PROJETO DE PESQUISA
ARQUEOLOGIA E HISTÓRIA RURAL DA ÁTICA NO PERÍODO ARCAICO
Prof.
Dr. André Leonardo Chevitarese 1999
Abreviaturas Utilizadas ao Longo do Projeto.
ABSA
- The Annual of the
British School at Athens.
London, Univ. of London, Institute of Classical Studies.
AE
-
ARCAIOLOGIKH EFHMERIS.
EN AQHNAIS, PERIODIKON THS EN AQHNAIS ARXAIOLOGIKHS ETAIREIAS.
AJAH
- American Journal of Ancient History. Cambridge, Mass.,
Robinson Hall, Harvard University.
BCH
- Bulletin de Correspondence Hellénique. Paris, de
Boccard.
Chiron
- Chiron. Mitteilungen der Kommission für alte Geschichte
und Epigraphik des Deutschen Archäologischen Instituts. München,
Beck.
CJ
- The Classical Journal. Athens, Ga., University of
Georgia.
ClAnt
- Classical Antiquity. Berkeley, University of California
Press.
CQ
- The Classical Quarterly. Oxford, Oxford University
Press.
CVA
- Corpus Vasorum Antiquorum. Union Académique
Internationale.
Eirene
- Eirene: studia Graeca et Latina.
Praha, Ceskoslovenská Akad. Véd.
G&R
-
Greece and Rome.
Oxford, Clarendon Press.
Hesperia
- Hesperia: journal of the American School of Classical
Studies at Athens. Athens, American School of Classical Studies.
JHS
- The Journal of Hellenic Studies. London, Soc. for the
Promotion of Hellenic Studies.
Klio
- Klio: beiträge zur alten Geschichte.
Berlin, Akademie - Verlag.
Ktèma
- Ktèma: civilizations de l’Orient, de la Grèce et de
Rome Antiques.
Strasbourg, Centre de Recherche sur le Proche-Orient et la Grèce
Antique et Groupe de Rech. d’Histoire Romaine.
OJA
-
Oxford Journal of Archaeology.
Oxford, Blackwell.
Opus
- Opus: rivista internazionale per la storia economica e
sociale dell’antichità. Roma, Opus, Cas. Post. 13157.
REA
- Revue des Études Anciennes. Talence, Domaine Univ.,
Sect. d’Histoire.
RH
- Revue Historique. Paris, Presses Universitaires de
France.
RMAE
- Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia. São Paulo,
Universidade de São Paulo.
Teiresias
- Teiresias: a review and continuing bibliography of
Boiotion Studies. Montreal, McGill University.
Topoi (Lyon)
- Topoi: Orient - Occident.
Lyon, Univ. de Lyon II, Maison de l’Orient Mediterranéen.
Paris, de Boccard.
PROJETO DE PESQUISA
1. Título.
Arqueologia e História Rural da Ática no Período Arcaico.
2. Ementa.
Elaborar um modelo explicativo acerca do significativo abandono
da temática rural, particularmente na passagem da cerâmica ática
de figuras negras para a de figuras vermelhas, entre o fim do
período arcaico e o segundo quartel do quinto século, a partir
de uma interpretação analítica dos textos antigos e dos
vestígios materiais.
3.
Apresentação da Problemática.
A pesquisa procura investigar um fenômeno muito pouco
desenvolvido, porém de grande interesse para o especialista
contemporâneo que se dedica ao estudo da sociedade políade
grega. Trata-se de uma análise que busque explicar a mudança
temática ocorrida entre o final da época arcaica e início da
clássica, ao nível das representações imagéticas rurais.
Seguindo por este caminho, duas questões conduzirão esta
pesquisa: porque um certo tipo de imagem rural, utilizada nos
vasos áticos de figuras negras, desaparecerá na virada do sexto
para o quinto século antes de Cristo?
Porque outros temas rurais, não trabalhados no período arcaico,
serão introduzidos na primeira metade do quinto século em vasos
áticos de figuras vermelhas?
A análise que nos propomos a fazer é resultado direto das
conclusões produzidas pela minha tese de doutorado, defendida em
1997.
Ao longo daquela pesquisa, quando da elaboração do catálogo de
cenas rurais nos vasos áticos de figuras vermelhas, pude
constatar,
muito embora não tenha ido além da constatação, já que não era
este o objeto do meu estudo, a ausência de diversos temas
ligados à khóra ateniense trabalhados pelos pintores ao
longo do período temporal anterior à organização do meu
catálogo, isto é, no sexto século. Para o período arcaico foram
identificados doze temas rurais, dos quais apenas cinco
conheceram uma continuação na época posterior. Assim sendo, sete
temas marcadamente rurais foram completamente abandonados pelos
pintores áticos ao longo de todo o período clássico.
Torna-se pertinente, neste sentido, a elaboração de uma pesquisa
que permita explicar o porque desta seleção de temas rurais
entre os pintores de vasos áticos. Para que ela possa atingir os
seus objetivos, no entanto, é necessário estabelecer dois pontos
básicos. O primeiro deles é proceder a um levantamento exaustivo
no Corpus Vasorum Antiquorum e na vasta bibliografia
especializada, como forma de organizar um catálogo de cenas
rurais nos vasos áticos de figuras negras. Esta tarefa tem por
objetivo organizar e controlar melhor os inúmeros dados
provenientes deste tipo de documentação. O segundo ponto é o de
inserir este catálogo no interior do quadro histórico e
arqueológico da Atenas arcaica. Esta etapa implica também uma
leitura exaustiva dos textos antigos e dos relatórios parciais
ou finais de escavações realizadas no território rural ático, no
particular, e das póleis gregas, no geral. Este ponto já
está bem adiantado, tendo em vista que, durante a elaboração da
minha tese de doutorado, a maior parte desta documentação havia
sido lida. Com a elaboração destes dois pontos, será possível
organizar diferentes níveis de análise, entre as quais
destacamos:
1. estabelecer uma organização metodológica entre os catálogos
de cenas rurais dos vasos áticos de figuras negras e vermelhas
(este último já organizado), ao nível:
1.1. dos temas que permaneceram;
1.2. dos temas que desapareceram;
1.3. das mudanças (se é que elas existiram) das técnicas
agrícolas, como por exemplo: dos instrumentos utilizados para
colheita de frutas, para a pesca; dos diferentes tipos de prensa
usadas para a fabricação do azeite, da farinha e do vinho; dos
instrumentos agrários utilizados pelos camponeses.
