Prezado
Clóvis:
Abaixo, a entrevista. Minhas saudações
JQM
O governo Bush ignora o
clamor de milhões de manifestantes no mundo todo por paz e prossegue com seu
ideal de guerra. Quais as conseqüências desta guerra para o mundo?
Há uma década
atrás, na euforia reacionária suscitada pelo colapso político do bloco
soviético, o vidente F. Fukuyama, então pensador de plantão do Departamento de
Estado do Império do Norte, anunciou que o país do dólar e dos mísseis ditos
inteligentes tornara-se a expressão suprema e final da evolução histórica da
humanidade. Para reforçar estas grandiloqüentes previsões, o presidente Bush
filho, na trilha de seu pai, recorre a métodos mais sólidos do que aquela
filosofia oca, sintetizando-os numa “doutrina” cuja principal diferença em
relação à do “Reich de mil anos” de Adolf Hitler é ter sido formulada em inglês
e não em alemão. Poderá assim realizar
radicalmente as previsões de Fukuyama: aniquilando a espécie humana, ele porá
fim à história. Não que este seja seu propósito, como tampouco era o de Hitler.
Ele pretende aniquilar apenas quem não está com ele. Com efeito, deixando de
lado a retórica, repetitiva e intelectualmente indigente, do inquilino da Casa
Branca, o ponto essencial desta doutrina é que os Estados Unidos, depois da
queda do “Império do Mal” (no léxico singelo de Reagan, a expressão, haurida em
histórias de quadrinhos, designava a União Soviética), não aceitarão nenhum
desafio à incontrastável supremacia militar de que dispõem graças a um
orçamento bélico que, após os fulminantes atentados de 11 de setembro de 2001,
ultrapassou os 300 bilhões de dólares anuais, para se aproximar, com o
desencadeamento da “cruzada internacional contra o terrorismo”, dos 400
bilhões.
Que avaliação o senhor faz da luta pela paz no mundo?
Por que as manifestações contra a guerra foram tão pequenas no Brasil,
principalmente em nossa região, mesmo com ampla convocação das entidades de
classe, sindicatos, CUT e partidos políticos de esquerda? Será que o povo
brasileiro ainda não percebeu o tamanho do conflito internacional e suas
conseqüências para o nosso país?
O maior partido de esquerda do Brasil, o PT, para chamá-lo pelo
nome, tem se mostrado extremamente frouxo na luta contra a guerra imperialista.
Lembremos que a prefeita Marta “Belezura” Suplici, comentando seu contato com o
“terceira-via” Blair, quando este descarado representante da degenerescência
moral e política do trabalhismo britânico por aqui esteve, qualificou-o de
“homem de muito charme”. Lindinho, não? Viam-se, sem dúvida, muitas bandeiras
do PT nas manifestações de 15 de fevereiro e 15 de março em São Paulo. Mas a
desproporção entre o peso eleitoral deste partido e sua presença no combate ao
crime político organizado é flagrante. Chegou a correr um boato de que a
prefeita compareceria. Mas, seja por afeição por Blair, seja por qualquer outra
razão (todas injustificáveis para os anti-imperialistas que votaram nela), não
deu o ar de sua graça. Em compensação, o PCdoB tem cumprido seu dever
internacionalista, como também o PSTU e formações políticas não-partidárias,
como o MST, além de vários sindicatos e as centenas de pequenas organizações,
partidárias ou não, que participaram das marchas contra a guerra imperialista. Na concentração
final das manifestações em São
Paulo, tomaram a palavra representantes do PSB, do PSTU, do PMDB, do PDT e, pelo
PCdoB, o deputado federal Jamil Murad, que esteve no Iraque recentemente.
Ninguém do PT, ao que consta.
Os EUA tentam
seduzir a opinião pública com a justificativa de destruir o terrorismo que o
Iraque e Saddam representam. Gostaria que o senhor fizesse uma avaliação da
historia norte-americana nas guerras e também comentasse sobre o que é
considerado terrorismo, de fato, numa guerra imperialista.
A
"luta contra o terrorismo" hoje, como, ontem, a “luta contra o
comunismo" são pretextos de que se servem os Estados Unidos o terrorismo
de Estado imperialista para manter seus privilégios de potência, impor seus
interesses e quebrar a espinha dorsal dos que ousam se opor ao gangsterismo
internacional.
A “pax americana” é a paz dos cemitérios, assim como a
“terceira via” de Blair é a via dos mísseis. O patético pistoleiro da Casa
Branca, cuja única desculpa num tribunal de Nurembergue é que teve o cérebro
seriamente danificado por longos anos de alcoolismo pesado, prossegue sua
campanha de injustiça infinita. Bombardeou o Afeganistão, a Palestina, as
Filipinas, o Iraque, a Colômbia etc. Dispõe de meios incontrastáveis de
destruição maciça e de uma fúria bestial para utilizá-los. Nem ele, nem os
calhordas que lhe engraxam o sapato levam a sério a “justificativa” de
“destruir o terrorismo que o Iraque e Saddam representariam”. De que serve argumentar com bandidos que te
encostam um míssel na cabeça?
