Livro
em
inglês
organizado
por
professor
da
Unicamp
lança
diferentes
olhares
sobre
a
arqueologia
Escavando
novos
paradigmas
PAULO
CÉSAR
NASCIMENTO
Nas
Ciências
Humanas,
raros
são
os
exemplos
de
livros
organizados
por
brasileiros,
em língua
inglesa,
voltados
para
um público
internacional.
Por
isso,
Global
Archaeological
Theory,
Contextual
voices
and
contemporary
thoughts
(“Teoria
Arqueológica
Global,
vozes
contextuais
e
pensamentos
contemporâneos”),
que
acaba
de
ser
lançado
pela
editora
Kluwer/Plenum,
de
Nova
Iorque,
é
original
e
inovador.
Organizado
pelo
professor
da
Universidade
Estadual
de
Campinas
(Unicamp),
Pedro
Paulo
Funari,
pelo
pesquisador
argentino
Andrés
Zarankin
e
pela
professora
norte-americana,
Emily
Stovel,
a
obra
tem
o mérito
de
ser
a
primeira
a
propor
um
olhar
sobre
a
teoria
arqueológica
descentrado
do
tradicional
foco
anglo-saxão
que
permeia
a
grande
maioria
das
publicações
de
referência
no
segmento.
Embora
nas
380
páginas
do
volume
predominem
autores
latino-americanos,
não
se
trata
de
uma
coletânea
de
estudos
sobre
o
continente
e
voltado
para
estudiosos
do
Brasil
e de
países
vizinhos.
Ao
contrário:
destinada
também
ao público
norte-americano
e
europeu
aborda,
com
pontos
de
vista
alternativos,
questões
epistemológicas
de
fundo,
de
interesse
e de
ambição
universal.
O
livro
começou
a
ser
gestado
em
1998,
quando
Funari,
com
apoio
da
Fundação
de
Amparo
à
Pesquisa
do
Estado
de São
Paulo
(Fapesp)
–
que
também
financiou
parcialmente
a
publicação
da
obra
–
organizou
a
“Primeira
Reunião
de
Teoria
Arqueológica
na
América
do
Sul”,
em
Vitória
(ES),
encontro
pioneiro
e
que
originou
encontros
posteriores
na
Argentina
e na
Colômbia.
As
atas
do
congresso
foram
publicadas
em
português
pelo
Museu
de
Arqueologia
e
Etnologia
da
Universidade
de São
Paulo
dois
anos
depois
e o
trabalho
mostrou-se
potencialmente
promissor
para
ganhar
uma
versão
internacional,
já
que,
entre
os
autores
dos
papers,
havia
respeitados
pesquisadores
dos
EUA
e da
Europa.
“A
idéia
da
publicação
de
um
volume
em
inglês
encontrou
boa
acolhida
nos
Estados
Unidos
e na
Europa,
na
medida
em
que
o
volume
congregaria
não
apenas
estudiosos
daqueles
centros,
como
da
América
Latina.
O
projeto
do
volume
consistia,
assim,
em
contar
com
autores
dos
grandes
centros
em
diálogo
com
estudiosos
atuantes
na
América
Latina”,
relata
Funari,
coordenador
do
Grupo
de
Pesquisa
de
Arqueologia
Histórica
sediado
no Núcleo
de
Estudos
Estratégicos
(NEE)
da
Unicamp.
A
obra
agora
publicada
reúne
estudos
arqueológicos
de
24
autores
–
alguns
participantes
dos
encontros
na
América
do
Sul
e
outros
convidados
a
contribuir
especificamente
para
a
publicação
–
e
rompe
com
as
dicotomias
tradicionais,
que
separam
os
estudiosos
em
categorias
estanques:
teóricos,
pré-historiadores,
classicistas
e
arqueólogos
do
mundo
moderno.
Os
editores
consideram
a
arqueologia
uma
reflexão
crítica
sobre
a
cultura
material,
em
qualquer
época
e
lugar,
e
nesse
sentido,
preocuparam-se
em
reunir
estudiosos
e
campos
que,
normalmente,
não
se
comunicariam
entre
si.