2. verificar, através do local de achado do vaso ático (quando
este dado for disponível):
2.1. a circulação de temas rurais no interior da pólis
ateniense e nas regiões da bacia Mediterrânica e do Mar Negro;
2.2. quem poderia ser o possível cliente para este tipo de
repertório imagético;
2.2.1. haveria algum tipo de objetivo para que temas tão
específicos e corriqueiros da vida cotidiana ática, como
deveriam de ser os diversos aspectos da vida rural, fossem
produzidos pelos pintores áticos de figuras negras.
3. como estavam distribuídos, ao nível da classificação dos
vasos, os temas rurais ao longo do período arcaico.
Os diferentes elementos apontados acima, quando analisados no
seu todo, permitem uma aproximação maior daquelas duas questões
chaves observadas anteriormente, as quais precisam ainda ser
respondidas pelas pesquisas atuais: porque um certo tipo de
imagem rural, utilizada nos vasos áticos de figuras negras,
desaparecerá na virada do sexto para o quinto século? Porque
outros temas rurais, não trabalhados no período arcaico, serão
introduzidos na primeira metade do quinto século em vasos áticos
de figuras vermelhas?
4. Critério de Relevância.
4.1. A Relevância Científica.
Considerando que o interesse dos arqueólogos e historiadores
pelo território das póleis gregas é um fenômeno recente,
principalmente se comparado com os trabalhos largamente
desenvolvidos no âmbito das instituições, dos cemitérios e dos
santuários ligados ao espaço urbano, esta pesquisa situa-se na
ponta das atuais investigações desenvolvidas pelos principais
centros de estudos do mundo. A nossa pesquisa adquire uma
relevância significativa, neste sentido, já que ela se propõe a
analisar um objeto muito pouco desenvolvido pela historiografia
contemporânea, abrindo novos espaços para futuras pesquisas ao
nível de pós-graduação.
5. Critério de Viabilidade.
5.1. Recursos Materiais.
A viabilidade do projeto assenta na existência de parte da
documentação arqueológica, particularmente, aquela relacionada à
coleção do Corpus Vasorum Antiquorum, a qual nós
possuímos um número significativo que está espalhado em quatro
bibliotecas brasileiras (no Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional;
em São Paulo: Biblioteca Municipal Mário de Andrade, Biblioteca
do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São
Paulo, Biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
da Universidade de Campinas) e da documentação textual antiga em
inúmeras bibliotecas do país. Deve ser acrescentado que, com o
atual avanço de redes de informática, dispomos de um número
ainda maior de documentos antigos através da internet. Com
relação aos periódicos e a bibliografia contemporânea, as
bibliotecas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São
Paulo, bem como, a biblioteca do Instituto de Filosofia e
Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro
oferecem um acerco bastante significativo, proporcionando um
excelente ponto de partida para as pesquisas em antigüidade
grega. Posteriormente, ao levantamento sistemático e exaustivo
da documentação disponível no Brasil, pretendemos ir à Escola
Francesa de Atenas, que ao longo dos seus mais de cento e
cinqüenta anos, apresenta uma acervo documental que dispensa
comentários. Neste centro de pesquisa, objetivaremos completar
as nossas leituras, bem como analisar o material epigráfico
pertinente à nossa pesquisa. Devem ser acrescentados, ainda, os
contatos que venho estabelecendo com uma grande especialista
francesa na área de arqueologia rural grega, Michèle Brunet, da
Universidade Paris I. A referida professora tem me ajudado
bastante, através das suas contribuições críticas, se colocando,
desde já, disponível, para futuras orientações de pesquisa.
5.2. Tempo Disponível para a realização da Pesquisa.
Como professor do Departamento de História, do Instituto de
Filosofia e Ciências Sociais, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, disponho de Dedicação Exclusiva. Neste sentido,
consagro as minhas horas livres exclusivamente à pesquisa.
6. Objetivos do Projeto.
Construir uma análise explicativa, a partir dos textos antigos e
dos vestígios materiais, acerca das mudanças temáticas ocorridas
entre o final do período arcaico e o segundo quartel do
clássico, ao nível das representações imagéticas rurais nos
vasos áticos.
7. Hipóteses de Trabalho.
7.1. As reformas política e econômica propostas por Sólon deixam
transparecer uma pólis ateniense ainda em processo de
integração, com forte ênfase nas atividades rurais.
7.2. A variedade e quantidade de cenas rurais na cerâmica ática
de figuras negras fazem parte do programa político, econômico,
social e ideológico de integração dos espaços rural (khóra)
e urbano (ásty) desenvolvido pelos pisístrades.
7.3. As reformas políticas propostas por Clístenes produziram
muito pouco impacto na mudança de tratamento do espaço rural
pelos pintores áticos.
7.4. A derrota persa para os gregos e a construção do império
marítimo ateniense trouxeram a valorização do espaço urbano (ásty)
em detrimento do espaço rural (khóra), implicando a
passagem de uma seqüência lenta de distanciamento para um
processo acelerado de abandono da temática rural da cerâmica
ática, a partir da segunda metade do quinto século.
8. Teoria e Método.
8.1. Teoria.
O período arcaico ateniense está diretamente relacionado aos
nomes de Sólon, Pisístrato e Clístenes. Cada um deles, em
momentos específicos, ao longo do sexto século, vai intervir na
sociedade, como agentes políticos, propondo um conjunto de
medidas com o intuito de superar situações extremamente tensas
que, se já não caracterizavam, caminhavam muito rapidamente para
a guerra civil.
As ações colocadas em prática, pelos respectivos agentes
públicos, deixam transparecer uma sociedade predominantemente
rural, onde o calendário que regulava a vida no seu interior
estava baseado nas atividades agrícolas, onde a terra era
exclusiva do cidadão e onde o proprietário fundiário gozava de
um importante status sócio-político, econômico e ideológico no
interior da sociedade ateniense.
As posições assumidas na parte final do parágrafo anterior, em
particular, aquelas que destacam uma Atenas marcadamente rural,
com forte ênfase na terra e nas diferentes atividades
desenvolvidas na khóra, definem duas questões de natureza
distintas. A primeira delas, de cunho mais histórico, atribui às
elites, com longa tradição, prestígio e interesse no espaço
rural, uma participação destacada no gerenciamento da pólis,
encaminhando propostas políticas de acordo com os seus
interesses de grupo, em detrimento de outros setores,
principalmente os camponeses e a população citadina, centrada na
atividade comercial e na artesanal.
