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Publicado em: 1998 Teoria Arqueológica na América do Sul. Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (Coleção “Primeira Versão” 76), 51pp.
PROPOSTA PARA A COLEÇÃO “PRIMEIRA VERSÃO”
TEORIA ARQUEOLÓGICA NA AMÉRICA DO SUL
Pedro Paulo A . Funari[1]
Departamento de História do IFCH/UNICAMP
INTRODUÇÃO
Neste volume, reunem-se dois textos referentes à Primeira Reunião Internacional de Teoria Arqueológica na América do Sul, ocorrida durante a 21ª Reunião da Associação de Antropologia Brasileira, em Vitória, abril de 1998 e um texto apresentado em uma reunião internacional sobre a destruição do patrimônio arqueológico. O primeiro trata do evento científico e o segundo consiste em um análise da trajetória da Arqueologia Brasileira, publicado, em versão anterior, em inglês e que foi apresentado em Vitória. O terceiro paper representam reflexões sobre o tratamento do patrimônio arqueológico no Brasil e ainda não foi traduzido ao português. O objetivo desta publicação é dar a público, em curto espaço de tempo, um balanço preliminar do encontro sobre Teoria Arqueológica, apresentar um estudo, ainda inédito em vernáculo, sobre a Arqueologia no Brasil e um terceiro sobre a relação entre Arqueologia e patrimônio, em nosso país.
1. A PRIMEIRA REUNIÃO INTERNACIONAL DE TEORIA ARQUEOLÓGICA NA AMÉRICA DO SUL: UM MARCO NA HISTÓRIA DA ARQUEOLOGIA BRASILEIRA
A partir da década de sessenta, a Arqueologia internacional passou a incorporar uma preocupação reflexiva com os problemas relativos à teoria e ao método no desenvolvimento da disciplina. Nos últimos anos, em diferentes contextos, surgiram fóruns dedicados à reflexão crítica sobre a Arqueologia, como o Theoretical Archaeology Group (TAG), na Grã-Bretanha e, em termos mundiais, a fundação do World Archaeological Congress, em 1986 representou uma tomada de posição, por parte de muitos arqueólogos, quanto à epistemologia e à ética da práxis arqueológica. Neste contexto, a América do Sul, em geral, e o Brasil, em particular, testemunharam um grande desenvolvimento da reflexão crítica, nestes últimos anos, após duas décadas de obscurantismo, resultante de regimes ditatoriais. Assim, o World Archaeological Congress e a Associação de Antropologia Brasileira uniram-se na iniciativa de propor, no quadro da 21ª Reunião da ABA, em Vitória (ES, Brasil), de 6 a 9 de abril de 1998, a realização de uma Primeira Reunião Internacional de Teoria Arqueológica na América do Sul. A proposta começou a tomar forma em 1996, por iniciativa de Alejandro Haber[2] e Pedro Paulo Abreu Funari[3], quando se encontravam ambos em solo britânico para o trabalhos arqueológicos em Cambridge e Southampton, respectivamente, tendo recebido o incentivo de Ian Hodder e Peter Ucko. A partir destes primeiros entendimentos, e já com o apoio institucional do World Archaeological Congress, manifestado pelo secretário Julian Thomas, marcou-se para outubro de 1996 um encontro, na Argentina, para organizar uma proposta acadêmica mais detalhada. Em outubro, reuniões preparatórias foram realizadas em Catamarca[4], quando se definiu um programa inicial e uma comissão executiva[5] e uma comissão científica de apoio[6].
A organização do evento exigiu diversas outras reuniões iniciais[7], tendo-se apliado o apoio institucional[8] ao evento e a composição das comissões executivas[9] e científicas[10]. A Reunião contou com o aporte financeiro de diversas instituições científicas e de fomento à pesquisa[11], tendo contado com duas conferências e vinte e cinco papers, agrupados em quatro grandes temas. As conferências, a cargo de Julian Thomas, sobre “A História e a política do WAC”, e de Randall McGuire, sobre “Uma Arqueologia dos trabalhadores americanos”, abriram o primeiro e o último dia do evento, respectivamente. A apresentação de Thomas permitiu que o público presente tomasse contato com a História do WAC, cujas políticas de reflexão crítica sobre o papel social e acadêmico do arqueólogo permitiram enquadrar todo o encontro. No primeiro dia, a discussão girou em torno de “Teoria e Método”, com a apresentação de sete papers:
Julian Thomas[12], University of Southampton, Recontextualizing materiality and the social;
Michael J. Heckenberger, Museu Nacional (UFRJ), Hierarquia e economia política na Amazônia: a construção da diferença e da desigualdade em sociedades ameríndias;
Gustavo Politis, Universidad de La Plata, Cultura Material e crianças entre os Nukaks;
José Luis Lanata, Universidad de La Plata, The Archaeology of Hunters and Gatherers in South America: recent history;
Erika Marion Robrhan-Gonzáles[13], MAE-USP, A cerâmica em estudos de interação e mudança cultural na região centro-oeste brasileira; e
Benjamin Alberti[14], University of Southampton, Gender Archaeology: a case study.
