o caso do acompanhante da gestante na sala de parto, deixar que a mãe fique com a criança no momento do parto, amamentação precoce e a deambulação da mulher durante o trabalho de parto", relata. Para Sabatino, as atitudes que os profissionais de saúde devem ter para atender a grávida têm de modificar para que o atendimento seja ainda mais humano.
(Isabel Gardenal)
Foto: Neldo Cantanti

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