A segunda questão é de ordem teórica, já que aponta a pesquisa
em direção à uma posição marcadamente primitivista.
Esta escolha é o resultado direto de um conjunto de questões
formuladas por autores afinados com esta proposta teórica. Elas
nos permitem conceber melhor a realidade histórica que estamos
tratando.
De imediato, seria oportuno destacar dois importantes postulados
teóricos esboçados por estes autores. Estes postulados falam de
diferenças entre as sociedades situadas no período anterior e
posterior da revolução industrial e da consolidação do
capitalismo. Estas diferenças trazem à tona especificidades
presentes nas sociedades pré-capitalistas, em particular, na
sociedade arcaica ateniense, que é aquela que nos interessa, que
não podem ser esquecidas ou negligenciadas pelas excessivas (e
muitas vezes simplificadas) generalizações históricas. Estas
diferenças podem ser agrupadas em duas importantes questões: de
imediato, a inexistência de uma palavra, no antigo grego, que
viesse a designar o conceito de economia, tal qual concebemos
nos dias de hoje. A segunda questão diz respeito à falta de uma
economia de mercado em sociedades anteriores ao advento do
capitalismo. Analisemos, em separado, cada uma delas.
Para o caso da inexistência de um termo no antigo grego que
viesse a designar o conceito de economia, como foi concebido a
partir da modernidade, seria oportuno começarmos pelo próprio
significado de
oi*konomi?a,
palavra grega que originou o vocábulo economia. De acordo com
Wartelle, responsável pela tradução francesa e comentários da
obra
Oi*konomikovV,
do corpus aristotélico,
ela se compõe etimologicamente de dois elementos: o primeiro,
oi!koV,
cujo significado vai além daqueles significados expressos pelos
termos
oi*kiva
ou
dw`ma.
A ênfase, neste caso, reside fortemente no conjunto dos bens que
a família possui e não apenas no local de habitação.
O segundo elemento, prossegue Wartelle, corresponde ao verbo
nevmein
que significa administrar, gerir, dirigir, regulamentar,
administrar e organizar.
A palavra
oi*konomiva
adquire, neste sentido, o significado de gerir, dirigir,
administrar [...] o conjunto de bens possuídos privadamente por
uma dada família. De acordo com Wartelle, esta palavra parece
ter sido empregada pela primeira vez, no sentido definido acima,
por Xenofonte no seu tratado denominado
Oi*konomikovV.
Verifica-se, nesta obra, que o seu objetivo era o de ser um guia
prático para os proprietários fundiários, principalmente para
aqueles mais ricos. O referido tratado, diferentemente do que
poderíamos ser levados a pensar, a partir dos próprios títulos
das traduções modernas (The Oeconomicus; Économique, O
Econômico), tem como fundo narrativo, uma forte ênfase no campo
da moral e da ética, mas, não no da esfera econômica.
A falta de um vocábulo, como bem observou Moses Finley, não quer
dizer que os gregos não “trabalhavam a terra, negociavam,
fabricavam objetos, escavavam as minas, decretavam impostos,
depositavam dinheiro e faziam empréstimos, tinham lucros ou
entrevam em falência”.
Esta ausência seria decorrência da integração do processo
econômico em instituições extraeconômicas
ou a não combinação das atividades especificadas acima em um
sistema diferenciado de sociedade.
Constata-se, portanto, que o conceito moderno de economia, visto
enquanto um sistema autônomo e subordinador dos demais sistemas
e subsistemas constitutivos das sociedades contemporâneas, não
existe fora do âmbito do sistema capitalista. Em sociedades
anteriores ao seu advento, a economia é parte integrante e
interdependente dos demais sistemas e subsistemas, estando mesmo
subordinada aos fatores políticos, sociais, culturais, jurídicos
e ideológicos.
A segunda questão diz respeito à inexistência de uma economia de
mercado em sociedades anteriores ao advento do capitalismo. Karl
Polanyi a definiu como sendo uma estrutura institucional ou um
sistema auto-regulável de mercados.
O referido autor reconhece tímidos começos ou uma instituição
bastante instável de transações de mercado no mundo antigo grego,
destacando a própria ágora ateniense que, na época de
Aristóteles, teria sido um dos primeiros a ser criado.
Com relação à pólis ateniense, em termos mais atuais, a
historiografia tende a reconhecer a existência de mercados
apenas na ásty, no porto do Pireu e na região mineira do
Soúnion. A quase totalidade do território ático, no entanto,
caracterizou-se por uma ausência notável de evidências materiais
que indicassem a presença de mercados locais.
Os três mercados citados acima, no entanto, devem ser
compreendidos num raio de ação local, não indo muito além dos
seus próprios marcos fronteiriços. O que não deve ser perdido de
vista, no entanto, é que uma economia dirigida pelos preços do
mercado e nada além dos preços de mercado estava longe de ser a
realidade da pólis ateniense, principalmente no período
arcaico, momento histórico em que a nossa pesquisa está situada.
Moses Finley foi mais longe, propondo, inclusive, como hipótese
de seu trabalho que um tipo de economia calcada em tais
pressupostos nunca surgiu na antigüidade, tendo em vista que a
“sociedade nunca possuiu um sistema econômico que fosse uma
enorme conglomeração de mercados interdependentes”.
Logo, economia de mercado está diretamente associada com o
advento e o posterior desenvolvimento do capitalismo.
Em vista da especificidade que as sociedades anteriores ao
advento do capitalismo apresentam, é necessário controlar as
possíveis generalizações, bem como perceber uma série de
questões presentes no período arcaico ateniense, as quais serão
extremamente importantes para o nosso objeto de pesquisa.
Buscaremos especifica-las a partir de dois grupos.
a. Constata-se uma forte vinculação entre o conceito de
liberdade e o de auto-suficiência da pólis e do
polítes. A verdadeira eleuthería estaria diretamente
relacionada com a plena autárkeia. Liberdade e
auto-suficiência proporcionariam a eudaimonía, não no
sentido restrito do termo felicidade mas, na sua concepção mais
ampla, capaz de proporcionar uma vida feliz ao corpo cívico,
logo a todo o Estado. Observa-se, portanto, que o sentido dado à
palavra pólis acaba se equivalendo ao termo autárkeia,
já que o objetivo final da primeira seria o de alcançar a
segunda. A relação de equivalência, neste sentido, redimensiona
o conceito de pólis, transformando-o em um conjunto de
bens auto-suficientes que visam proporcionar o bem-estar dos
cidadãos. Este redimensionamento sugere, portanto, que todos os
bens de um dado território, principalmente a terra, pertencem à
comunidade, logo sendo propriedade exclusiva do corpo cívico.