As apresentações e as discussões que se seguiram, em três línguas, inglês, português e espanhol, contaram com tradução simultânea trilíngüe. Confrontaram-se, nas discussões, as abordagens contextuais, ou pós-processuais, de Thomas e Alberti, que enfatizaram o caráter de construção discursiva da lide arqueológica, e enfoques mais ou menos informados no processualismo, de uma forma ou de outra representados pelos outros panelistas. Lanata e Heckenberger referiram-se, em suas palestras, a modelos genéricos explicativos, assim como Prous esboçou um análise crítica dos estudos sobre as pinturas rupestres. Politis gerou grande interesse e admiração pela pesquisa etno-arqueológica de campo e suas ilações sobre o papel das crianças foi particularmente instigante. Robrahn-Gonzáles relacionou o estudo da cerâmica com a dinâmica social no Brasil Central, tendo levado a troca de idéias com diversos colegas, em particular com Irmhild Wüst. A mediação de Irina Podgorny organizou o debate, que se prolongou pelo início da noite.
O segundo dia centrou-se no tema “Arqueologia e Etnicidade”, mediado por Eduardo Goes Neves, tendo contado com seis apresentações:
Francisco Noelli, Universidade Estadual de Maringá, Repensando os rótulos sobre os Jê do sul do Brasil: pelo compassamento entre algumas noções básica da Arqueologia e da Etnologia;
Scott Allen, Universidade Federal de Alagoas/Brown University, Etnicidade e Arqueologia Histórica do Quilombo dos Palmares;
Stephen Shennan[15], Insitute of Archaeology, Londres, Concepts of ethnicity in the past and present;
Carlos Magno Guimarães, FAFICH-UFMG, Arqueologia e grupos étnicos: os quilombos;
María Ximena Senatore, Universidad de Buenos Aires, Arqueología del contacto europeo-americano. Discusión teórica y modelos de análisis en áreas marginales; e
Irmhild Wüst, Universidade Federal do Goiás, Continuidades e descontinuidades: Arqueologia e Etnoarqueologia no coração do território Bororo oriental, Mato Grosso.
A etnicidade foi tratada, pelos diversos expositores, a partir de diferentes ângulos, gerando debates entre os panelistas e entre estes e os outros participantes. Noelli desenvolveu uma crítica dos modelos vigentes na Arqueologia Brasileira em geral, e quanto ao sul do Brasil, em particular, propondo, em seu lugar, uma análise que tente integrar os dados arqueológicos àqueles históricos, etnográficos e lingüísticos. Os problemas de tal pretensão foram aventados por Funari, em particular no contexto das discussões mais recentes sobre Arqueologia e Etnicidade. Estas formaram o cerne do paper de Wüst, cujo endosso das literatura mais atualizada (e.g. Siân Jones) acabou gerando discussões diversas. Shennan somou-se, em sua apresentação, a Wüst ao demonstrar como a Etnicidade é antes construção complexa que busca de traços de origem. Allen e Senatore, com estudos de casos específicos, juntaram-se àqueles que propugnam pela complexidade das relações étnicas e pelos decorrentes desafios de seu estudo a partir da cultura material. Talvez a apresentação mais controversa tenha sido a de Guimarães, sobre a identificação arqueológica de quilombos para fins de demarcação de terras. Diversos antropólogos presentes divergiram das propostas de Guimarães sobre a chamada “ressemantização” do conceito de quilombo, tal como proposto por um grupo de trabalho da ABA.
O terceiro dia foi organizado, por Funari, em torno da discussão da “Paisagem, cultura material e patrimônio”, tendo contado com seis apresentações:
Andrés Zarankin, Universidad de Buenos Aires/UNICAMP[16], Arqueología de la Arquitectura: un modelo teórico metodológico para su abordaje;
Cristina Bruno[17], MAE-USP, A importância dos processos museológicos para a preservação do patrimônio;
Elizabete Tamanini[18], Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville/UNICAMP, Arqueologia e Educação: teoria e prática;
Eduardo Goes Neves[19], MAE-USP, Mito, História e Arqueologia na Bacia do Alto Rio Negro, Amazônia;
Marisa Lazzari, Universidad de Buenos Aires, Objetos viajeros e imágines espaciales: relaciones de intercambio y la producción del espacio social; e
Felix Acuto, Universidad de Buenos Aires, Paisages cambiantes: la ocupación inka en el Valle del Caclhaqui Norte, Argentina.
