Projeto Zeferino
A Unicamp nasceu do propósito do governo de São Paulo de instalar no interior do Estado uma nova universidade que fosse uma grande escola de ensino superior e, ao mesmo tempo, um pujante centro de pesquisas. Quando se tratou de escolher quem a organizaria, o governo encontrou em Zeferino Vaz a pessoa com o estofo certo para a missão.
Ao aceitar a incumbência, Zeferino pediu carta branca para contratar, no Brasil e no exterior, quantos pesquisadores precisasse para o projeto. Foi assim que, antes mesmo da construção dos primeiros prédios, ele atraiu para as imediações do campus cerca de 200 pesquisadores estrangeiros e outros 180 que, como ele próprio (Zeferino foi diretor da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto), aceitaram trocar suas instituições de origem pela nova universidade que nascia em um distrito de Campinas, Barão Geraldo, em gleba doada ao estado pela família Almeida Prado, proprietária da terra.
O projeto de instalação da Unicamp veio responder à demanda crescente por pessoal qualificado numa região do Brasil, o Estado de São Paulo, que já nos anos 60 detinha 40% da capacidade industrial do país e 24% de sua população ativa. Até então, o sistema de ensino superior estava voltado para a formação de profissionais liberais solicitados pelo processo de urbanização, como advogados, médicos e engenheiros civis. Necessitava-se, portanto, de uma universidade que desse ênfase especial à pesquisa tecnológica e mantivesse, desde o início, forte vínculo com o setor produtivo.
Projeto orgânico e coeso
Desse modo, diferentemente da tradição brasileira de crescimento cumulativo de suas universidades graças à justaposição de cursos e unidades, a Unicamp foi planejada como um projeto orgânico e coeso. A definição dos cursos a serem implantados demandou uma série de reuniões com representantes da indústria e da sociedade. As unidades e os laboratórios surgiram assim em função de necessidades concretas do mercado, que na época exigia engenheiros, químicos, físicos, biólogos, matemáticos e economistas, entre outros profissionais.
Apesar de criada em 1962, a implantação efetiva da Unicamp só foi realizada após a publicação do Decreto nº 45.220, de 9 de setembro de 1965, com a criação de uma comissão organizadora. Até aquela data funcionava na Universidade apenas a Faculdade de Medicina, unidade embrionária da instituição. A faculdade, uma antiga reivindicação da sociedade campineira, havia sido instalada no centro da cidade em 1963 e acabou sendo incorporada pela Universidade.
A Unicamp entrou na sua fase real de funcionamento após a autorização dada pelo Conselho Estadual de Educação, em 1966, para instalação dos Institutos de Biologia, Matemática, Física, Química e das Faculdades de Engenharia de Campinas, de Tecnologia de Alimentos e de Engenharia de Limeira. A seguir, em janeiro de 1967, foi incorporada à Unicamp a Faculdade de Odontologia de Piracicaba.
No final da década de 60 foram criados o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, a Faculdade de Educação, o Instituto de Artes e o Instituto de Geociências. O Instituto de Matemática e a Faculdade de Medicina passaram a ser designados, respectivamente, por Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação e Faculdade de Ciências Médicas.
Em março de 1977, agosto de 1984, julho de 1985 e setembro de 1986, respectivamente, foram criados o Instituto de Estudos da Linguagem, o Instituto de Economia, a Faculdade de Engenharia Agrícola, a Faculdade de Engenharia Elétrica e a Faculdade de Educação Física.
O Conselho Universitário, em outubro de 1989 e setembro de 1990, respectivamente, aprovou o desmembramento da Faculdade de Enge-nharia de Campinas em Faculdade de Engenharia Química e Faculdade de Engenharia Mecânica e a alteração de denominação da Faculdade de Engenharia de Limeira para Faculdade de Engenharia Civil. Posteriormente surgiram os cursos noturnos e cursos novos como os Arquitetura e Urbanismo, Ciências da Terra e Fonoaudiologia, entre outros. Em maio de 2008, o Conselho Universitário aprovou a criação, em 2009, de oito cursos no novo campus de Limeira.