Assim sendo, apenas o cidadão terá garantido o direito de
propriedade no interior da pólis, enquanto que, para
todos os demais membros da comunidade, salvo por decisão da
ekklesía, durante o período clássico, tal prerrogativa será
vedada. O Estado deverá proporcionar a cada cidadão o direito de
usufruir dos bens disponíveis no território, dotando-o, desta
forma, com os meios necessários para alcançar a
auto-suficiência.
A idéia do bem-estar ser proporcionado ao cidadão pelo Estado,
em oposição à sua simples existência, está presente nas obras de
Aristóteles. Ela goza de um papel de extrema importância na sua
doutrina política e ética, já que ela visa demonstrar que a
condição de bem-estar é a mesma que pertencer a pólis.
Deve ser observado, no entanto que mesmo para Aristóteles, que
tanto insistiu na análise deste objeto, o pressuposto da
auto-suficiência, responsável por gerar uma vida feliz, deve ser
observado sob o ponto de vista de um ideal que toda a comunidade
políade deve alcançar.
Há uma passagem no texto de Tucídides que, se acrescida aos
pressupostos enunciados acima, possibilitará entrevermos o tipo
de homem forjado no seio da cultura arcaica ateniense. Antes,
porém, citemos a passagem:
“Por causa, então, da sua longa vida de independência (au*tonovmw/)
no espaço rural (cwvran),
a maioria dos atenienses, desde os tempos imemoriáveis e dos
seus descendentes até o início desta guerra, por força do
hábito, mesmo depois da sua união política com o espaço urbano (xunw/kivsqhsan),
continuou a viver, com suas famílias, no campo onde eles tinham
nascido. Não lhes foi fácil, portanto, abandonar os lares, ainda
mais porque haviam reparado pouco tempo antes os danos
ocasionados pelas guerras com os persas. Deixavam para trás,
abatidos e entristecidos, suas casas (oi*kivaV)
e seus objetos e lugares sagrados (i&eraV)
- herdados do antigo modo de vida dos seus pais (e*k
th~V
kataV toV a*rcai~on politeivaV
pavtria)
- e, ao renunciarem à sua maneira de viver, era como se cada um
deles estivesse privado de sua cidade (povlin).”
Esta longa passagem se insere no momento de evacuação de uma
parte da população rural do território ático em direção à
ásty. O seu contexto histórico é o início da guerra do
Peloponeso. Ela fornece interessantes indícios sobre o modo de
vida que os atenienses levavam desde os tempos antigos, um tempo
quase imemoriável. A citação fala da intimidade que a maior
parte dos habitantes da Ática tinha com o espaço rural e da sua
expectativa de vida ligada à terra. A colocação de Tucídides se
aproxima, portanto, daquela visão apresentada por Aristóteles
quase um século depois. A sua diferença, ou melhor, o elemento
novo que ela trás consigo é a menção feita aos objetos e lugares
sagrados tão próximos dos atenienses. Tomando pois este último
elemento e acrescentando a relação entre propriedade fundiária e
cidadania apresentada por Aristóteles, podemos caracterizar o
homem da época arcaica (e clássica) ateniense como um ser social
e político, movido por um forte sentimento religioso. Ele tem na
família, na busca pela auto-suficiência e sobrevivência do seu
oi#koV,
na sua intimidade com o religioso e no seu envolvimento com o
público a sua base de ação e de inserção no universo políade.
Ele é muito diferente, portanto, daquele homem descrito por Adam
Smith, segundo o qual estaria propenso para a barganha, a
permuta e a troca de uma coisa pela outra. Como bem observou
Karl Polanyi, este tipo de ser humano seria fruto exclusivo do
capitalismo, tendo em vista que a sua caracterização é
exclusivamente econômica.
b. A existência de fortes relações interpessoais presentes no
cotidiano arcaico (e clássico) ateniense. A força motriz que as
impulsionaria seria não apenas os fatores econômicos, como,
também aqueles extraeconômicos. Elas parecem estar apoiadas em
duas bases distintas: a primeira delas seria a reciprocidade.
Este tipo de relação perpassa os campos da amizade, da
vizinhança e do parentesco. Deve ser observado, porém, que estes
campos interagem a partir dos valores de honra e vergonha;
a segunda base estaria assentada nos valores assimétricos entre
indivíduos com status diferentes na sociedade arcaica (e
clássica) ateniense. Tais relações não devem ser pensadas a
partir do binômio cidadão / escravo, mas, preferencialmente, a
partir de um outro, qual seja, entre cidadão / cidadão. Esta
última situação pode ser plenamente visualizada no âmbito da
patronagem.
Ao estabelecermos a caracterização da sociedade arcaica
ateniense, definimos também aqueles elementos que julgamos mais
relevantes, sob o ponto de vista da leitura, que devam ser
levantados na documentação antiga. Quanto a forma e a maneira de
levantarmos estes dados e o tratamento dispensados para a sua
organização, veremos a seguir.
8.2. Método.
A pesquisa propõe analisar os textos antigos e os vestígios
materiais da Atenas arcaica com o objetivo de compreender e
explicar dois questionamentos: porque um certo tipo de imagem
rural, utilizada nos vasos áticos de figuras negras, irá
desaparecer na virada do sexto para o quinto século? Porque
outros temas rurais, não trabalhados no período arcaico, serão
introduzidos na primeira metade do quinto século nos vasos
áticos de figuras vermelhas?
Começaremos, de imediato, a fazer uma análise crítica dos textos
antigos. Esta análise pressupõe diferentes etapas, indo desde o
levantamento de informações e indícios relativos ao mundo rural,
até o cruzamento dos dados obtidos das várias leituras da
documentação literária. Neste momento, procederemos a seleção
das informações obtidas. A seguir faremos uma análise minuciosa
dos vestígios materiais relativos ao período por nós delimitado.
Esta análise permitirá classificar os diferentes tipos de
vestígios, identificar o seu local de achado (quando isto for
possível), estudar a aplicação da técnica agrícola através das
comparações realizadas entre os utensílios agrícolas encontrados
e as suas representações nos vasos áticos, a fim de perceber ou
não variações no desenvolvimento da técnica no corte temporal
estabelecido pela pesquisa. Por fim, buscaremos comparar os
dados advindos dos textos antigos e dos vestígios materiais.