As discussões centraram-se, por um lado, nas apropriações da cultura material, objeto de estudo do arqueólogo, por parte da sociedade em geral. Bruno e Tamanini apresentaram reflexões sobre como o trabalho arqueológico envolve, necessariamente, considerações sobre a transformação destes artefatos em patrimônio, acadêmico e extra-acadêmico. Houve grande discussão a este respeito, pois muitos arqueólogos dissociam seu trabalho, propriamente arqueológico, da patrimonização da cultura material. Por outro lado, Zarankin, Neves, Lazzari e Acuto utilizaram-se de estudos de caso para apresentar propostas de uso da teoria arqueológica. Zarankin discutiu a relação entre os modelos arquitetônicos e a Arqueologia, enquanto, ainda no campo interdisciplinar, Neves relacionou História, Mito e Arqueologia. A paisagem foi tratada de forma original por Lazzari e Acuto, destacando-se a preocupação daquela com os movimentos dos objetos e deste último com a diacronia no assentamento humano.
O quarto dia começou com uma conferência de McGuire, uma muito oportuna introdução à mesa que se seguiria. Em sua apresentação McGuire tratou dos excluídos da História dos Estados Unidos, os trabalhadores, e mostrou um projeto de pesquisa arqueológica dos vestígios de um grupo de trabalhadores em greve, no início do século. Destacou, ainda, a transformação dessas evidências em patrimônio e demonstrou, de forma clara, seu propósito de engajar a Arqueologia na luta pela liberdade e na rejeição de uma Arqueologia que, ao se querer neutra e ahistórica, mostra-se conservadora e pouco capaz de explicar sua própria prática e teoria. A mesa-redonda que se seguiu, sobre Arqueologia latino-americana: teoria e História, mediada por Goes, mostrou-se particularmente fértil em suscitar debates e compôs-se de seis papers:
Bernd Fahmel Beyer, Instituto de Investigaciones Arqueológicas, UNAM, México, Academy and culture in Mesoamerica: two realities?;
Cristiana Barreto[20], University of Pittsburg, A Arqueologia no Brasil e na América Latina;
Haiganuch Sarian[21], MAE-USP, Arqueologia Clássica no Brasil: fronteiras e horizontes;
Irina Podgorny, Universidad de La Plata, The reception of New Archaeology in Argentina: boundaries, contexts and power;
Pedro Paulo A Funari[22], UNICAMP, A importância da teoria arqueológica internacional para a Arqueologia Brasileira; e
Randall MacGuire, Binghamton University, Radical theory in Anglo-American and Hispanic archaeology.
Todos os papers trataram da História da Arquelogia, a partir de estudos de caso e pontos de vistas diferentes. Beyer, Podgorny e Funari ressaltaram, ao estudar a América Central, a Argentina e o Brasil, respectivamente, as relações entre o contexto histórico e as práticas e teorias arqueológicas. Barreto procurou contrapor-se a tais contextualizações, tratando dos avanços da Arqueologia no Brasil como desenvolvimentos no interior da ciência. Sarian, embora tenha tratado da Arqueologia Clássica, apenas um dos campos de investigação no Brasil, ressaltou os efeitos cientificamente destacáveis dessa área. McGuire forneceu uma visão ampla, contrapondo a Arqueologia americana à hispano-americana, com destaque para a Arqueologia Social Latino-Americana. As discussões centraram-se no grau de autonomia da ciência arqueológica e nas suas relações com a sociedade abrangente.
Ao final, Goes e Funari mediaram uma plenária sobre o evento. Diversos participantes ressaltaram a importância e inovação de um encontro deste tipo, baseado na troca de idéias. Ressaltou-se que, em um contexto ainda marcado pelos conflitos, até mesmo de caráter pessoal, a apresentação de papers e sua discussão marcou uma nova etapa, em reuniões arqueológicas na América do Sul. Em seguida, foi enfatizada a importância da inserção da Arqueologia sul-americana na Arqueologia Mundial. Surgiu a proposta de realizar-se o segundo encontro, tendo sido formada uma comissão provisória[23] para encaminhar o evento, que está planejada para outubro ou novembro de 1999. A publicação dos papers foi sugerida e solicitou-se o envio dos textos, até fins de julho de 1998, para que sejam publicados. Neves apresentou à Comissão de Publicações do MAE-USP o projeto de publicar um volume com as atas, em português, e Funari e Podgorny, em reunião do executivo do WAC, em maio de 1998, na Croácia[24], apresentaram o projeto de publicar um World Archaeological Bulletin, em inglês, para divulgação internacional, tendo obtido o apoio formal do executivo.
