Prezado Clóvis:

 

Abaixo, a entrevista. Minhas saudações

JQM

 

 

O governo Bush ignora o clamor de milhões de manifestantes no mundo todo por paz e prossegue com seu ideal de guerra. Quais as conseqüências desta guerra para o mundo?

 

Há uma década atrás, na euforia reacionária suscitada pelo colapso político do bloco soviético, o vidente F. Fukuyama, então pensador de plantão do Departamento de Estado do Império do Norte, anunciou que o país do dólar e dos mísseis ditos inteligentes tornara-se a expressão suprema e final da evolução histórica da humanidade. Para reforçar estas grandiloqüentes previsões, o presidente Bush filho, na trilha de seu pai, recorre a métodos mais sólidos do que aquela filosofia oca, sintetizando-os numa “doutrina” cuja principal diferença em relação à do “Reich de mil anos” de Adolf Hitler é ter sido formulada em inglês e não em alemão.  Poderá assim realizar radicalmente as previsões de Fukuyama: aniquilando a espécie humana, ele porá fim à história. Não que este seja seu propósito, como tampouco era o de Hitler. Ele pretende aniquilar apenas quem não está com ele. Com efeito, deixando de lado a retórica, repetitiva e intelectualmente indigente, do inquilino da Casa Branca, o ponto essencial desta doutrina é que os Estados Unidos, depois da queda do “Império do Mal” (no léxico singelo de Reagan, a expressão, haurida em histórias de quadrinhos, designava a União Soviética), não aceitarão nenhum desafio à incontrastável supremacia militar de que dispõem graças a um orçamento bélico que, após os fulminantes atentados de 11 de setembro de 2001, ultrapassou os 300 bilhões de dólares anuais, para se aproximar, com o desencadeamento da “cruzada internacional contra o terrorismo”, dos 400 bilhões.

 

Que avaliação o senhor faz da luta pela paz no mundo?

Compreensivelmente, o movimento pela paz mostrou maior pujança nos países mais diretamente envolvidos com a guerra. É muito significativo que as duas maiores mobilizações de massa da grande jornada internacional de 15 de fevereiro pela paz (de que participaram, em centenas de cidades do mundo inteiro, cerca de 12 milhões de manifestantes, considerando que em muitos países a mobilização durou três dias, de 14 a 16 de fevereiro), ocorreram em Londres e em Roma, capitais de dois países cujos governos são sócios menores dos gangsters da Casa Branca.   Em cada uma destas velhas cidades, que já foram metrópole de imensos impérios, pelo menos um milhão de manifestantes expressaram sua repulsa aos abutres da guerra, inimigos do gênero humano, prontos a derramar rios de sangue para se apoderar de um mar de petróleo. Foi o maior protesto coordenado contra a guerra de toda a história.


Por que as manifestações contra a guerra foram tão pequenas no Brasil, principalmente em nossa região, mesmo com ampla convocação das entidades de classe, sindicatos, CUT e partidos políticos de esquerda? Será que o povo brasileiro ainda não percebeu o tamanho do conflito internacional e suas conseqüências para o nosso país?

 

O maior partido de esquerda do Brasil, o PT, para chamá-lo pelo nome, tem se mostrado extremamente frouxo na luta contra a guerra imperialista. Lembremos que a prefeita Marta “Belezura” Suplici, comentando seu contato com o “terceira-via” Blair, quando este descarado representante da degenerescência moral e política do trabalhismo britânico por aqui esteve, qualificou-o de “homem de muito charme”. Lindinho, não? Viam-se, sem dúvida, muitas bandeiras do PT nas manifestações de 15 de fevereiro e 15 de março em São Paulo. Mas a desproporção entre o peso eleitoral deste partido e sua presença no combate ao crime político organizado é flagrante. Chegou a correr um boato de que a prefeita compareceria. Mas, seja por afeição por Blair, seja por qualquer outra razão (todas injustificáveis para os anti-imperialistas que votaram nela), não deu o ar de sua graça. Em compensação, o PCdoB tem cumprido seu dever internacionalista, como também o PSTU e formações políticas não-partidárias, como o MST, além de vários sindicatos e as centenas de pequenas organizações, partidárias ou não, que participaram das marchas contra a guerra imperialista. Na concentração final das manifestações em São Paulo, tomaram a palavra representantes do PSB, do PSTU, do PMDB, do PDT e, pelo PCdoB, o deputado federal Jamil Murad, que esteve no Iraque recentemente. Ninguém do PT, ao que consta.