Esta é uma necessidade básica, levando-se em consideração o
conjunto extremamente reduzido de informações sobre o mundo
rural legado pelos autores antigos gregos. Apesar de ser uma
exigência, devemos buscar um controle efetivo desta
transdisciplinaridade, a fim de preservar as especificidades da
História e da Arqueologia.
Por mais óbvio que pareça esta necessidade de se utilizar a
Arqueologia como um importante caminho para a obtenção de
valiosas informações, Greene demonstrou recentemente que o óbvio
muitas vezes não se materializa em termos de uma exigência. Este
pesquisador observou que um dos mais importantes objetivos do
seu livro era aumentar o conhecimento crítico dos trabalhos dos
arqueólogos entre os não arqueólogos.
Deve ser observado, no que diz respeito especificamente aos
vasos áticos de figuras negras, que iremos seguir de perto o
modelo de classificação, análise e interpretação proposto por
Malagardis. Ela trabalhou quase que exclusivamente com este tipo
de cerâmica, estabelecendo os principais tópicos sobre o mundo
rural ático durante o período arcaico. Os temas que ela
identificou foram: cenas pastoris, de caça, de caça aos
pássaros, de pesca, de lavrar e de semear os campos, de
fabricação de farinha e do pão, de culturas arbustivas, de
colheita das oliveiras, de fabricação do azeite, de vindimas e
do pisoamento das uvas, de colheita de frutas e de apicultura. O
que desejamos é o mesmo que Malagardis desejava, isto é, através
da utilização dos vasos áticos de figuras negras e suas imagens:
“[...] tentar lançar simplesmente alguma luz sobre as condições
materiais das pessoas da terra, chegar mais perto das suas
técnicas, no interior da sociedade rural que é a sua, ver se
aquilo que as outras fontes nos apresentam pode se confirmar”.
O seguir de perto um determinado modelo não implica, contudo, a
sua total aceitação. Verifica-se, no referido trabalho de
Malagardis, uma proposta de utilizar apenas as cenas, cujos
personagens sejam humanos, excluindo todas as demais imagens
rurais onde sátiros estejam envolvidos na presença ou não de uma
divindade.
Esta preocupação da autora pode até parecer compreensível em um
primeiro momento, tendo em vista que o seu objetivo é o de
buscar recuperar ‘[...] as condições materiais das pessoas da
terra, chegar mais perto das suas técnicas [...]’. Constata-se,
porém, ao nosso ver, a emergência de alguns entraves, se
limitarmos o nosso foco de análise apenas as cenas envolvendo
personagens humanos. Estes limites podem ser agrupados em dois
pontos: tendo em vista o pequeno volume de informações sobre as
atividades desenvolvidas na khóra ática, corremos o sério
risco de abrir mão de um conjunto de dados contidos nas imagens
da cerâmica ática de figuras negras. Este risco pode ser
plenamente compreendido quando exemplificado pelo processo de
apisoamento das uvas nos vasos áticos de figuras vermelhas. Se a
nossa análise ficasse restrita às imagens com representações
humanas, apenas dois vasos, de um total de dezesseis produzidos
entre o final do sexto e o terceiro quartel do quinto século,
poderiam ser estudados, deixando de fora da análise a quase
totalidade das representações!
O segundo ponto diz respeito à uma observação importante feita
por Schnapp. Segundo este autor, as representações envolvendo
comportamentos da vida de heróis e / ou deuses não podem existir
no imaginário senão pelo seu contrário.
Neste sentido, partimos do pressuposto que muitas imagens
envolvendo elementos não humanos projetam ações presentes no
espaço rural ateniense. Este procedimento garante um aumento
considerável de informações sobre o nosso objeto de pesquisa.
Após obtermos os resultados das análises advindas da
documentação, iremos comparara-las aos dados provenientes das
pesquisas contemporâneas desenvolvidas no campo da História e da
Arqueologia acerca da khóra ática. Com a conclusão desta
fase, estaremos aptos para apresentar os resultados finais da
nossa pesquisa.
Estamos cientes das dificuldades metodológicas em
operacionalizar documentos com naturezas diversas. Esta
diversidade implica o conhecimento de algumas questões prévias,
como por exemplo: ao nível dos textos antigos. Trata-se de um
documento público ou privado; o documento em questão conheceu
uma circulação pública ou privada; trata-se de uma fonte direta
ou indireta ao documento estudado; qual a relação estabelecida
entre emissor (autor) / receptor (público ouvinte ou leitor).
Ao nível arqueológico. Primeiro: reconhecemos, de
imediato, que a imagem presente no vaso ático é uma construção,
uma obra relacionada com a cultura (políade), e não um decalque,
uma reprodução fotográfica do real.
Segundo: a cerâmica ática figurada, vista aqui como um
importante suporte de informação, permitindo-nos compreender e
explicar a sociedade ateniense, apresenta, da mesma forma como
assinalado mais acima para os textos antigos, um conjunto de
problemas ainda não resolvidos. Apesar de reconhecer os enormes
avanços produzidos nas últimas décadas, Moses Finley levantou
uma série de questões que ainda não foram suficientemente
respondidas pelas atuais pesquisas acerca da cerâmica. Muito
embora ele estivesse se referindo à cerâmica romana, tanto
italiana, quanto gaulesa e / ou norte africana, acreditamos que
muitas delas, senão todas, podem ser aplicadas também ao mundo
antigo grego. Estas questões começam pelo número ainda pequeno
de identificação de lugares onde era feita a cocção, faltando
inclusive, naqueles lugares já identificados, uma investigação
sistemática. Em segundo lugar, continua o autor, a propriedade
das oficinas e da sua mão de obra são desconhecidas, excetuando
alguns pequenos casos que indicam a presença ou ausência de
escravos entre a mão de obra. A nossa ignorância continua em
aspectos centrais, como na relação entre os oleiros e as
oficinas com a propriedade da terra (incluindo os leitos de
argila), com os homens envolvidos no comércio, ou com as
“sucursais” em outros lugares.
Nosso projeto apresenta dois importantes pressupostos
metodológicos: o primeiro diz respeito ao documento analisado.