O público, além dos panelistas, compreendeu arqueólogos, antropólogos e outros interessados de diferentes instituições, em particular MAE-USP, UNICAMP, UFES, UFMG, MASJ, Universidade Estácio de Sá (RJ), UFRJ, Universidade Estadual de Blumenau e Museu Nacional. Tomaram parte estudiosos do Brasil, Argentina, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França. Os intelectuais envolvidos, os papers apresentados, as discussões de alto nível, a proposta de continuidade com um segundo encontro e as propostas, já encaminhadas, de publicação, no Brasil e no exterior, dos textos apresentados, estão a demonstrar a importância do evento para a Arqueologia Latino-Americana e pode-se estar seguro que se abrem novas perspectivas para a História da Arqueologia no continente.
AGRADECIMENTOS:
Agradeço a todos os colegas mencionados do decorrer do texto, pois sua colaboração foi imprescindível para o êxito do evento. Devo mencionar, ainda, o apoio da FAPESP (processo 97/13975-5), IFCH-UNICAMP, Secretaria da ABA, Cynthia de Ávila, Celso Perota e os demais organizadores locais, em Vitória.
2. A IMPORTÂNCIA DA TEORIA ARQUEOLÓGICA INTERNACIONAL PARA A ARQUEOLOGIA SUL-AMERICANA: O CASO BRASILEIRO
Existe teoria arqueológica no Brasil? A resposta a esta questão depende, é claro, da definição do termo “teoria”. Embree (1989:37) considera que “a Arqueologia histórica, em sentido amplo, inclui a meta-Arqueologia e como a pesquisa substantiva inclui metodologias de coleta de dados e, também, a análise da teorização dos modelos explicativos”. A ausência, no Brasil, de postos explicitamente voltados para a metodologia ou a teoria arqueológicas (Faria 1989:35) estaria a indicar que há uma falta de teoria na Arqueologia Brasileira, como acontece em outros países (Kotsakis 1991:69; Thomas 1995). Além disso, é ainda muito comum desprezar artigos interpretativos como sendo “muito teóricos” (MacDonald 1991:830; cf. Cooney 1995). A teoria é considerada, às vezes, como “esotérica, subversiva, anárquica – algo que deveria ser evitado por uma questão de higiene intelectual” (Harlan 1989:583).
É possível, no entanto, qualquer trabalho de campo sem teoria? É possível separar ação (poesis) e teoria (praxis) (Croce, s.d.: 41)? Não é difícil concluir que não há meio de praticar uma disciplina acadêmica, como a Arqueologia, sem quadros analíticos. A teoria nada mais é do que “visão, contemplação”, theoria significando, em primeiro lugar, a observação visual (thea) e, com conseqüência, “especulação”, um “conjunto de idéias”. Se considerarmos que “a História não é um grupo de fatos sobre o passado mas, ao contrário, um conjunto de idéias sobre o passado, no presente” (Wright & Mazel 1991: 59), então torna-se claro que não há prática arqueológica sem fundo teórico. É precisamente nestes termos que podemos dizer que há teoria arqueológica no Brasil, não como um quadro aberto e explícito de assertivas sobre a ontologia do conhecimento arqueológico, mas como uma hermenêutica subjacente que informa tanto atividades de campo e seus relatos, como artigos em geral. Desentranhar esta perspectiva teórica das atividades e discursos arqueológicos é, entretanto, uma tarefa ingrata, considerando as múltiplas mediações que ligam as atividades empíricas aos seus suportes conceituais. Além disso, generalizações sobre disciplinas acadêmicas exigem alguma ousadia, pois novos materiais ou descobertas, ainda que de campos específicos, podem invalidá-las e, assim, a melhor maneira de evitar incompreensões, consiste em explicitar os critérios usados para estudar o tema. Desta maneira, é possível entender os liames propostos, neste trabalho, entre o explícito e o implícito na Arqueologia brasileira.
O conhecimento, como uma relação social entre pessoas e entre pessoas e coisas (Tilley 1992: 176), é um processo histórico e político de interpretação e ação no mundo. A Arqueologia, como disciplina acadêmica, não está livre de elos sociais e políticos (Champion 1991: 144) e os arqueólogos estão, sempre, trabalhando sob a pressão das questões levantadas por suas próprias épocas e sociedades (Burguière 1982: 437). “Qualquer tentativa de compreender a presente configuração da disciplina deve, portanto, ser fundada em uma análise sistemática e empírica de sua História e de sua prática” (Pinsky 1989: 91) e, neste processo, o arqueólogo necessita reconhecer, em detalhe, a extensão das circunstâncias e padrões, sempre em mudança, em diferentes contextos históricos (Burckhardt 1958: xi). Todas os modos de prática e escrita arqueológicas entram em contato com diversos grupos sociais, em épocas diferentes e em constante mutação (La Capra 1992: 439). Isto significa que se tem que estudar, por um lado, a História da sociedade brasileira como um todo (e, em particular, sua História intelectual) e, por outro, o contexto internacional interagente com a sociedade brasileira. Não se pretende, aqui, apresentar um relato exaustivo, a respeito da Arqueologia Brasileira mas, ao contrário, partem-se de dois critérios explícitos: mencionam-se, apenas e tão somente, aqueles trabalhos que tenham alguma preocupação teórico-metodológico, cujo impacto possa ser avaliado por publicações. Por isso mesmo, a simples introdução de autores estrangeiros em cursos, ainda que possa ter sido importante para a abertura de horizontes para diversos pesquisadores, não representa produção própria. Nesta ocasião, não tratarei da período pré-formativo, pré-disciplinar da Arqueologia no Brasil, até a década de 1950 (tratado em Funari 1995a), focalizando os desenvolvimentos teóricos desde sua introdução como disciplina acadêmica, nos últimos quarenta anos.