Na América Latina tivemos, desde o século XIX, o duvidoso privilégio de servir de laboratório ao colonialismo estadunidense: o roubo da metade norte de México, a conquista de Porto-Rico e Cuba, tomadas da Espanha numa guerra cujo pretexto foi uma provocação montada pelos gringos, a do Panamá, subtraído à Colômbia etc. No século XX, a expansão tentacular dos Estados Unidos estendeu-se ao mundo inteiro. Nenhum meio criminoso, da bomba atômica ao financiamento dos piores crápulas, assassinos, torturadores etc., foi deixado de lado.
Entretanto,
assim como os traficantes de droga, de tanto pôr a mão na massa acabam
tornando-se drogados (quando já não o eram), os intoxicadores também se
intoxicam. Senão como compreender, conforme observou um jornalista de Le
Monde Diplomatique (n° 542, maio de 1999), que as duas principais armas
utilizadas na destruição da Iugoslávia, sob pretexto de impedir a “limpeza
étnica” do Kosovo, foram os mísseis “Tomahawk” e os helicópteros “Apache”,
nomes de duas tribos “pele-vermelha” exterminadas pelos estadunidenses no
século XIX? Cinismo, estultice, mas, sobretudo arrogância sem limites.
A questão das
bombas de destruição de massa, como armas biológicas etc, é um desafio
internacional muito sério, uma constante ameaça à paz. Desarmar as grandes
potências deste aparato todo é possível, de forma pacífica e democrática?
A grandiosa mobilização internacional de 15 de fevereiro
de 2003, mostrou o repúdio que a política de guerra de Bush, de seu “poodle”
britânico Blair e de Aznar, pequeno excremento do neo-franquismo, também
sequioso para chutar cadáveres de iraquianos (aos quais se juntou, na sinistra
cúpula dos Açores, o português Durão
Barroso, mordomo solícito daqueles três abutres assaltantes do petróleo
iraquiano) inspira à parte mais lúcida e generosa da humanidade. Não há
de ser o bastante para deter a mão dos genocidas. “Desarmar as
grandes potências” é uma tarefa imensa. A conquista da paz resultará de uma
luta prolongada contra o belicismo imperialista. Diferentemente, porém, da
mediática hipócrita que finge ser a favor da paz, mas consagra-se
principalmente a diabolizar Saddam Hussein e a apresentar a hegemonia
estadunidense como inelutável, o movimento anti-imperialista, no qual os
comunistas ocupam posição de vanguarda, deve concentrar-se na luta contra o
inimigo principal. Não são as “grandes potências” em
geral, e sim os Estados Unidos e Grã-Bretanha em particular (ou, como dizem,
abanando a cauda, os diferentes veículos do canil mediático, “os aliados”, “as
forças coligadas” e outras sabujices do mesmo teor) que estupram povos e
ultrajam descaradamente a autoridade da ONU. É contra estes celerados, inimigos
da espécie humana, que devemos concentrar nossa luta, cujo
objetivo imediato é solidarizar-se com o povo martirizado do Iraque.
Qual o maior problema desta luta?
A intoxicação é eficaz. Na lista Eskuerra da Internet (cujos participantes, como o nome sugere, são de esquerda), um correspondente sugeriu: “Vocês não acham que seria melhor botar o Bush e o Saddan (sic) num rinque, de calção e luvas de boxe para resolverem essa parada?” É exatamente a mesma visão difundida pela mediática do capital: Estados Unidos X Iraque, como num campeonato de futebol. A mentira é evidente: os Estados Unidos, com sua criminosa covardia, organizaram o massacre do Iraque. Não há rinque nem campeonato nenhum. Por isso, os que, de caso pensado ou por mero desconhecimento, se deixam contaminar pela hipocrisia mediática, contribuindo para diabolizar Saddam Hussein, ajudam a propaganda belicista. Ajudam esta repulsiva escória da espécie humana que são os Bush, Sharon, Blair, Aznar et caterva.
As mentiras de ontem prepararam as
de hoje. No auge de um dos bombardeios norte-americanos sobre Bagdá, promovido
em dezembro de 1998 por Clinton com o sórdido objetivo de distrair a opinião
pública do processo de "impeachment" que então lhe era movido (por
causa de problemas “lingüísticos” na Casa Branca com uma estagiária), um certo
Ferran Sales assinou na Folha de São Paulo de 24 de dezembro de 1998, sob o título
garrafal "Saddam monta esquema
anti-rebelião" uma “notícia” que merece
figurar em bom lugar numa antologia da calhordice jornalística globalizada.
