[13/5/2003] A Unicamp vai realizar nesta quinta-feira, 15 de maio, a partir das 9
horas, o evento "Campinas Inova 2003", evento que deverá reunir mais de 400 empresários, dirigentes do setor público e profissionais ligados à
área de inovação tecnológica em seu Centro de Convenções.
O objetivo do encontro é debater o tema com representantes de
universidades, institutos públicos de pesquisa, agências de fomento,
organizações não governamentais e empresas, além de elaborar uma agenda de trabalho para o estreitamento das relações entre essas instituições.
Durante o evento, também será inaugurada a Agência de Inovação da
Unicamp (Inovacamp), com a meta de estabelecer uma rede de
relacionamentos da universidade com a sociedade para incrementar as
atividades de pesquisa, ensino e avanço do conhecimento.
Estão confirmadas as presenças do secretário executivo do Ministério da
Ciência e Tecnologia (MCT) durante o governo FHC, Carlos Américo
Pacheco; O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep),
Sergio Machado Rezende; o diretor da área de planejamento do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fábio Stefano
Erber; o vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa,
Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras, Américo Craveiro; o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Fernando Perez; e o jornalista da Folha de São Paulo, Luiz Nassif.
Entre os temas que serão debatidos, destacam-se o papel e as relações
dos atores envolvidos no processo de inovação; a gestão e apropriação do conhecimento; exploração de ativos de propriedade intelectual;
transformação de conhecimento em benefício sócio econômico; experiências nacionais e internacionais de escritórios de gestão de inovação; e experiências nacionais e internacionais para financiamento de inovação e na produção de conhecimento e sua transformação em inovação.
Segundo o reitor Carlos Henrique de Brito Cruz, a evolução de um quadro mais propício à inovação requer a organização e construção de
competências de diversas naturezas, que se complementam e se posicionam cada vez mais de forma fundamental no contexto de rápida mudança tecnológica e crescente concorrência. É nesse contexto que surge a Agência de Inovação da Unicamp (Inovacamp). Coordenada pelo professor do Instituto de Economia da Unicamp e secretário executivo do MCT no governo FHC, Carlos Américo Pacheco, a agência será um setor onde empresas e órgãos públicos encontrarão apoio e informações para viablizar sem embaraços seus projetos.
"Estamos buscando parcerias com o objetivo de melhorar as atividades
nucleares da universidade,que são o ensino, a pesquisa e o avanço do
conhecimento", afirma o reitor. "Esse é um conceito importante porque é
diferente de buscar parcerias apenas para gerar receita", completa.
Segundo ele, ao desenvolver projetos para parceiros externos, a
universidade também estará ampliando sua atividade de pesquisa e ensino.
Em contrapartida, o interessado em estabelecer a parceria receberá ajuda especializada, mesmo que isso envolva outros órgãos da universidade ou instituições externas.
Um grupo de trabalho encarregado de planejar a agência identificou
várias áreas onde será possível estabelecer parcerias importantes. "A
idéia é desenvolver programas para tratar estas atividades de maneira
mais profissional", explica o reitor. O grupo é coordenado pelo
professor do Instituto de Economia e ex-secretário executivo do
Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Américo Pacheco.
Um dos programas, segundo o reitor, estará voltado para parcerias no
setor de políticas públicas. Segundo Brito Cruz, se uma determinada
prefeitura decidir implantar, por exemplo, um plano de combate à evasão
escolar nas escolas públicas de ensino fundamental, a agência a ajudará
a desenvolver o projeto e submete-lo aos órgãos financiadores.
Esse tipo de programa, segundo o reitor, será especialmente importante
para áreas da universidade que lidam diretamente com o tema, como o
Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP), a faculdade de Educação
e o Instituto de Filosófica e Ciências Humanas (IFCH), entre outros. De
acordo com o reitor, há todas as condições para iniciativas como esta.
"Trata-se de um assunto largamente pesquisado na universidade; existe
uma forte demanda no poder público; e há meios de financiar", diz o
reitor. Brito Cruz lembra que a Fapesp tem um programa de financiamento para pesquisas em políticas públicas
Para realizar as parcerias, a agência adotará o conceito norte-americano
de one stop shop, uma espécie de Poupatempo no campus, onde o
interessado poderá encontrar todas as informações necessárias e agilizar os procedimentos num único local. "Ele não ficará circulando de um lugar para outro em busca de orientação", garante Brito Cruz. Segundo ele, a agência será capaz de montar a estratégia de cooperação num só lugar, mesmo que a parceria envolva outros órgãos da universidade. "A agência não terá papel centralizador, mas fará a ligação entre os setores envolvidos", explica.
Outro programa importante, segundo o reitor, é o de parcerias
estratégicas. Nesse caso, o objetivo será intensificar a cooperação
junto a empresas com as quais a universidade já se relaciona. Entre
elas, a Petrobrás, Embraer, Itautec e a a TMS Sigma Farma. "Nós já
fazemos isso, mas queremos atuar de maneira mais profissional", diz.
"Para isso, estamos adotando algumas iniciativas, como a realização de
workshops, seminários de um dia, nos quais reunimos pesquisadores das empresas e da unicamp e eles identificam temas nos quais possam
trabalhar conjuntamente".
A agência também terá um programa destacado na área de propriedade
intelectual, setor em que a Unicamp tem sido muito bem-sucedida. "Somos a universidade brasileira com maior número de patentes registradas", diz Brito Cruz. Segundo ele, além de ampliar a capacidade da instituição em registrar propriedade intelectual, a agência trabalhará para agilizar o licenciamento das patentes. "Sem isso, a patente é só um item de despesa e não de receita", destaca. Nessa mesma linha a unidade também desenvolverá ações para incrementar o programa de incubadora de empresas. Atualmente, oito empresas estão abrigadas na Incubadora da Unicamp (Incamp).
Em outra frente de atuação, a agência de inovação trabalhará para
aumentar a capacidade da Unicamp em usar os fundos setoriais para
financiamento de projetos de pesquisa. "A agência não buscará
diretamente os recursos mas ajudará os interessados em consegui-los",
explica Brito Cruz. O reitor lembra que há agências de fomento nas quais
o pesquisador tem de buscar o dinheiro individualmente e outras onde a
busca tem de ser feita pela instituição. "Vamos cooperar nas duas
linhas, preparando os projetos que serão submetidos aos órgãos
financiadores", explica.
Para Brito Cruz, a criação da agência coincide com um momento favorável
à iniciativa. "A idéia sobre o valor da inovação tecnológica está se
disseminando rapidamente na sociedade brasileira", diz ele. "Tanto no
âmbito do poder público como no setor privado, observa-se um interesse
crescente nesse tema e portanto naquilo que a agência poderá realizar",
completa. Segundo ele, há iniciativas similares em universidades
estrangeiras, mas no Brasil o projeto é inédito. Segundo o reitor, a
agência poderá até gerar receita extra, mas o objetivo principal é
aumentar e melhorar as atividades de avanço do conhecimento e de ensino. "Não se pode perder isso de vista", conclui.
Para conduzir suas atividades, a agência contará com um conselho
administrativo e uma diretoria executiva. A coordenação do Conselho está a cargo de Américo Pacheco, que também idealizou as linhas mestras da unidade. Os outros componentes são os professores Sergio Salles, do Departamento de Política de Ciência e Tecnologia do Instituto de Geociências (IG), e Bernardino Figueiredo, que também atua no IG, além de presidir a Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).
A programação do evento se encontra em
http://www.campinasinova.ct.unicamp.br/prog.html