 

Os EUA tentam seduzir a opinião pública com a justificativa de destruir o terrorismo que o Iraque e Saddam representam. Gostaria que o senhor fizesse uma avaliação da historia norte-americana nas guerras e também comentasse sobre o que é considerado terrorismo, de fato, numa guerra imperialista.

 

A "luta contra o terrorismo" hoje, como, ontem, a “luta contra o comunismo" são pretextos de que se servem os Estados Unidos o terrorismo de Estado imperialista para manter seus privilégios de potência, impor seus interesses e quebrar a espinha dorsal dos que ousam se opor ao gangsterismo internacional.


A “pax americana” é a paz dos cemitérios, assim como a “terceira via” de Blair é a via dos mísseis. O patético pistoleiro da Casa Branca, cuja única desculpa num tribunal de Nurembergue é que teve o cérebro seriamente danificado por longos anos de alcoolismo pesado, prossegue sua campanha de injustiça infinita. Bombardeou o Afeganistão, a Palestina, as Filipinas, o Iraque, a Colômbia etc. Dispõe de meios incontrastáveis de destruição maciça e de uma fúria bestial para utilizá-los. Nem ele, nem os calhordas que lhe engraxam o sapato levam a sério a “justificativa” de “destruir o terrorismo que o Iraque e Saddam representariam”.  De que serve argumentar com bandidos que te encostam um míssel na cabeça?

 Na América Latina tivemos, desde o século XIX, o duvidoso privilégio de servir de laboratório ao colonialismo estadunidense: o roubo da metade norte de México, a conquista de Porto-Rico e Cuba, tomadas da Espanha numa guerra cujo pretexto foi uma provocação montada pelos gringos, a do Panamá, subtraído à Colômbia etc. No século XX, a expansão tentacular dos Estados Unidos estendeu-se ao mundo inteiro. Nenhum meio criminoso, da bomba atômica ao financiamento dos piores crápulas, assassinos, torturadores etc., foi deixado de lado.

Entretanto, assim como os traficantes de droga, de tanto pôr a mão na massa acabam tornando-se drogados (quando já não o eram), os intoxicadores também se intoxicam. Senão como compreender, conforme observou um jornalista de Le Monde Diplomatique (n° 542, maio de 1999), que as duas principais armas utilizadas na destruição da Iugoslávia, sob pretexto de impedir a “limpeza étnica” do Kosovo, foram os mísseis “Tomahawk” e os helicópteros “Apache”, nomes de duas tribos “pele-vermelha” exterminadas pelos estadunidenses no século XIX? Cinismo, estultice, mas, sobretudo arrogância sem limites.

A questão das bombas de destruição de massa, como armas biológicas etc, é um desafio internacional muito sério, uma constante ameaça à paz. Desarmar as grandes potências deste aparato todo é possível, de forma pacífica e democrática?