Enquanto aquela capital estava sendo criminosamente bombardeada pelos
mercenários do Pentágono e a defesa civil iraquiana esfalfava-se, com parcos
meios, para apagar incêndios, remover escombros, socorrer feridos, a
preocupação do jornalista sabujo era denunciar o “esquema anti-ebelião” do
"ditador do Iraque". "A mobilização dessa milícia” (isto é, da
defesa civil), “comandada por militares vestidos à paisana, era visível,
especialmente de madrugada, quando os mísseis tomahawk explodiam e a cidade
parecia deserta”.
Hezbollah, a heróica organização libanesa de resistência
à ocupação israelense, é sempre mediaticamente
classificada como terrorista, epíteto que caberia mil vezes mais ao
Estado israelense, que tortura sistematicamente militantes palestinos. (Como os
agentes da repressão britânica na Irlanda do Norte, que torturam militantes do
IRA; sobre o caráter sistemático da tortura de palestinos em Israel, ver
"ONU exige que Israel pare com tortura", de Serge Schmemman,
publicado em The New York Times
e reproduzido em O Estado de São Paulo de 13 de maio de 1997) e
tem sido governado, a maior parte do tempo, por catedráticos do terrorismo,
como Begin e Shamir, este responsável, juntamente com Ariel Sharon, então
chefe do estado-maior do exército israelense que havia invadido e ocupava o
Líbano, de parceria com as milícias fascistas do famigerado major Haddad,
pelos atrozes pogroms nas aldeias palestinas de Sabra e Chatila.
Primeiro-ministro israelense de
então, Shamir, que como seu predecessor Begin, fizeram sua carreira política em
organizações especializadas nas mais sórdidas formas de terrorismo, como o
grupo Stern, responsável pela chacina da aldeia palestina de Deir Yacine, em
1947, e pelo assassinato do enviado da ONU à Palestina, o conde sueco Folke
Bernardotte, em 1948. (O próprio Ben Gurion, fundador do Estado de Israel,
nutria profundo desprezo pelos terroristas do grupo Stern e seus consortes do
grupo Yrgun).
Por que os EUA estão tratando de forma mais branda a Coréia do Norte do que o
Iraque, mesmo sendo o discurso dela muito mais agressivo à ameaça imperialista
norte-americana?
Porque bandidos, piratas e demais
saqueadores só respeitam a força. A China Popular, há dois anos, derrubou um
avião-espião US que lhe invadira o espaço aéreo. O Império do dólar protestou,
ameaçou...,depois deixou tudo por isso mesmo. A Coréia do Norte não é a China,
mas tem armas nucleares...
A guerra pelo
petróleo, segundo alguns especialistas, é apenas o início da investida
americana pelos recursos naturais do planeta, o que colocaria a América Latina,
ainda mais na mira do império norte-americano, especialmente o Brasil. O senhor
acredita que a investida de Bush pode se intensificar em nosso país (para além
da ALCA) por causa da biodiversidade da Amazônia, por exemplo?
Imaginar que o controle e
exploração das maiores reservas mundiais de água doce e demais riquezas da
Amazônia não esteja nos planos de uma potência que assalta todas as riquezas da
terra, é covardia ou inconsciência.
Que avaliação o senhor faz do governo LULA frente à política internacional nestes tempos de ameaça de guerra?
Não é um governo
ativamente pró-imperialista. É um governo frouxo. O primeiro gesto de Lula em
relação à Venezuela foi positivo: no auge da sedição reacionária e do lock-out
patronal, que tinham conseguido paralisar em larga medida a atividade
econômica, notadamente a produção, distribuição interna e exportação de
petróleo (que representa cerca de 80% do valor total das exportações
venezuelanas) enviou carburante brasileiro para ajudar a enfrentar os
sabotadores. O gesto de solidariedade do Brasil não podia deixar de aborrecer o
governo estadunidense, que vinha, desde o início, apoiando os sediciosos.
Temeroso de parecer favorável demais ao presidente Chávez, Lula, rapidamente,
em 15 de janeiro, duas semanas apenas após o início de seu mandato, deu dois
passos atrás, anunciando em Quito, onde fora participar da cerimônia de posse
de Lucio Gutierrez, a iniciativa ( "sugerida" pela Casa Branca), de
criar o chamado "Grupo de Amigos para a Venezuela" (a própria
expressão parece traduzida da língua do Império), com o objetivo de encontrar
uma solução negociada para o confronto.