Este, independentemente da sua natureza, apresenta frações
indiretas de informação da realidade que se quer explicar. O
segundo pressuposto está relacionado ao pesquisador e aos níveis
de realidade que o perpassam, isto é, a teórica, a dos saberes
(historiográfico e arqueológico) e a documental. Analisemos em
separado cada um deles.
A construção teórica pressupõe um conhecimento formal e
preestabelecido. Este conhecimento é representado por um
conjunto de conceitos e de categorias que pretendem evocar os
fenômenos sociais. Por exemplo: concebemos, a priori de
qualquer pesquisa, que toda sociedade seja formada pelo conjunto
de relações entre diversos sistemas e subsistemas que a compõem.
O sistema é um conjunto de fenômenos da mesma natureza,
interligados, interdependentes e complementares, abertos para
entrada e saída de comunicação entre os demais sistemas. Este
conjunto de relações sistêmicas interagem num movimento de
permanência, mudança ou auto-regulação do conjunto. Podemos
observar que o nível teórico da realidade que se irá pesquisar
consiste de conceitos e de categorias preestabelecidos que
fornecem ao pesquisador referências de observação e de análise.
A realidade dos saberes (historiográfico e arqueológico)
consiste no conjunto do conhecimento produzido acerca do
fenômeno que se pesquisa. Um conjunto de discursos construídos
pelos especialistas que se apresenta como verdade científica,
que traz em seu bojo as variações do próprio conhecimento
científico e de questões pertinentes ao tempo social e histórico
a que pertence.
A realidade documental subentende um conjunto de informações
potenciais de diversas naturezas: textos antigos diversificados
e vestígios materiais heterogêneos. Os documentos são suportes
de possíveis informações. Os dados que são extraídos devem estar
relacionados ao objeto de pesquisa. Os dados são elementos de
construção do que se quer explicar. Cada informação só tem
significado se houver correspondência entre o fenômeno que se
quer interpretar e os três níveis de realidade que se apresentam
ao pesquisador. Deve-se ressaltar que em nenhum momento da
pesquisa o documento e as informações correspondem exatamente ao
objeto estudado: este é uma construção interpretativa do
pesquisador.
Podemos até admitir que acontecimentos apareçam nos documentos,
mas eles não se confundem com o fato em pesquisa e, para nós,
ele só nos interessa se nos trouxer alguma informação. Não temos
a menor dúvida que o fato histórico não se identifica com o
documento, nem com os acontecimentos que apareçam representados
nos textos antigos ou nos vestígios materiais. O fato histórico
é construído e pertence ao nível da ação discursiva do
pesquisador. Ele é a explicação global de uma determinada
problemática levantada pelo pesquisador.
Os três níveis de realidade devem se aproximar. Compete ao
pesquisador procurar manter uma relação de identidade entre a
realidade documental e os dois outros níveis durante a pesquisa
e na fase de interpretação final. Para tal, ele pode alterar a
teoria, refutar a literatura pertinente à questão ou mesmo
modificar as suas hipóteses.
9. Organização e Tratamento da Documentação.
Os documentos estão sendo classificados inicialmente em duas
espécies: textos antigos e vestígios materiais.
Os textos antigos sofreram, ao longo das suas leituras, uma nova
classificação, de acordo com o gênero discursivo: poesia, prosa
e epigrafia. Os vestígios materiais foram subdivididos, ao nível
da forma, em objetos e suas expressões figuradas ou não. A fim
de padronizar as informações num só tipo de categoria,
transformaremos os documentos arqueológicos em linguagem através
de descrições e correspondentes registros gráficos e
fotográficos. Deve ser observado, uma vez mais, que os textos
antigos e os vestígios materiais estão situados em diferentes
níveis de abstração.
Estes documentos estão sendo hierarquizados segundo o grau de
ligação com a representação do conhecimento da realidade a que
se referem. Os textos antigos iniciam-se com as narrativas dos
historiadores e com a epigrafia pública - leis e decretos, por
exemplo - e privada. Depois, aparecem os discursos dos
filósofos. A seguir, vêm os biógrafos e tratadistas. Por fim, os
poetas. Quanto aos vestígios materiais, verifica-se que eles
podem, muitas vezes, refutar as explicações propostas pelos
textos antigos, em particular, as narrativas dos historiadores.
Como forma de estabelecer uma hierarquia, seguindo o mesmo
princípio de aproximação com a realidade, situamos os vestígios
materiais na mesma escala dos biógrafos e tratadistas, já que
eles são norteados pelas regras do conjunto cultural, das leis
das técnicas e das de uso.
Historiadores, filósofos, biógrafos, tratadistas, artesãos
(entendidos aqui como criadores de objetos materiais), poetas e
artistas fazem parte de uma realidade determinada no tempo e no
espaço. Historiadores e filósofos têm compromisso com a verdade,
de acordo com a regra do saber. Eles estão compromissados, no
entanto, com as regras estéticas de sua época, já que vivem em
uma sociedade e, por mais livre que sejam as suas criações, eles
estão ligados ao tempo social e histórico. Biógrafos,
tratadistas e artesãos vivem e compreendem a sociedade, criam
imagens através das quais agem, mas, de alguma forma, eles são
regidos por regras das técnicas que predominam em sua cultura.
Os artistas e poetas, por seus trabalhos, deixam transparecer as
constatações e aspirações sociais. Eles, durante a elaboração
das suas obras, criam alguma coisa que é, no fundo, síntese dos
movimentos sociais,
participando na construção de uma realidade simbólica de valores
que serão a referência existencial de sua comunidade.
A criação artística é o resultado da dinâmica e, ao mesmo tempo,
encorajadora de novos movimentos. O mesmo se dá com o trabalho
do artesão. Ele produz o que a sociedade precisa, de acordo com
a cultura e a técnica conhecidas, porém, ao mesmo tempo, ele
acaba criando novas necessidades. O artesão pode produzir um
escudo em torre, em oito ou redondo. No momento, porém, em que
ele produz um escudo redondo, com duplo punho, por exemplo, ele
sinaliza e informa toda uma estrutura social, cuja mentalidade
gira em torno do cidadão-soldado (o&plivthV)
e não mais o herói-guerreiro.
É interessante observar, neste sentido, como fez Carandini, que
os textos antigos e os vestígios materiais não devem ser
encarados apenas como um produto dos sistemas intelectuais ou
trabalhos abstratos. Eles trazem, em suas essências, uma clara
anatomia social, de classe, reveladora das diferenças existentes
no interior de uma dada sociedade.
