Arqueologia, História e Estratégia
home | História Militar | História Antiga | Arqueologia, história e estratégia | Currículos | Contato
 

 

 

Publicado em: Pedro Paulo Abreu Funari, Política e riso em Pompéia: ensaio sobre a crítica social popular, Hector Benoit & Pedro Paulo A. Funari (orgs), Ética e Política no Mundo Antigo, Campinas, IFCH-UNICAMP/FAPESP, 2002, ISBN85-86572-X., 117-132.

 

 

POLÍTICA E RISO EM POMPÉIA: ENSAIO SOBRE A CRÍTICA SOCIAL POPULAR

 

Pedro Paulo A. Funari[1]

 

INTRODUÇÃO: RISO E POLÍTICA

 

                        A política é o campo das relações de poder, originalmente no interior da cidade, entendida como “vida em comunidade”[2]. Há dois aspectos deste poder político, sua face de força bruta e material que se impõe por meios físicos, aquilo que os gregos denominavam krátos[3], assim como havia o poder derivado do prestígio e da autoridade, a arkhé[4]. Uma diferenciação semelhante ocorria na terminologia latina, que opunha imperium a auctoritas e potestas, pois imperium referia-se a forçar alguém a fazer alguma coisa[5], enquanto o poder derivado da aceitação social era  a auctoritas[6] e a potestas, o poder estabelecido pelas leis e normas sociais, não absoluto e físico[7]. Estas diferenças devem ser levadas em conta, quando buscamos estudar a política na Antigüidade, pois quando se investiga uma sociedade impõe-se compreender como se organizavam os campos semânticos e quais os motivos de se utilizarem termos específicos, como lembra Christian Meier, citando Bertold Brecht[8]. Neste ensaio, não tratarei senão da política em seu sentido social, relativo ao prestigio, a partir da crítica social ao poder que advém do riso.

 

                        Há tempos, Henri Bergson começava seu livro clássico sobre o riso, lembrando que “para compreender o riso, impõe-se situá-lo em seu meio natural, que é a sociedade; é, principalmente, necessário determinar sua função útil, que é uma função social”[9]. Desde o século XIX, já se estudou bastante as expressões cômicas dos antigos, sobretudo a partir de análises mais ou menos exaustivas dos autores antigos e, ainda que reste estudá-la segundo as teorias mais recentes, as fontes literárias antigas são bem conhecidas. Insiste-se, agora, em estudar os problemas, antes que reapresentar a evidência da tradição textual[10]. Como arqueólogo, historiador e epigrafista, parece-me que há toda uma categoria de documentação antiga pouco explorada: as inscrições pompeianas, os grafites cuja importância não pode ser negligenciada, pois revelam os sentimentos dos romanos mais humildes[11]. Os pobres, tão pouco visíveis na literatura antiga[12], apresentam-se, de forma direta, nessas manifestações parietais. Assim, meu objetivo, neste artigo, consiste em discutir alguns grafites em uma perspectiva que busca demonstrar como o riso liga-se à exageração e à critica ao poder[13]. A mobilização de uma documentação original visa propor uma nova interpretação sobre a relação entre riso e poder[14], entre as classes baixas romanas.

 

                        Marcel Mauss já havia definido o popular como “tudo o que não é oficial”, enquanto Mikhail Bakhtin propôs que a cultura popular seja caracterizada pelas brincadeiras – o riso cômico (narodnii smekh) – bem como por insultos mágicos[15].  Esta cultura popular não pode ser considerada como simples redução empobrecida da cultura erudita, como se faz com freqüência[16], e parece mais útil considerar as culturas populares e eruditas como expressões interdependentes mas diferentes[17]. Não há, entretanto, um definição ontológica da cultura popular em geral, ainda que Benedetto Croce tenha pensado que fosse possível distinguir a elaboração e a reflexão eruditas do imediatismo e simplicidade do popular[18]. A noção do popular é, assim, fluida e, talvez, uma generalização possível seja, justamente, a exageração expressiva, como se nota pelos pleonasmos, tão populares. Neste artigo, trato, tanto de mensagens verbais como de desenhos que induzem ao riso e à crítica social.