Intervir nos
assuntos internos de um país, ainda que com intenções apaziguadoras, é sempre
uma iniciativa delicada. Sobretudo considerando a composição do "Grupo de
Amigos": além do Brasil, que assumia a autoria da iniciativa, os Estados
Unidos, o México, o Chile, a Espanha e Portugal. As sugestões de Chávez (Cuba,
Rússia, Argélia, França e China) foram todas vetadas. Não é de espantar que o
ministro do Exterior de Lula, Celso Amorim, tenha recebido elogios do governo
Bush, através de seu secretário Colin Powell, que reconheceu o
"leadership" brasileiro na América Latina. Ao tratar em pé de
igualdade, como partes conflitantes, o governo legítimo e a sedição
reacionária, os "amigos" conferiram reconhecimento internacional a
uma facção abertamente empenhada em violar a Constituição venezuelana, que só
autoriza um referendum a partir de agosto de 2003.
Tentando justificar sua atitude no mínimo ambígua, Lula declarou aos
jornalistas, em Quito:
"Eu fui uma das pessoas que acharam que os EUA deveriam
participar. Porque os EUA têm um pensamento diferente do meu, possivelmente
mais próximo da oposição do que o meu. Então, se quero negociar, tenho que
colocar alguém que pensa diferente de mim [...]. Porque, se colocamos somente
amigos da oposição, o governo não aceita, se só amigos do governo, a oposição
não aceita".
A explicação é
infantil, por duas razões evidentes: (a) o único dos governos integrantes do
grupo que, a rigor, pode ser considerado amigo do governo legítimo da Venezuela
era o brasileiro; (b) com efeito, era muito difícil evitar a presença dos EUA
no grupo, mas não a de alguns de seus fâmulos, notadamente o ultra-reacionário
Aznar (que disputa com Blair o título de mais raivoso cão de guarda de Bush).
Lula, na verdade, criou (melhor, cumpriu instruções do abutre Colin Powell e de
seu patrão o degenerado Bush para criar) o Clube dos Amigos da Onça.
Percebendo
imediatamente os riscos da armadilha diplomática em que o envolviam, já que o
objetivo maior dos estadunidenses continuaria a ser o mesmo que o da sedição
fascista: forçá-lo a renunciar, Chávez veio a Brasília, em 18 de janeiro, pedir
a Lula a ampliação do grupo dos "amigos". Não foi atendido.
Prisioneiro de sua própria dubiedade política, o governo brasileiro manteve tal
qual a composição do grupo. De Brasília o presidente venezuelano dirigiu-se a
Porto Alegre, onde foi recebido com entusiasmo pelos participantes do III Fórum
Social Mundial. Lá reiterou, com sua costumeira firmeza, que não aceitaria
nenhum referendum antes do prazo previsto pela Constituição, mesmo que o
"grupo de amigos" recomendasse esta "solução".
Naquele momento,
entretanto, graças à determinação do governo e à resistência popular, a greve
sediciosa começava a refluir, para exaurir-se no início de fevereiro. No dia 19
deste mês, Carlos Fernandez, "capo" da máfia sindical e um dos
principais chefes da sedição, foi preso. Seu principal comparsa, Carlos Ortega,
passou à clandestinidade, sem, contudo perder contato com a mediática
cripto-fascista. Ao jornal El Nacional disse
confiar em que um "grupo de militares" assumirá a defesa da
"institucionalidade do país" e em entrevista à TV Globovisión,
preconizou "um pronunciamento militar" para a "restituição da
ordem democrática".
Cumprindo sua função pretensamente "moderadora", o "grupo de
amigos", visivelmente frustrado com o fracasso da sedição e com a prisão
de Carlos Hernandez, lançou em 28 de fevereiro um comunicado que certamente
integraria qualquer antologia da hipocrisia diplomática: "O grupo
preocupa-se com a ocorrência de quaisquer fatos ou atitudes que possam ter
influência negativa no processo de criação de confiança entre o governo
venezuelano e a oposição". O sentido da recomendação é claro: em vez de
punir os golpistas, Chávez deveria continuar a buscar pacientemente a confiança
de seus inimigos. Até um novo golpe, sem dúvida...
Da pressão
contra a revolução bolivariana também participa ativamente o colombiano César
Gaviria, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, cuja
tradicional submissão ao "ponto de vista de Washington" é sobejamente
conhecida. Sua maior preocupação é que "os direitos individuais dos
líderes opositores sejam respeitados". Entre estes direitos, sem dúvida,
está o de fomentar sedições.
Quais as conseqüências da implantação da ALCA para o Brasil?
Do modo como o Império do dólar
pretende implantá-la, vai nos transformar num grande Porto-Rico. Seremos (em
parte já somos) um grande bordel para turistas gringos. O poeta
anti-imperialista Manu Chao já antecipou o quadro em sua música “Wellcome to
Tihuana”, irônico comentário da farra imperialista na fronteira mexicana: o
gringo se lembra de nós quando quer consumir “tequila, sexo y marijuana”. No
Brasil, em lugar da tequila, cachaça; maconha no da marijuana. Quanto ao sexo
mercenário, nossos preços desafiam toda concorrência.
João Quartim de Moraes