A grandiosa mobilização internacional de 15 de fevereiro de 2003, mostrou o repúdio que a política de guerra de Bush, de seu “poodle” britânico Blair e de Aznar, pequeno excremento do neo-franquismo, também sequioso para chutar cadáveres de iraquianos (aos quais se juntou, na sinistra cúpula dos Açores, o português Durão Barroso, mordomo solícito daqueles três abutres assaltantes do petróleo iraquiano)  inspira à parte mais lúcida e generosa da humanidade. Não há de ser o bastante para deter a mão dos genocidas. “Desarmar as grandes potências” é uma tarefa imensa. A conquista da paz resultará de uma luta prolongada contra o belicismo imperialista. Diferentemente, porém, da mediática hipócrita que finge ser a favor da paz, mas consagra-se principalmente a diabolizar Saddam Hussein e a apresentar a hegemonia estadunidense como inelutável, o movimento anti-imperialista, no qual os comunistas ocupam posição de vanguarda, deve concentrar-se na luta contra o inimigo principal. Não são as “grandes potências” em geral, e sim os Estados Unidos e Grã-Bretanha em particular (ou, como dizem, abanando a cauda, os diferentes veículos do canil mediático, “os aliados”, “as forças coligadas” e outras sabujices do mesmo teor) que estupram povos e ultrajam descaradamente a autoridade da ONU. É contra estes celerados, inimigos da espécie humana, que devemos concentrar nossa luta, cujo objetivo imediato é solidarizar-se com o povo martirizado do Iraque.

Qual o maior problema desta luta?

 A intoxicação é eficaz. Na lista Eskuerra da Internet (cujos participantes, como o nome sugere, são de esquerda), um correspondente sugeriu: “Vocês não acham que seria melhor botar o Bush e o Saddan (sic) num rinque, de calção e luvas de boxe para resolverem essa parada?” É exatamente a mesma visão difundida pela mediática do capital: Estados Unidos X Iraque, como num campeonato de futebol. A mentira é evidente: os Estados Unidos, com sua criminosa covardia, organizaram o massacre do Iraque. Não há rinque nem campeonato nenhum. Por isso, os que, de caso pensado ou por mero desconhecimento, se deixam contaminar pela hipocrisia mediática, contribuindo para diabolizar Saddam Hussein, ajudam a propaganda belicista. Ajudam esta repulsiva escória da espécie humana que são os Bush, Sharon, Blair, Aznar et caterva. 

As mentiras de ontem prepararam as de hoje. No auge de um dos bombardeios norte-americanos sobre Bagdá, promovido em dezembro de 1998 por Clinton com o sórdido objetivo de distrair a opinião pública do processo de "impeachment" que então lhe era movido (por causa de problemas “lingüísticos” na Casa Branca com uma estagiária), um certo Ferran Sales assinou na Folha de São Paulo de 24 de dezembro de 1998, sob o título garrafal  "Saddam monta esquema anti-rebelião" uma “notícia” que merece figurar em bom lugar numa antologia da calhordice jornalística globalizada. Enquanto aquela capital estava sendo criminosamente bombardeada pelos mercenários do Pentágono e a defesa civil iraquiana esfalfava-se, com parcos meios, para apagar incêndios, remover escombros, socorrer feridos, a preocupação do jornalista sabujo era denunciar o “esquema anti-ebelião” do "ditador do Iraque". "A mobilização dessa milícia” (isto é, da defesa civil), “comandada por militares vestidos à paisana, era visível, especialmente de madrugada, quando os mísseis tomahawk explodiam e a cidade parecia deserta”.

Hezbollah, a heróica organização libanesa de resistência à ocupação israelense, é sempre mediaticamente  classificada como terrorista, epíteto que caberia mil vezes mais ao Estado israelense, que tortura sistematicamente militantes palestinos. (Como os agentes da repressão britânica na Irlanda do Norte, que torturam militantes do IRA; sobre o caráter sistemático da tortura de palestinos em Israel, ver "ONU exige que Israel pare com tortura", de Serge Schmemman, publicado em The New York Times  e reproduzido em O Estado de São Paulo de 13 de maio de 1997) e tem sido governado, a maior parte do tempo, por catedráticos do terrorismo, como Begin e Sha­mir, este responsável, junta­mente com Ariel Sha­ron, então chefe do es­tado-maior do exército israelense que havia in­vadido e ocupava o Lí­bano, de parceria com as milícias fascistas do famigerado major Had­dad, pelos atrozes pogroms nas aldeias palestinas de Sabra e Chatila.