A Arqueologia, desde o século passado, havia sido explorada por estudiosos, em geral ligados aos Museu Nacional do Rio de Janeiro, Museu Histórico Nacional e Museu Paulista. Enquanto trabalhos empíricos eram levados adiante por diretores de museus sob os auspícios de um sistema de patrocínio de elite, o humanista Paulo Duarte estava no exílio por sua oposição ao Estado Novo e, ao retornar, introduziu a Arqueologia como disciplina acadêmica (De Blasis & Piedade 1991: 167) e seu papel como defensor do patrimônio arqueológico estava em claro contraste com o padrão tradicional predominante. Seu humanismo baseava-se em uma abordagem ética, para com a sociedade e, por isso, pôde propor duas medidas revolucionárias: o desenvolvimento de instituições arqueológicas acadêmicas e a proteção do patrimônio. Os diretores de museus e os arqueólogos tradicionais, ligados aos sistema de compadrio dominante no país, nunca iriam propor tais medidas, que, inevitavelmente, desafiavam o nepotismo e as relações de clientela, infensos ao mérito e aos direitos igualitários (Da Matta 1991b: 399). A democracia propugnada por Duarte, baseado no mérito, era, pois, estranha à sociedade hierarquizada nacional; seu humanismo, de estilo francês, era o suficiente para romper com práticas patronais arbitrárias de longa tradição (Funari 1992a: 8).
A intervenção militar de abril de 1964 (Cammack 1991: 35) marcou um período não apenas de repressão generalizada, como de reforço do clientelismo e do compadrio, agora organizado por um regime de força. Logo após o golpe, um acordo foi firmado entre a United States Agency for Inter-American Development e o Ministério da Educação e Cultura do Brasil (Funari 1996e), que gerou a reorganização de todo o sistema universitário nacional (Sebe 1984: 72), sob a égide da ideologia de “segurança nacional” (Ortiz 1985: 85). A ação dos Estados Unidos era o resultado do fato que “por toda a comunidade acadêmica norte-americana, esforços foram envidados para mobilizar o Ocidente, em uma luta ideológica global, enquanto, ao mesmo tempo, esposava-se uma objetividade desinteressada, como um dos valores e instituições característicos deste mesmo Ocidente” (Novick 1988: 16; Klappenber 1989: 1014). Esta abordagem positivista estava por detrás das atividades de alguns arqueólogos americanos ligados ao establishment americano (Roosevelt 1991: 106) e aos militares sul-americanos.
Logo depois do golpe, aqui estiveram Clifford Evans e Betty Meggers e, já em outubro de 1964, organizaram o que chamaram “um seminário intensivo para ensinar teoria e metodologia arqueológicas, classificicação e interpretação cerâmica” para pupilos brasileiros (Evans 1967: 7). Imediatamente após o seminário, Evans e Meggers usaram o mês de novembro de 1964 para viajar por onze Estados brasileiros, visitando reitores e diretores de museus, agora afinados com o novo regime de força. Um positivismo ingênuo estava no centro da sua abordagem arqueológica. Meggers (1979: 13) ensinou e treinou uma geração de praticantes brasileiros sob a bandeira da objetividade em busca dos fatos: “espero que as pessoas entenderão que a verdade é mais interessante do que a ficção”.