 

RISO E PODER NAS PAREDE POMPEIANAS: PALAVRAS, DESENHOS E CRÍTICAS

 

                        Há, em Pompéia, inscrições mais ou menos cômicas, compreensíveis porque não dependem diretamente de nosso conhecimento dos contextos específicos, hoje perdidos. Muitas vezes, o sorriso é o resultado de uma situação antes hipotética, ainda que enraizada nas preocupações tipicamente populares, como são os assuntos de taberna. Assim, um grafite informa que:

 

CIL[19] IV 3948

Talia te fallant

Utinam mendacia copo

Tu vedes acuam et

Bibes ipse merum[20]

 

                        “Chega de mentiras, taberneiro: você vende água, mas você mesmo bebe vinho!”[21]. De maneira semelhante, encontra-se uma outra inscrição sobre o vinho mas, desta vez, trata-se de uma crítica mais genérica aos famosos produtores vinícolas pompeianos[22]:

 

CIL IV 8903

Viator Pompeis pane[23] gustas

Nuceriae bibes

Nucer..

(FIGURA)

 

           “Passante, em Pompéia você saboreia o pão,  beba o vinho em Nuceriae”. Esta “carta engraçada”, nas palavras de Matteo della Corte[24], joga com o orgulho dos pompeianos, tratando de um tema tipicamente de interesse popular. Da mesma maneira, lemos:

 

CIL IV 4957

Miximus in lecto, fateor, peccauimus, hospes.

Si dices quare: nulla matella fuit.

(FIGURA)

 

                        “Urinamos na cama, confesso, cometemos uma falta, hospedeiro. Se você pergunta a razão, é porque não havia pinico!”. As três mensagens criticam, pois, um comerciante, os produtores de vinho e o dono de uma hospedaria. Havia crítica sociais mais contundentes e diretas, como esta inscrição sobre um cavaleiro romano:

 

CIL IV 4533

G. Hadius Ventrio

Eques natus romanus inter

Beta et brassica[25]

(FIGURA)

 

                        “G. Hadius Ventrio, cavaleiro romano de nascimento, entre a acelga e o repolho”, alusão às conseqüências digestivas desses alimentos e que lembram a preocupação de um personagem de origem servil, Trimalcião[26]. A crítica social ao natus (“de nascimento”) não pode ser subestimada, considerando o valor atribuído ao status da herança da situação social, que implicava que não se havia comprado sua posição social[27]. As crítica aos poderosos podia atingir o ápice do poder, como no caso de uma irônica referência ao próprio imperador:

 

CIL IV 8075

Cucuta ab rationibus

Neronis Augusti

(FIGURA)

 

                        “O ministro de finanças de Nero Augusto é o veneno”, alusão à prática de induzir que homens de posses se suicidassem e deixassem suas fortunas para o próprio imperador.  Na mesma linha, também os potentados locais mereciam críticas, como é o caso de Rufo[28], um personagem de importante família da elite pompeiana[29], retratado de forma caricatural, com traços risíveis ressaltados, como a calvície, a orelhinha, os lábios de desdentado[30]:

 

CIL IV 9226

Rufus est

(FIGURA)

 

                        “Este é Rufo”. Ou,  ainda, atingia-se um personagem histórico, Sulla, responsável pela criação de uma colônia de cidadãos romanos, em Pompéia, e cujos veteranos instalaram-se na cidade, na década de 70 a.C., e passaram a ocupar lugares de destaque na vida social[31]:

 

CIL IV 9099

Sulla felix? Infelix!

(FIGURA)

 

                        “Sulla era sortudo e felix? Era azarado e infeliz!”, um jogo de palavras com o epíteto do general romano, que se dizia felix para que angariasse o apoio de seus soldados, atraídos pela sorte e a felicidade, sentido da palavra felix.

 

                        Outra categoria de críticas baseadas na exageração refere-se àquelas de cunho sexual[32], intimamente relacionado ao poder, em uma sociedade patriarcal como a romana[33]. Assim:

 

CIL IV 10150

Cum dedusisti octies, tibi superat, ut habeas sedecies. Coponium fecisti. Cretaria fecisti. Salsamentaria fecisti. Pistorium fecisti. Agricola fuisti. Aere minutaria fecisti. Propola fuisti. Laguncularia nunc facis. Si cunnum linxseris, consummaris omnia.

(FIGURA)

 

                        “...completou já oito vezes, você superará dezesseis. Trabalhou como taberneiro; trabalhou como oleiro, salameiro, padeiro, agricultor, bronzista de quinquilharias, vendedor ambulante; agora é oleiro de vasinhos. Para completar, só falta praticar o cunilíngua”[34].