Primeiro-ministro israelense de então, Shamir, que como seu predecessor Begin, fizeram sua carreira política em organizações especializadas nas mais sórdidas formas de terrorismo, como o grupo Stern, responsável pela chacina da aldeia palestina de Deir Yacine, em 1947, e pelo assassinato do enviado da ONU à Palestina, o conde sueco Folke Bernardotte, em 1948. (O próprio Ben Gurion, fundador do Estado de Israel, nutria profundo desprezo pelos terroristas do grupo Stern e seus consortes do grupo Yrgun).


Por que os EUA estão tratando de forma mais branda a Coréia do Norte do que o Iraque, mesmo sendo o discurso dela muito mais agressivo à ameaça imperialista norte-americana?

Porque bandidos, piratas e demais saqueadores só respeitam a força. A China Popular, há dois anos, derrubou um avião-espião US que lhe invadira o espaço aéreo. O Império do dólar protestou, ameaçou...,depois deixou tudo por isso mesmo. A Coréia do Norte não é a China, mas tem armas nucleares...

A guerra pelo petróleo, segundo alguns especialistas, é apenas o início da investida americana pelos recursos naturais do planeta, o que colocaria a América Latina, ainda mais na mira do império norte-americano, especialmente o Brasil. O senhor acredita que a investida de Bush pode se intensificar em nosso país (para além da ALCA) por causa da biodiversidade da Amazônia, por exemplo?

Imaginar que o controle e exploração das maiores reservas mundiais de água doce e demais riquezas da Amazônia não esteja nos planos de uma potência que assalta todas as riquezas da terra, é covardia ou inconsciência. 

Que avaliação o senhor faz do governo LULA frente à política internacional nestes tempos de ameaça de guerra?

Não é um governo ativamente pró-imperialista. É um governo frouxo. O primeiro gesto de Lula em relação à Venezuela foi positivo: no auge da sedição reacionária e do lock-out patronal, que tinham conseguido paralisar em larga medida a atividade econômica, notadamente a produção, distribuição interna e exportação de petróleo (que representa cerca de 80% do valor total das exportações venezuelanas) enviou carburante brasileiro para ajudar a enfrentar os sabotadores. O gesto de solidariedade do Brasil não podia deixar de aborrecer o governo estadunidense, que vinha, desde o início, apoiando os sediciosos. Temeroso de parecer favorável demais ao presidente Chávez, Lula, rapidamente, em 15 de janeiro, duas semanas apenas após o início de seu mandato, deu dois passos atrás, anunciando em Quito, onde fora participar da cerimônia de posse de Lucio Gutierrez, a iniciativa ( "sugerida" pela Casa Branca), de criar o chamado "Grupo de Amigos para a Venezuela" (a própria expressão parece traduzida da língua do Império), com o objetivo de encontrar uma solução negociada para o confronto.

Intervir nos assuntos internos de um país, ainda que com intenções apaziguadoras, é sempre uma iniciativa delicada. Sobretudo considerando a composição do "Grupo de Amigos": além do Brasil, que assumia a autoria da iniciativa, os Estados Unidos, o México, o Chile, a Espanha e Portugal. As sugestões de Chávez (Cuba, Rússia, Argélia, França e China) foram todas vetadas. Não é de espantar que o ministro do Exterior de Lula, Celso Amorim, tenha recebido elogios do governo Bush, através de seu secretário Colin Powell, que reconheceu o "leadership" brasileiro na América Latina. Ao tratar em pé de igualdade, como partes conflitantes, o governo legítimo e a sedição reacionária, os "amigos" conferiram reconhecimento internacional a uma facção abertamente empenhada em violar a Constituição venezuelana, que só autoriza um referendum a partir de agosto de 2003.