A Arqueologia, como ciência experimental (Miller 1975: 7), foi interpretada como estranha às questões históricas, em claro contraste com as Humanidades. Este tipo de empirismo contrapunha-se à abordagem humanista proposta por Paulo Duarte, acusada, pelos empiristas, de ser algo alheio à cultura nacional. Este empirismo anti-histórico, importado dos Estados Unidos, foi introduzido em uma sociedade completamente diversa da americana, na qual o empirismo, a competição, os direitos individuais e o capitalismo, dentro e fora da academia, constituem um quadro cultural consistente. O empirismo, no Brasil, serviria a outros propósitos. O sistema social brasileiro baseia-se em princípios não-capitalistas (Faoro 1976: 736), como a hierarquia (Da Matta 1980: 16), o compadrio (Leal 1949: 23; Telarolli 1977: 16), o nepotismo (Da Matta 1991a: 14), o amigismo, o familismo e o favor (S. Schwartz 1988: 237). Desde o período colonial, amizades (Pastore 1991: 12), clientelas, ideologia corporativa e paternalismo têm sido elementos centrais da vida social brasileira (Lara 1988: 110): “o favor é nossa mediação quase universal” (Schwartz 1988: 76). Vianna (1987: 13) estava propenso a definir este sistema como feudal. “No Brasil, graças a raízes históricas profundas, pessoas indicadas são os governantes: as pessoas no poder indicam parentes e amigos. Educação, competência e qualidade são critérios estranhos à nossa cultura de privilégio” (Castro 1991: 2). Há, pois, um claro desequilíbrio entre os princípios capitalistas, individualistas, por detrás do positivismo, nos Estados Unidos, e a mesma abordagem, quando aplicada em um contexto social baseado em valores não-igualitários e clientelísticos. Isto fica evidente nas Arqueologias dos dois países. O principal objetivo do trabalho de campo empírico consiste em coletar artefatos e classificá-los. Esta abordagem considera os depósitos dos museus como contas bancárias: devem ser preenchidas com dados (dinheiro) recolhidos pelo estudioso (ou capitalista). A evidência coletada pelos arqueólogos deveria ser classificada e transformada em fatos e números (cf. Shor 1986: 422). Isto é o que almejam os empiristas, nos Estados Unidos, e podem ser muito bem sucedidos, em seus próprios termos. Contudo, este não é o caso do Brasil. O objetivo de espalhar trabalhadores de campo por todo o país, coletando artefatos em grande quantidade, armazenando-os em museus, constituindo corpora que seriam, ao final, classificados como matéria prima, não foi completado. Porquê?
Desde a década de 1960, os brasileiros foram treinados, pelos empiristas americanos, como trabalhadores de campo, sob a égide de um determinismo ecológico não-histórico.
“Seus métodos de escavação e análise misturava materiais de períodos diferentes, artificialmente comprimindo a seqüência arqueológica. Esta abordagem norte-americana, entretanto, influenciou, de maneira decisiva, os estudiosos brasileiros, graças aos acordos entre instituições brasileiras e americanas e ao estabelecimento de uma rede de colegas e alunos” (Roosevelt 1991: 107; ênfase acrescentada).
Este grupo de praticantes não se desenvolveu, como seria o caso em outros lugares, como um simples “feudo acadêmico” (Levine 1992: 218) mas, em uma sociedade clientelística, como a brasileira, e sob direto comando autocrático da ditadura, este grupo tornou-se o único legítimo. Passaram a perseguir ou impedir as atividades daqueles que não concordavam com a abordagem empirista ecológica e com sua organização e ponto de vista politicamente despótico (Chaui 1992: 6). Duarte e outros foram expulsos da vida universitária, o projeto humanista foi eliminado no nascedouro e o establishment arqueológico, que estava sendo criado, foi dominado por um grupo de empiristas autoritários. A própria cassação de Paulo Duarte, pela ditadura, não deixou de representar um episódio paradigmático, pois o duro golpe ao projeto acadêmico foi acompanhado da tentativa de destruição do Instituto de Pré-História, por Duarte fundado, pois “o conceito de Pré-História é inaplicável ao caso americano”, segundo um dos beneficiários daquele período de exceção, Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses (Duarte 1994: 176). À inexistência da Pré-História, propunha-se que “a Arqueologia, por sua natureza de ciência auxiliar da História, está longe, bem longe, de ser um fim em si mesmo”, nas palavras do mesmo autor (Meneses 1965: 22), o que inviabilizaria qualquer desenvolvimento, seja da Pré-História, seja da Arqueologia.
Este grupo formou uma confraria (Meggers 1992) que passaria a controlar escavações, financiamentos, publicações, postos arqueológicos e em museus, e, não menos importante, a limitar a difusão de perspectivas diversas. Mesmo estudiosos americanos, que tivessem posições interpretativas diferentes, históricas, foram sistematicamente impedidos de trabalhar. Como ressaltou Anna Roosevelt:
“Ainda que muitos estudiosos tivessem encontrado evidências <em oposição à abordagem ecológica>, as pessoas da escola determinista, com freqüência, não permitiam a publicação de descobertas dissonantes, como “datações muito antigas” ou assentamento pré-históricos complexos” (Roosevelt 1991: 107).