 

                        Ou ainda:

 

CIL IV 8767

Floronius

Binet ac miles

Leg.uii hic

Fuit, neque

Mulieres

Scierunt, nisi

Paucae, et

Ses, erunt

(FIGURA)

 

                        Esta inscrição foi interpretada de diversas formas pelos autores que a estudaram. Herescu[35] leu suas linhas finais como hic fuit neque mulieres scierunt nisi paucae sederunt, “passou por aqui, mas as mulheres não perceberam, à exceção de algumas, e elas sentaram”, em sentido erótico[36]. Contudo, parece-me paleograficamente difícil aceitar a susgestão de Herescu e, além disso, pode-se questionar se sedere, em sentido erótico, apareceria nas paredes de Pompéia, quando, normalmente, expressava-se o ato sexual de maneira muito mais crua e direta, com o verbo futuere[37]. Considero, pois, mais razoável uma interpretação diversa, como uma zombaria machista: “Florônio, garanhão e soldado da sétima legião, esteve aqui (sc. nesta taberna), mas as mulheres não notaram sua presença...contudo, eram apenas seis, poucas para um garanhão como este”. Poder-se-ia dizer que o sorriso que resultaria da leitura desta inscrição tinha, ainda, um caráter apotropaico, a julgar por outras referências parecidas, estudadas em outro lugar[38]. Estas inscrições engraçadas, com conotação sexual, eram as mais populares em Pompéia e relacionam-se, de uma forma ou de outra, às relações de poder, pois em uma sociedade clivada pelas assimetrias entre os gêneros, o riso era um mecanismo de exercício de contrapoder.

 

                        Em diversos casos, o riso era o resultado do caráter visual da mensagem, ainda que se possa supor que as imagens pudessem ser faladas ou completadas por gestos. É o caso da inscrição seguinte:

 

CIL IV 4498

Thyas.

Noli. Amare

Fortunatu

(phallus)[39]

Vale.

(FIGURA)

 

                        Pode supor-se que o pênis, símbolo do poder masculino, podia ser lido como uma palavra, mais ou menos chula (uerpa, mentula, phallus), ou como um gesto obsceno. A tradução poderia ser algo como: “Thyas não quis amar Fortunato; saudação do seu pênis!”. Naturalmente, não se sabe se a palavra empregada, uerpa, mentula ou phallus, estaria no nominativo ou no acusativo e, assim, deve admitir-se, também, outra leitura: “Thyas, tome o pênis”. De toda forma, a relação entre riso e poder está clara.

 

                        Utilizava-se, ainda, de desenhos cômicos, alguns com mensagens escritas adicionadas, recolhidas no Corpus Inscriptionum Latinarum, como a caricatura[40] que segue:

 

CIL IV 10008

Amarantho sal(utem)

Sal(utem)

(FIGURA)

 

                        Trata-se de uma comparação entre um belo jovem, à esquerda, e um feio homúnculo. Na maioria dos casos, são caricaturas também sexuais, mas sempre cômicas e relacionadas ao poder masculino:

 

CIL IV 10222

Promus felator

(FIGURA)

 

                        Ou ainda,

 

Peregrinus

(FIGURA)

 

Nasso Fadius

(FIGURA)

 

Desenho anônimo[41]

(FIGURA)

 

                        Estas caricaturas dependiam da exageração de alguns traços físicos risíveis, como a calvície[42], os cabelos mal penteados[43], lábios muito finos[44], nariz muito grande[45], enquanto outros traços eram engraçados por sua associação com a efeminação, como as orelhinhas[46]. Em todos os casos, estes atributos ligam-se ao poder, pois calvície denota a autoridade derivada da idade, assim como o narigão, o queixo pronunciado, de forma que o exagero destes atributos deve-se à busca de criticar os poderosos. Os grafites aqui estudados podem ser divididos em dois grandes grupos: aqueles que criticam indivíduos e os grupos sociais em que se situam e aqueles, de caráter sexual, que se referem às relações de poder, em um contexto de oposição entre homens e homens, e entre homens e mulheres. Isto fica mais claro no quadro a seguir:

 

RISO E PODER

 

CRÍTICA A INDÍVIDUOS COM PODER:

 

CIL IV 8075 (Imperador)

CIL IV 9226 (Rufo, um homem da elite local)

CIL IV 4533 (G. Hadius Ventrio, um equestre)

 

CRÍTICA A INDIVÍDUOS QUE REPRESENTAM CATEGORIAS SOCIAIS E CATEGORIAS SOCIAIS

 

CIL IV 3948 (Taberneiro)

CIL IV 8903 (Taberneiros pompeianos)