Os
organizadores
propuseram
cinco
grandes
temas:
teoria
arqueológica,
teoria
arqueológica
e os
métodos
em ação,
espaço
e
poder
na
cultura
material,
imagens
como
discurso
material
e
construção
do
discurso
arqueológico.
No
campo
teórico,
escreveram
os
editores
do
volume
(Funari,
Zarankin
e
Stovel),
o teórico
britânico
Julian
Thomas,
o
sueco
Hakan
Karlsson,
o
professor
da
USP
Norberto
Guarinello,
o
professor
gaúcho
José
Alberione
dos
Reis
e os
argentinos
Irina
Podgorny,
Maria
Dolores
Tobias
e Máximo
Farro.
Os
diversos
autores
trataram
da
cultura
material
como
discurso
e prática
científica,
a
partir
de
diferentes
pontos
de
vista,
mas
sempre
em
uma
atitude
reflexiva
sobre
a própria
disciplina.
Teoria
e métodos
em ação
foram
abordados
pelo
arqueólogo
americano
Charles
Orser
Jr.,
pelo
britânico
Benjamin
Alberti
e
por
Emily
Stovel,
assim
como
por
Funari,
pelo
argentino
Gustavo
Politis
e
por
Francisco
Noelli,
professor
da
Universidade
Estadual
de
Maringá
(PR)
e
conhecido
estudioso
dos
guaranis.
O
uso
da
teoria
de
rede
para
tratar
do
mundo
moderno,
por
Orser,
encontrou
contraponto
na
busca
pelas
especificidades
dos
contextos
históricos
e no
contraste
entre
as
colonizações
portuguesa
e
espanhola,
por
Funari,
e na
contextualização
dos
papéis
sexuais,
por
Alberti.
Politis,
Stovel
e
Noelli
tratam
das
identidades
sociais.
O
estudo
do
espaço
e
das
relações
de
poder,
a
partir
da
cultura
material,
conta
com
quatro
trabalhos
argentinos
(elaborados
por
Marisa
Lazzari,
Feliz
Acuto,
Andrés
Zarankin,
Maria
Ximena
Senatore),
centrados
na
interpretação
do
espaço
como
campo
de
relações
de
poder.
Os
estudos
de
caso
vão
dos
incas
(Acuto),
ao século
XVIII
argentino
(Senatore),
passando
pelo
formativo
argentino
(Lazzari)
e
pelo
estudo
da
arquitetura
escolar
capitalista
(Zarankin).
Dois
estudiosos
atuantes
no
Brasil
voltam-se
para
o
uso
das
imagens
como
discurso
material:
o
veterano
arqueólogo
francês
André
Prous
e o
professor
da
UFRJ
e
colaborador
da
Unicamp,
André
Leonardo
Chevitarese,
com
um
estudo
sobre
a
cerâmica
ática.
A
construção
do
discurso
arqueológico
conta
com
um
capítulo
escrito
pelo
arqueólogo
norte-americano
Randall
McGuire
e
pelo
venezuelano
Rodrigo
Navarrete,
sobre
a
relação
entre
os
pensamentos
críticos
nos
Estados
Unidos
e na
América
Latina,
seguido
de
estudo
de Lúcio
Menezes
Ferreira
sobre
a
representação
do
indígena
no
Brasil
imperial
e de
estudo
sobre
o
mesmo
tema
no
início
do século
XX,
pela
brasileira
Ana
Piñon.
O
volume
conclui
com
um
comentário
do
teórico
britânico
Matthew
Johnson.
“A
proposta
foi
desconstruir
a
concepção
monolítica
de
arqueologia
e
revelar
a
pluralidade
de
idéias
que
podem
existir
sobre
o
tema”,
salienta
Zarankin,
arqueólogo
e
docente
do
Instituto
Multidisciplinar
de
História
e Ciências
Humanas,
de
Buenos
Aires
(Argentina).
Global
Archaeological
Theory
pode
ser
comprado
pelo
site
por
US$
129
(exemplar
com
capa
dura)
e
US$
59,95
(capa
simples).