A constituição de um grupo que tentava tudo controlar explica porque o empirismo, no Brasil, não conseguiu atingir seus próprios objetivos de coletar dados, estabelecer corpora e, finalmente, classificar o material em larga escala. Como é comum em sistemas autoritários, não era possível desenvolver discursos e práticas alternativas e não havia, pois, qualquer necessidade, para aqueles que controlavam o establishment, de serem competentes em seus próprios termos epistemológicos. Graças à ditadura, foi possível reestabelecer práticas clientelísticas por meio do poder arbitrário, usando o empirismo, antes de mais nada, como uma justificativa de poder. Este período foi descrito, por um de seus ativos participantes, Tânia Andrade Lima (1998: 25) como “uma fase muito dinâmica, com muito trabalho de campo”, o que está a sugerir que o isolamento não fazia os perceber que o fim do monopólio discursivo já chegara.
De fato, Walter Neves (1988: 245), logo depois da restauração do regime civil, reconhecia que “no Brasil, salvo raras excepções, continuamos a fazer levantamentos oportunísticos e escavações injustificáveis e as instituições de ensino, lamentavelmente, perpetuam o modelo epistemológico, ainda vigente na Arqueologia no Brasil”. A maioria das atividades e publicações arqueológicas continuavam a ser meramente descritivas (Scatamacchia 1984: 198). No entanto, a abertura política tornaria possível a emergência de uma pluralidade de abordagens. Apesar da cassação, o legado de Paulo Duarte pode ser identificado na influência francesa (Laming Emperaire, Emperaire, Prous, Vialou, Guidon, entre outros), cuja importância, como alternativa ao modelo dominante, naqueles anos difíceis, não pode ser subestimada. Papel particularmente relevante foi exercido pela Arqueologia Clássica (Funari 1997), ao inserir a Arqueologia brasileira no contexto internacional. Pela primeira vez, arqueólogos brasileiros publicavam livros no exterior (e.g. Funari 1992b; 1996b; Carreras & Funari 1998), estabeleciam contatos e intercâmbios, livravam a Arqueologia dos esquemas clientelísticos, formavam pesquisadores independentes e ao corrente da Arqueologia Mundial. Livros atualizados de Arqueologia, produzidos no Brasil, chegaram às escolas, com autores como Maria Beatriz Florenzano (1997). Assim, destaque-se a publicação do primeiro manual para escolas primárias sobre a Pré-História brasileira, escrito pelo arqueólogo clássico Norberto Luiz Guarinello (1994), cuja excelência levou a que fosse adotado pelo Ministério de Educação do Brasil, sendo distribuído aos milhares e constituindo-se no livro mais vendido sobre Arqueologia Pré-Histórica, em toda a História (cf. Funari 1996 ; Faversani 1997). Outros arqueólogos, trabalhando com temas pré-históricos, como Eduardo Góes Neves e Walter Alves Neves, e históricos (cf. Funari, Jones & Hall 1998 a e b), passaram a inserir-se na ciência internacional, afastando-se do provincianismo e do compadrio local. Diversas dissertações e teses de Arqueologia foram desenvolvidas em São Paulo (USP e UNICAMP), Rio Grande do Sul (UFRGS e PUCRS), Pernambuco (UFPE) e Rio de Janeiro (UFRJ), assim como no exterior, ainda que muito ainda esteja inédito e que poucos trabalhos se aventurem a questionamentos teóricos mais amplos.
Mais recentemente, tem havido um interesse crescente na teoria arqueológica, no Brasil, principalmente por parte das novas gerações. A Arqueologia crítica, apresentada como uma crítica da ideologia dominante no presente, que aparece como normativa e ahistórica (Handsman & Leone 1989: 119), juntamente com a consciência pós-processual ou contextual da subjetividade da disciplina (Thomas 1990: 67), constituem temas em discussão. Artigos, por exemplo, sobre o efeito do colonialismo e do nacionalismo na Arqueologia africana (Rodrigues 1991), demonstram um interesse crescente pela Arqueologia mundial e pela teoria arqueológica. Tal interesse reflete, também, uma maior atenção prestada àqueles que têm formulado a teoria arqueológica internacional, sendo lidos, em particular, Binford, Courbin, Deetz, Gardin, Hodder, Orser, Shanks, Tilley, Trigger, entre outros. Seguindo as idéias de Stephen (1989: 267) e Hodder (1991: 10), mais atenção tem sido dada aos grupos subordinados (Trigger 1998: 16), por oposição ao culto às elites, como ainda propugnado entre nós (e.g. Lima 1994) como os escravos (e.g. Guimarães 1992; Funari 1996d), e esforços têm sido envidados para apoiá-los em sua luta contra a marginalização. Isto explica o estudo dos índios que viviam em Missões (Kern 1989: 112), a “História da resistência à dominação” (Leone 1986: 431), da antigüidade (Guarinello 1989) ao período colonial (Funari 1991).