CIL IV 4957 (Donos de hospedarias pompeianas)

CIL IV 8903 (Vinicultores pompeianos)

 

 

CRÍTICA DE CARÁTER SEXUAL

 

CRÍTICA A CATEGORIAS SOCIAIS

 

CIL IV 10150 (Diversas categorias sociais de tipo liberal)

 

CRÍTICA DE HOMENS A MULHERES

 

CIL IV 8767 (Seis mulheres que freqüentavam uma taberna)

CIL IV 4498 (Thyas)

 

CRÍTICA DE HOMENS A OUTROS HOMENS

 

CIL IV 10008 (Amaranto)

CIL IV 10222 (Promo)

Peregrino

Nasso Fádio

Anônimo

 

                          As relações humorísticas podem ser encaradas como produtos de relações de poder e de sua contestação[47], atuando como uma verdadeira “chave para abrir os significados guardados pelos grupos sociais”[48]. Em uma pequena cidade romana como Pompéia, o uso das paredes para questionar as relações políticas, no sentido adotado neste artigo, permite observar que, mesmo os humildes, podiam se manifestar sobre as relações de poder e o faziam com regularidade. Suas investidas irônicas, por vezes toscas e utilizando-se de um latim muito próximo da língua falada, não deixa dúvidas quanto a sua vivência popular. As críticas alcançavam os mais importantes dignitários, como o próprio imperador, mas eram os micro-poderes locais a merecerem maior interesse e a sofrerem maiores críticas. Longe de serem passivos, reprodutores da ideologia dominante, imitadores dos padrões da elite, as críticas ao poder afloram, nas paredes de Pompéia, em expressões humildes, mas nem por isso menos representativas de uma grande maioria.

 

AGRADECIMENTOS

                       

                        Agradeço aos colegas Marie-Laurence Desclos, Marc Mayer e Jean Paul Molinari, ainda que a responsabilidade restrinja-se ao autor. Devo mencionar, ainda, o apoio do CNPq (processo 306002/88-4).


 

[1] Departamento de História, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, C. Postal 6110, Campinas, 13081-970, SP, fax 55 19 289 33 27, pedrofunari @sti.com.br; pesquisador do CNPq.

[2] Cf. Aristóteles, Pol. 1, 1253a3: ánthropos physei politikòn zõon; Ar., Historia Animalium 488a7: politikà d’estín, hõs hén ti kaì koinòn gígnetai pánton tò érgon.

[3] Já em Homero, significava força física (cf. Il, 7, 142: épephne dóloi oú ti krátei ge) e a expressão katà krátos, com o sentido de “com toda força”, demonstra a permanência do sentido material do termo.

[4] O termo significa “origem” e, por derivação, “poder” que deriva do reconhecimento social da primazia (cf. Aristóteles, Pol., 1284b2: genéstai ep’arkhês).

[5] Cf. Plaut. Bacch. 3,3,55: obsequens obediensque est mori atque imperiis patris; cf. Tácito, Anais, 3,69: nec utendum imperio ubi legibus agi possit; a brutalidade física associada a imperium, pode ser avaliada pelo uso de expressões relativas ao medo que causava nos submetidos, como, por exemplo, em Cícero, De lege agraria, 2,16,45: quid censetis, cum xuiri cum imperio, cum fascibus, cum illa delecta finitorum iuuentute per totum orbem terrarum vagabantur, quo tandem animo, quo metu, quo periculo, miseras nationes futuras?

[6] Auctoritas, derivado do verbo “aumentar”, refere-se à influência social de um indivíduo; cf. Cíc. De amicitia, 4,13: antiquorum auctoritas.

[7] Dig. 50,16,215: potestatis verbo plurima significantur: in persona magistratuum imperium: in persona liberorum patria postestas: in persona servi dominium...

[8] Christian Meier, Die Wissenschaft des Historikers und die Verantwortung der Zeitgenossen, In AA.VV., Entstehung des Begriffs “Demokratie”, Frankfurt, Suhrkamp, 1970, p. 186: der Historiker entnimmt seiner Zeit notgedrungen die Worte, in denen er sich ausdrückt, selbst wenn er sich noch so sehr in “quelleneigener Begriffsprache” tummelt. Dabei wie es notwendig, dass er prüft, ob sie passen, häufig, ob sie noch passen, und damit ist er dann schon auf dem Feld gegenwärtiger Sprach-und Sachkritik. In seiner Zeit, in des die Dinge auf ihre Weise einfach lagen, 1934, hat Brecht gesagt: “Wer in unserer Zeit statt Volk Bevölkerung und statt Boden Landbesitz sagt, unterstützt schon viele Lügen nicht”.

