Skip to content

Colóquio internacional vai até sexta-feira no IFCH

[3/5/2004] 4 de maio de 2004 - Começou ontem no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, o Colóquio Internacional sobre Humilhação. O evento, que prossegue até sexta-feira no auditório do IFCH, tem apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e reúne 25 participantes de diferentes áreas, de diversas instituições brasileiras e estrangeiras para discutir o lugar dos sentimentos na História. Os interessados são convidados a participar de mesas-redondas e conferências interdisciplinares. Um dos destaques é a participação do professor Pierre Ansart, da Universidade Paris VII.

A proposta do encontro é discutir os significados da humilhação na modernidade e na pós-modernidade, suas formas de expressão e como interferem no processo de individualização e subjetivação. De acordo com a professora Izabel Marson, uma das organizadoras do Colóquio, os debates devem explorar o tema humilhação por duas vertentes. "O primeiro, fará uma investigação conceitual a partir de vários campos do conhecimento: da sociologia, da psicanálise, da literatura, da filosofia, da política e da história", diz.

Já a segunda vertente, de acordo com ela, se presta a abordar experiências históricas brasileiras e européias dos séculos 19 e 20, "nas quais se expressam práticas do liberalismo, do anarquismo, do getulismo - por exemplo - em que a humilhação se tornou fio importante do tecido histórico, invariavelmente enrustido, por ser a origem e sustentação de conflitos".

No Colóquio ainda estão sendo analisadas as conseqüências políticas desses sentimentos. "A partir da compreensão dos sentimentos, podemos entender o desencanto com utopias acalentadas pela sociedade contemporânea ou o fracasso de projetos originalmente sedutores e preocupados com a construção de um mundo melhor." Outro aspecto a ser discutido pelos pesquisadores é a humilhação e os seus efeitos psicológicos e morais, que acarretam formas diversificadas de dominação, opressão ou perseguições, o que implica a negação da existência do indivíduo. Nesse sentido, serão reexaminados regimes políticos e sistemas específicos, como a escravidão, o colonialismo e os sistemas totalitários - nazismo, fascismo ou stalinismo.

Implicações desses sentimentos na sociedade contemporânea, como a Guerra ao Iraque ou as ações de grupos terroristas, estão presentes no debate. "Falar sobre esses temas é tarefa complexa e deverá ocupar por longo tempo muitos estudiosos. Mas creio que é possível afirmar que as decorrências emocionais das arrogantes políticas intervencionistas e colonialistas das potências ocidentais no mundo muçulmano - dentre elas, a humilhação imposta pela força dos vencidos - é um vigoroso incentivo do ressentimento, do ódio, do desejo da vingança e, portanto, combustível da guerra, da resistência aos invasores e do terror."

Como metodologia e linha teórica, boa parte dos pesquisadores segue pelas análises da Escola de Frankfurt, mais especificamente pelos textos de Adorno e Horkheimer (O Eclipse da Razão e a Dialética da Razão), as de Fromm (O Medo da Liberdade), além de textos de Mitscherlich, Hannah Arendt e Norbert Elias. Entre os participantes, estarão presentes Yves Déloye, Edgar de Decca, Márcio Seligmann Silva, Vavy Pacheco Borges.

História - Também vale destacar, que esse Colóquio dá seqüência a um processo de discussões metodológicas e teóricas iniciadas em 1991, por pesquisadores brasileiros e franceses dentro de um convênio entre a Unicamp e a Universidade Paris VII, dos professores Stella Bresciani e Eni Orlandi e, da França, Pierre Ansart e Michelle Perrot. Como fruto dessa parceira nasceu um grupo de estudos no Brasil, além da realização de três conferências.

Como resultado dos simpósios, foram publicados os livros Razão e Paixão na Política, Memória e Ressentimento: Indagações sobre uma Questão Sensível e A Banalização da Violência: A Atualidade do Pensamento de Hannah Arendt.

(Da Redação, com informações do Caderno 2 do Estadão)

==
* Comente esta notícia * Índice do Portal Unicamp