Historiadores, filósofos, biógrafos, tratadistas, poetas e
artistas, bem como suas obras, neste sentido, passam a ter uma
significação pelas relações que estabelecem entre si e entre o
conjunto sócio-econômico dos quais participam. Eles transmitem
informações a respeito da sociedade políade grega e do
objeto que norteia esta pesquisa - Arqueologia e História Rural
da Ática entre o Início do Sexto Século até a Construção do
Primeiro Império Marítimo Ateniense.
10. Plano Temático.
1. Introdução.
2. Análise do Processo Histórico e a Consolidação da Pólis
Ateniense no Sexto Século.
2.1. O Impacto das Reformas de Sólon sobre os
Pevnai
Rurais.
2.2. Os Pisístrades e o Programa de Integração dos Espaços
Urbano e Rural.
2.3. As Reformas de Clístenes e a Consolidação do
Cidadão-Camponês.
2.4. A Mudança nos Rumos: as Guerras Médicas e a Consolidação do
Império Marítimo.
3. As Imagens Rurais na Cerâmica Ática de Figuras Negras.
4. Organização Metodológica e Discussão dos Quadros
Comparativos.
4.1. As Imagens Rurais nos Vasos Áticos de Figuras Negras e de
Figuras Vermelhas.
4.1.1. Classificação das Imagens por Tema nas Épocas Arcaica e
Clássica.
4.1.2. Classificação dos Vasos por Tema nas Épocas Arcaica e
Clássica.
4.1.3. As Permanências e Mudanças de Temas nas Épocas Arcaica e
Clássica
5. Os Vestígios Materiais Rurais e as Imagens nos Vasos de
Figuras Negras e Vermelhas.
5.1. Estagnação ou Progresso das Técnicas Agrícolas na Passagem
do VIº ao Vº séculos?
6. Conclusão.
11. Cronograma.
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Coleta Documentação |
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12. Bibliografia.
12.1. Textos Antigos.
Devido ao fato das informações sobre o mundo rural ático,
referentes ao período arcaico, serem escassas e estarem
dispersas ao longo dos textos antigos, buscamos estabelecer
critérios para a sua seleção e para a organização e análise dos
dados a serem obtidos.
A sua seleção tomou por base a adoção de edições bilíngües em
inglês / grego (Loeb) e em francês / grego (“Les Belles
Lettres”). Esta é uma necessidade básica, já que nós temos a
preocupação em conhecer corretamente o significado dos termos
utilizados pelos autores antigos, no momento em que descrevem as
diferentes situações envolvendo a khóra.
Ao mesmo tempo em que definimos este critério, fizemos também a
opção em adquirir, quando disponível, estes textos. Consideramos
importante tê-los ao alcance das mãos para tirarmos qualquer
tipo de dúvida ou para fazer uma checagem imediata de uma
possível análise que um dado autor contemporâneo, o qual
estejamos lendo, possa estar fazendo a partir deles.
O corpus foi estabelecido a partir de dois critérios
básicos: o primeiro está associado ao conhecimento prévio que
nós temos deles. Este conhecimento é o resultado direto das
leituras que fizemos não só ao longo do Mestrado e do Doutorado,
como, também, como professor de História Antiga Grega, no
Departamento de História, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Desta forma, sabemos que é imprescindível rele-los, a
fim de obtermos informações relativas ao espaço rural ático, no
período arcaico. Este corpus deve ser visto, neste
momento, como provisório, já que ele está em processo de
formação. O seu crescimento vai depender, e aí reside o segundo
critério, das sugestões críticas que iremos receber dos nossos
pares, das leituras que iremos realizar em artigos e livros
específicos sobre o mundo rural antigo grego. Este último
aspecto é importante, já que os autores destes trabalhos podem
nos colocar a par de textos antigos pouco citados,
especificamente, os fragmentos. Sugestões críticas e leituras de
trabalhos recentes irão nos proporcionar uma melhor compreensão
sobre a dinâmica e o funcionamento da khóra ática entre o
fim do período arcaico e início do clássico. Citamos, a seguir,
aqueles textos considerados básicos para o estudo do espaço
rural na época arcaica.
AESCHYLUS. Suppliant Maidens, Persians, Prometheus,
Seven Against
Thebes.
London: William Heinemann, vol. 1, 1956.
___________. Agamemnon, Libation-Bearers, Eumenides,
Fragments. London: William Heinemann, vol. 2, 1992.
ARISTOTLE. Historia Animalium. London: William Heinemann,
3 vols., 1990.
__________. Metéorologiques. Paris: Les Belles Lettres, 2
vols., 1982.
DIODORUS SICULUS. Library of History. London: William
Heinemann, vol. 4, 1970.
HERODOTUS. History. London: William Heinemann, vol. 1
(1990); vol. 2 (1995); vol. 3 (1994); vol. 4 (1981).
HESIOD and THE HOMERIC HYMNS. London: William Heinemann, 1980.
HOMER. The Iliad. London: Willian Heinemann, 2 vols.,
1993.
______ . The Odyssey. London: William Heinemann, 2 vols.,
1995.
PAUSANIAS. Description of
Greece.
London: William Heinemann, vol. 1 (1992); vol. 2 (1993); vol. 3
(1988); vol. 4 (1995); vol. 5 (1995).
PLUTARCH. Theseus, Solon. London: William Heinemann, vol.
1, 1993.
__________. Themistocles, Aristides, Cimon.
London: William Heinemann, vol. 2, 1948.
POETAS LÍRICOS. Greek Lyrics. London: William Heinemann,
vol. 1 (1994); vol. 2 (1988); vol. 3 (1991); vol. 4 (1992).
P. ARISTOTE. Constitution D’Athènes. Paris: Les Belles
Lettres, 1985.
___________ . Économique. Paris: Les Belles Lettres,
1968.
THUCYDIDES. History of The Peloponnesian War. London:
William Heinemann, volume 1, 1991.
XENOPHON.
Oeconomicus.
London: William Heinemann, 1992.
12.2. Dicionários, Obras de Referência, Livros Específicos.
A bibliografia contida neste projeto deve ser vista como
provisória, já que ainda será realizado um levantamento
exaustivo dos periódicos nas principais bibliotecas brasileiras
e, posteriormente, na biblioteca da Escola Francesa de Atenas.