[9] Henri Bergson, Le rire, essai sur la signification du comique. Paris, Presses Universitaires de France, 1967, p.6: pour comprendre le rire, il faut le replacer dans son milieu naturel, qui est la société; il faut surtout en déterminer la fonction utile, que est une fonction sociale.

[10] Cf. Marie-Laurence Desclos, Programme Scientifique, Colloque International “Le rire chez les anciens”, Grenoble, 1997.

[11] Jean-Pierre Cèbe, La Caricature et la Parodie dans le Monde Romain antique des orgines à Juvenal, Paris, De Boccard, 1966, p. 372.

[12] Cf. Thomas Wiedemann, Servi senes: the role of old slaves at Rome, Polis, 1996, 8, p. 282.

[13] Cf. Pedro Paulo A. Funari, Graphic caricature and the ethos of ordinary people at Pompeii, Journal of European Archaeology, 1993, 1,2, pp. 133-150.

[14] À maneira, propriamente, histórica, como ressalta Heinz Dieter Kittsteiner, citando Kant: der Historiker gibt nur Kunde vom Einzelnen, sein Wissen ist – wie noch Kant sagt – “cognitio ex datis”. Der Philosoph denkt “theoretisch”; darin klingt mit, dass er sich mit Gegenständen beschäftigt, die aufgrund von Gesetzmässigkeiten so und nicht anders sind; sein Wissen ist “cognitio ex principiis”, em Was heisst und zu welchem Ende studiert man Kulturgeschichte?, Geschichte und Gesellschaft, 23, 1997, 1, p. 6.

[15] Mikhail Bakhtine, L’oeuvre de François Rabelais et la culture populaire du Moyen-âge et sous la Rennaissance, Paris, Gallimard, 1970, pp. 19-25; cf. Peter Burke, The Historical Anthropology of Early Modern Italy. Essays on perception and communication,  Cambridge, Cambridge University Press, 1989, p. 1033.

[16] Sobre isto, cf. P.P.A.Funari, La Cultura Popular en la Antigüedad Clásica, Écija, Editorial Sol, 1991, pp. 13-14; a noção de degradação é ainda muito generalizada, veja-se o exemplo recente de R.A. Tybout, Domestic shrines and “popular painting”: style and social context, Journal of Roman Archaeology, 9, 1996, p. 368.

[17] Carlo Ginsburg, An interview to Keith Luria and Romulo Gandolfo, Radical History Review,  1986, 39, p. 108; cf. Bruce G. Trigger, Hyperrelativism, responsibility, and the social sciences, Canadian Review of Sociology and Anthropology, 1989, 26, 5, p. 786.

[18] Bendetto Croce, Poesia, storia. Pagine tratte da tutte le opere a cura dell’autore. Nápoles, Ricciardi, s.d., p. 345.

[19] Abreviatura usual do Corpus Inscriptionum Latinarum, obra que compila as inscrições latinas.

[20] As transcrições seguem as grafias originais.

[21] Cf. Petrônio, 39,12; Marcello Gigante, Civiltà delle forme letterarie nell’antica Pompei, Nápoles, Bibliopolis, 1979, p. 229.

[22] Cf. D.P.S. Peacock & D.F. Williams, Amphorae and the Roman Economy, Londres, Longman, 1986, pp. 3,24-26,28,39,52,74,84,87,94,96,109,166-7,173,176-7,214.

[23] Aqui, como em outros exemplos, pode notar-se a ausência do –m do acusativo, demonstrando a origem popular do autor.

[24] CIL IV 8903: epistula icosa, como define o editor do CIL IV.

[25] Note-se a ausência de –m, do acusativo, novamente denunciando o caráter popular da inscrição.

[26] Sobre a digestão em Petrônio, ver Peter Toohey, Trimalchio’s constipation: periodization madness, eros, and time, in Mark Golden e Peter Toohey, Inventing Ancient Culture, Londres, Routledge, 1997, pp. 50-65.

