Clipping

18 de Maio - 2010

Estrada da vida O trapezista, acrobata e equilibrista do Circo Spacial Mateus Felipe de Jesus Silva, 13 anos, está concluindo a 6ª série do ensino fundamental. Em cada nova escola, ouve questionamentos curiosos dos colegas sobre seu cotidiano. "Todos perguntam como eu almoço, janto, se tem banheiro no trailler, ou onde eu durmo", relata. Tímido, o garoto é acrobata desde os seis anos de idade. Aos três já se apresentava como palhaço. Para ele, há um lado positivo em estudar em diversas escolas: "é sempre um lugar diferente, não se enjoa dos professores, nem dos colegas". Assim como Mateus, Joelma Costa, 40 anos, pesquisadora e cientista social pela Unesp de Araraquara, era a atração quando chegava à sala de aula. De família circense, viveu dos três meses aos 15 anos no circo Disparada, que hoje não existe mais. Durante todo esse tempo viajou com a família pelo interior de São Paulo e de Minas Gerais. "Ficávamos quatro dias na cidade e, mesmo assim, íamos à escola." Muitas vezes sua mãe - que tinha quatro filhos em idade escolar - não era bem atendida nas escolas, em especial em cidades pequenas e distantes dos grandes centros. "O corpo gestor da escola, secretaria e atendentes têm pouca informação e muita má vontade", conta. Ela precisou recorrer à diretoria de ensino ou à própria prefeitura para ter seus direitos legais atendidos. Hoje, a situação continua parecida. Muitas mães pensam em desistir diante das negativas da escola e da burocracia que emperra o processo. Para Ermínia Silva, historiadora e doutora em história pela Unicamp, o fator complicador está no trâmite legal. Para que uma criança frequente a escola mais próxima do circo, pública ou privada, é preciso um atestado da escola anterior, que demora, em média, quinze dias para ficar pronto. "Quando sai o protocolo de atendimento ou transferência escolar, o circo já está em outro local", explica.