Tentando justificar sua atitude no mínimo ambígua, Lula declarou aos jornalistas, em Quito:

"Eu fui uma das pessoas que acharam que os EUA deveriam participar. Porque os EUA têm um pensamento diferente do meu, possivelmente mais próximo da oposição do que o meu. Então, se quero negociar, tenho que colocar alguém que pensa diferente de mim [...]. Porque, se colocamos somente amigos da oposição, o governo não aceita, se só amigos do governo, a oposição não aceita".

A explicação é infantil, por duas razões evidentes: (a) o único dos governos integrantes do grupo que, a rigor, pode ser considerado amigo do governo legítimo da Venezuela era o brasileiro; (b) com efeito, era muito difícil evitar a presença dos EUA no grupo, mas não a de alguns de seus fâmulos, notadamente o ultra-reacionário Aznar (que disputa com Blair o título de mais raivoso cão de guarda de Bush). Lula, na verdade, criou (melhor, cumpriu instruções do abutre Colin Powell e de seu patrão o degenerado Bush para criar) o Clube dos Amigos da Onça.

Percebendo imediatamente os riscos da armadilha diplomática em que o envolviam, já que o objetivo maior dos estadunidenses continuaria a ser o mesmo que o da sedição fascista: forçá-lo a renunciar, Chávez veio a Brasília, em 18 de janeiro, pedir a Lula a ampliação do grupo dos "amigos". Não foi atendido. Prisioneiro de sua própria dubiedade política, o governo brasileiro manteve tal qual a composição do grupo. De Brasília o presidente venezuelano dirigiu-se a Porto Alegre, onde foi recebido com entusiasmo pelos participantes do III Fórum Social Mundial. Lá reiterou, com sua costumeira firmeza, que não aceitaria nenhum referendum antes do prazo previsto pela Constituição, mesmo que o "grupo de amigos" recomendasse esta "solução".

Naquele momento, entretanto, graças à determinação do governo e à resistência popular, a greve sediciosa começava a refluir, para exaurir-se no início de fevereiro. No dia 19 deste mês, Carlos Fernandez, "capo" da máfia sindical e um dos principais chefes da sedição, foi preso. Seu principal comparsa, Carlos Ortega, passou à clandestinidade, sem, contudo perder contato com a mediática cripto-fascista. Ao jornal El Nacional disse confiar em que um "grupo de militares" assumirá a defesa da "institucionalidade do país" e em entrevista à TV Globovisión, preconizou "um pronunciamento militar" para a "restituição da ordem democrática".

Cumprindo sua função pretensamente "moderadora", o "grupo de amigos", visivelmente frustrado com o fracasso da sedição e com a prisão de Carlos Hernandez, lançou em 28 de fevereiro um comunicado que certamente integraria qualquer antologia da hipocrisia diplomática: "O grupo preocupa-se com a ocorrência de quaisquer fatos ou atitudes que possam ter influência negativa no processo de criação de confiança entre o governo venezuelano e a oposição". O sentido da recomendação é claro: em vez de punir os golpistas, Chávez deveria continuar a buscar pacientemente a confiança de seus inimigos. Até um novo golpe, sem dúvida...

Da pressão contra a revolução bolivariana também participa ativamente o colombiano César Gaviria, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, cuja tradicional submissão ao "ponto de vista de Washington" é sobejamente conhecida. Sua maior preocupação é que "os direitos individuais dos líderes opositores sejam respeitados". Entre estes direitos, sem dúvida, está o de fomentar sedições.

 Quais as conseqüências da implantação da ALCA para o Brasil?

Do modo como o Império do dólar pretende implantá-la, vai nos transformar num grande Porto-Rico. Seremos (em parte já somos) um grande bordel para turistas gringos. O poeta anti-imperialista Manu Chao já antecipou o quadro em sua música “Wellcome to Tihuana”, irônico comentário da farra imperialista na fronteira mexicana: o gringo se lembra de nós quando quer consumir “tequila, sexo y marijuana”. No Brasil, em lugar da tequila, cachaça; maconha no da marijuana. Quanto ao sexo mercenário, nossos preços desafiam toda concorrência.

 

                                                                                   João Quartim de Moraes