[27] Compare-se com a  passagem referente à prisão de Paulo, em Atos dos Apóstolos, 22, 25-29: “Depois de o amarrarem com as correias, Paulo observou ao centurião presente: “Ser-vos-á lícito açoitar um cidadão romano, ainda mais sem ter sido condenado?”. A estas palavras, o centurião foi ter com o tribuno para preveni-lo: “Que vais fazer? Este homem é cidadão romano!”. Vindo então o tribuno, perguntou a Paulo: “Dize-me: tu és cidadão romano?”. “Sim”, respondeu ele. O tribuno retomou: “Precisei de um vultoso capital para adquirir esta cidadania”. “Pois eu, disse Paulo, a tenho de nascimento”. Imediatamente se afastaram dele os que iam torturá-lo. O próprio tribuno teve receio, ao reconhecer que era um cidadão romano e  que mesmo assim o havia acorrentado.

[28] Cf. Michael Grant, Cities of the Vesuvius, Hardmonsworth, Penguin, 1979, p. 205.

[29] Sobre esta família, consulte-se Matteo della Corte, Case ed abitanti di Pompei, Roma, l’Erma, 1954;Robert Etienne, La vida cotidiana en Pompeya, Madri, Aguilar, 1970; J.L. Franklin Jr, Pompeii: the electoral programmata, campaigns and politics, AD 71-79. Roma, American Academy, 1980, passim.

[30] Cf. P.P.A.Funari, El carácter popular de la caricatura pompeyana, Gerión, 1983, 11, pp.153-173. 

[31] Cf. Fausto Zevi, Pompei dalla città sannitica alla colonia sillana: per un’interpretazione dei dati archeologici, In Les élites municipales de l’Italie péninsulaire des Gracques à Néron, Nápoles-Roma, École Française de Rome, 1996, pp. 125-138.

[32] Sobre os carmina ludicra e as inscrições pompeianas, ver Marc Mayer, Mònica Miró e Javier Velaza, Litterae in titulis, tituli in litteris, elements per a l’estudi de la interpretacción entre Epigrafia i literatura en el món romà, Barcelona, Universidad de Barcelona, 1998, p. 56 e seguintes.

[33] Cf. Nancy Sorkin Rabinowitz & Amy Richlin (orgs), Feminist Theory and the Classics, Nova Iorque, Routledge, 1993.

[34] Cf. P.P.A.Funari, Cultura Popular na Antigüidade Clássica, São Paulo, Contexto, 1989, p. 31, com tradução, ligeiramente, diversa.

[35] N.J. Herescu, Sur le sens “érotique”de sedere, Glotta, 1969, 38, pp. 125-134.

[36] Cf. Petrônio, 126,10: ego etiam si ancilla sum, nunquam tamen nisi in equestribus sedeo, “eu, ainda que seja uma escrava, não sento senão com cavaleiros”.

[37] Cf. John N. Adams, The Latin Sexual Vocabulary, Londres, Duckworth, 1987, passim.

[38] Sobre esta inscrição e seu caráter apotropaico, veja-se a literatura anterior citada e os argumentos em P.P.A.Funari, Apotropaic symbolism at Pompeii: a reading of the graffiti evidence, Revista de História, 1995, 132, pp. 9- 17.

[39] Ou phallum.

[40] Sobre as caricaturas e suas funções, veja-se Dominique Noguez, Petite rhétorique de poche. Pour servir à la lecture des dessins dit “d’humour”, Révue d’Ésthétique, 1974, ¾, pp. 107-137, particularmente, p. 134.

[41] Desenhos sem inscrições não foram publicados no Corpus Inscriptionum Latinarum, mas, recentemente, Francesco Paolo Vivolo publicou muitos deles em seu Pompei, i graffiti figurati, Nápoles, Bastogi, 1993; o desenho, aqui publicado, encontra-se referido às páginas 168 e 177. Um estudo destes desenhos encontra-se em Wagner Montanhini, O Simbolismo visual dos grafites na Epigrafia latina popular pompeiana (50-79 d.C.), Assis, UNESP, 1994, dissertação de mestrado inédita; resumo em Pós-História, 1996,4, pp. 265-266. 

[42] Cf. Petrônio, 27; Suet., Galb, 20.

[43] Cf. Ter. Heauto.2,3,49: capillus passus, prolixus, circum caput reiectus negligenter.

[44] Cf. Hier. Ep. 7,5: similem habent labra lactugam.

[45] Cf. Mart.2,54,5: nil nasutius hac maligniusque; cf. Mart.12,37,1.

[46] Cf. Cic.Q.Fr.2,14,1,4.

[47] T. Caplow, Two against one: coalitions in triads. Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1968, passim.

[48] D. Cheatwood, Sociability and the sociology of humour, Sociology and Social Research, April 1983, 67,3, pp. 324-338.