As obras aqui relacionadas estão associadas não apenas ao
conjunto de trabalhos que conheci ao longo dos meus cursos de
Mestrado e de Doutorado, como, também, aos permanentes contatos
que mantenho com as editoras no exterior, a fim de me manter
atualizado em termos daquilo que é publicado relativo ao espaço
rural ático.
A bibliografia está organizada em categorias, como forma de
tornar mais claro os diferentes procedimentos por nós adotados.
Com relação às pesquisas contemporâneas, elas foram organizadas
a partir de quatro critérios básicos:
1º. pesquisas arqueológicas relativas ao estudo do território
ático. Estas pesquisas, por serem ainda em pequeno número, não
sofreram um corte temporal tão radical. Assim sendo, mesmo
aquelas pesquisas que estão situadas para além do período
arcaico foram citadas, já que, a partir delas, é possível obter
uma série importante de informações da época em que estamos
estudando;
2º. trabalhos referentes à pólis ateniense. Também aqui
foi mantido o critério adotado acima. Aquelas pesquisas mais
significativas, que representam o ponto de virada nas pesquisas
sobre a khóra ateniense, permaneceram citadas. É
possível, a partir delas, obter uma série de dados sobre o
território rural arcaico da pólis ateniense;
3º. pesquisas desenvolvidas, no âmbito da Arqueologia rural, em
diferentes partes da Hélade. Elas permitem compreender melhor, a
partir de uma série de indícios, a dinâmica e o funcionamento da
Atenas rural no período arcaico;
4º. trabalhos que tratam da agricultura antiga grega, de uma
forma geral.
12.2.1. Dicionários.
BAILLY, A. Dictionnaire Grec - Français. Paris: Hachette,
s/data
DAREMBERG, C.H. et SAGLIO, EDM. Dictionnaire des Antiquités.
Paris: Hachette, 9 vols., s/data.
12.2.2. Obra de Referência.
CURTIS, E. and KAUPERT, J.A. Karten von Attika.
Berlin: Dietrich Reimer, 1881 - 1900.
OSBORNE, M.J. and BYRNE, S.G. (Ed.) A Lexicon of Greek
Personal Names - volume II. Oxford: Claredon Press, 1994.
12.2.3.
Pesquisas Arqueológicas Relativas ao Território Ático.
ANDREYEV, V.N. Some Aspects of Agrarian Conditions in Attic in
Fifth to Third Centuries, in: Eirene 12 (1974) 5 - 46.
CHANDLER, L. The North-West Frontier of Attic, in: JHS 46
(1926) 1 - 21.
CHEVITARESE, A.L. Arqueologia, Antropologia e História Rural
na Ática no Período Clássico. Tese de Doutorado.
Departamento de Antropologia Social. Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo, 2
volumes, 1997.
COULSON, W.D.E., PALAGIA, O., SHEAR Jr., T.L., SHAPIRO, H.A. and
FROST, F.J. (Eds.). The Archaeology
Athens and Attica under the Democracy.
Oxford: Oxbow Books, 1994.
GOETTE, R.H.
AGROKTHMA KLASIKWN STHN SOURIZA
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in: DOUKELLIS, P.N. et MENDONI, L.G. (1994) 132 - 146.
JONES, J.E. Town and Country Houses of Attica in Classical
Times, in: MIGRA I, 1975, pp. 63 - 136.
JONES, J.E., GRAHAM, A.J. and SACKETT, L.H. An Attic Country
House Bellow the Cave of Pan at Vari, in: ABSA 68 (1973)
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________________________________________. The Dema House in
Attica, in: ABSA 57 (1962) 75 - 114.
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Inscription in South Attica, in: Hesperia 46 (1977) 162 -
177.
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von Palaia Kopraisia bei Legrena (Attika), in: DOUKELLIS, P.N.
et MENDONI, L.G. (Eds.). (1994) 81 - 132.
___________. Atene. Forschungen zu Siedlungs und
Wirtschaftsstruktur des Klassischen Attika. Kölm: Böhlau
Verlag, 2 volumes, 1993.
___________. Agriculture and Country Life in Classical Attica,
in: WELLS, B. (1992) 29 - 56.
MALAGARDIS, N. Images du Monde Rural Attique à L’Époque
Arcaïque, in: AE 127 (1988) 95 - 134.
MUNN, M.H. and MUNN, M.L.Z. On the Frontiers of Attica and
Boiotia: The Results of The Stanford Skoúrta Plain Project, in:
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_________________________ . Studies on the Attic - Boiotian
Frontier: The Stanford Skoúrta Plain Project, 1985, in: FOSSEY,
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Beotia Antigua I. Papers on Recent Work in Boiotian Archaeology
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Attica. Defense of The Athenian Land Frontier.
Leiden: E.J.Brill, 1985.
_______. Pottery and Miscelaneous Artifacts from Fortified
Sities Northern and Western Attica, in: Hesperia 56
(1987) 197 - 227.
PECÍRKA, J. Homestead Farms in Classical and Hellenistic Hellas,
in: FINLEY, M.I. (1973) 113 - 147.
STAINCAVOUER, G. ParathrhvseiV
sthn Oikistikhv Morfhv twn Attikwvn Dhvmwn,
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VANDERPOOL, E. Roads and forts in Northwestern Attica, in:
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WATROUS, L. An Attic Farm Near Laurion, in: Hesperia Suppl.
19 (1982) 193 - 198.
YOUNG, J.H. Studies in South Attica. Country Estates at Sounion,
in: Hesperia 25 (1956) 122 - 146.
12.2.4. Trabalhos Referentes à Pólis Ateniense.
ANDERSON, J.K. Hunting in the Ancient World. Berkeley:
Univ. of California Press, 1985.
AUDRING, G. Grenzen der Konzentration von Grundeigentum in
Attika, in: Klio 56 (1974) 445 - 456.
AUSTIN, M. e VIDAL-NAQUET, P. Economia e Sociedade na Grécia
Antiga.
Lisboa: Edições 70, 1986.
ANDREWES, A. Greek Society. New York: Penguin, 7ª ed.,
1984.
BERTRAND, J. et BRUNET, M. Les Athéniens.
À la Recherche d’un Destin.
Paris: Armand Colin, 1993.
BORGEAUD, P. O Rústico, in: VERNANT, J.-P. (Org.). O Homem
Grego.
(1993) 131 - 143.
BRUMFIELD, A.C. The Attic Festivals of Demeter and their
Relation to the Agriculture Year. Salem, New Hampshire:
Ayer, 1981.
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