Também artigos têm sido publicados sobre a teoria arqueológica stricto sensu (e.g. Funari 1989; Kern 1991; Serra 1994; Funari 1995a; 1995b; 1996 a; 1996f ; 1998a; 1998b). Multiplicam-se as publicações de fundo teórico, tratando de temas como “Hipóteses sobre a origem e expansão dos tupis”, que mereceu um dossiê na Revista de Antropologia da USP, a partir de um texto de Francisco Noelli (1996), cujas hipóteses encontram suas origens em trabalhos inéditos de José P. Brochado. Também o dossiê sobre “Surgimento do homem na América”, com textos interpretativos de Marta Lahr, Walter Neves, André Prous, entre outros, demonstra as preocupações teórico-metodológicas em curso. Ainda no estudo da Pré-História, as discussões sobre a ocupação da Amazônia têm contado come estudos informados na teoria arqueológica, como é o caso da obra de Eduardo Góes Neves e a inserção da Arqueologia brasileira no contexto internacional amplia-se, em especial com a participação de brasileiros nos conselhos de revistas como Latin American Antiquity (Irmhild Wüst), International Journal of Historical Archaeology e Material Culture (P.P. A Funari). No campo da Arqueologia Histórica, os próprios rumos da disciplina têm sido debatidos, com decisiva participação brasileira, com a organização de uma sesssão em WAC 3 e de um volume de One World Archaeology (Funari, Jones & Hall 1998 a e b) em um contexto mundial (Funari 1996c; 1998 a; Funari, Jones & Hall 1998 a e b), superando, assim, o provincianismo e o culto às elites, prevalecente em produções paroquiais. Também a realização do Simpósio Internacional sobre Teoria e Método em Arqueologia, no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, em agosto de 1995, mostra a crescente atenção prestada à epistemologia arqueológica.
Pode concluir-se que o desenvolvimento da teoria arqueológica, importante como pode ser na Europa e na América do Norte, é algo absolutamente fundamental para o futuro da Arqueologia no Brasil. No contexto de uma Arqueologia ainda dominada por relações de compadrio, muitas vezes infensa, até mesmo, ao empirismo que busca seguir padrões internacionais de qualidade, a teoria tem um papel crucial em impulsionar os arqueólogos ao pensamento crítico, à interpretação e análise e, não menos importante, a desafiar as idéias e práticas estabelecidas. A despeito da reação daqueles que usufruem de um poder burocrático, sem fundamentação em prestígio científico reconhecido fora da província, sua tentativa de suprimir as vozes discordantes está fadada ao fracasso, em uma sociedade pluralista. Por meio da leitura da teoria arqueológica, alguns arqueólogos brasileiros têm sido capazes de confrontar dificuldades que, de outra forma, seriam insuperáveis. A teoria arqueológica, assim, ajuda a transformar a Arqueologia brasileira de uma maneira vital e, ainda que refletir sobre ela não seja suficiente, é algo, entretanto, indispensável para mudá-la.
AGRADECIMENTOS
Este texto representa uma reelaboração de palestra, apresentada em Southampton, em 1992, no encontro anual da Theoretical Archaeology Group (EuroTAG), em sessão organizada por Peter Ucko e publicada em Theory in Archaeoloy, A world perspective, Londres, Routledge, 1995, 236-250. Agradeço aos seguintes colegas, que forneceram artigos (alguns inéditos) e me ajudaram de diversam maneira: Fábio Faversani, Martin Hall, Siân Jones, Carlos Magno Guimarães, Arno Álvarez Kern, Mark P. Leone, Eduardo Góes Neves, Walter Alves Neves, Francisco Noelli, Charles E. Orser, Jr., Anna C. Roosevelt, Bruce G. Trigger, Peter Ucko. Este trabalho contou com o apoio do World Archaeological Congress , FAPESP e CAPES
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3. DESTRUCTION AND CONSERVATION OF CULTURAL PROPERTY IN BRAZIL: ACADEMIC AND PRACTICAL CHALLENGES
This paper was originally prepared to be presented in the World Archaeological Congress meeting in Brac, Croatia, in May 1998, as part of the the Inter-Congress on “The Destruction and Conservation of Cultural Property”, and it deals with the Brazilian experience in the field. Before discussing a particular experience, it is necessary to explore the different meanings attached to the concept itself of “cultural property or heritage”. Romance languages use terms originated in the Latin patrimonium to refer to “property inherited from one’s father or ancestor, heritage, inheritance”, like it was the case in Middle English. Germans use Denkmalpflege, “the care of monuments”, whilst the English language adopted “heritage”, originally restricted to “that which has been or may be inherited”, but through the same process of generalisation which affected the Romance “patrimony” it too was to be used as a general reference to the inherited monuments from older generations. In all these expressions, there is always a reference to remembrance, moneo (Latin, “to cause or make to think”, in both patrimonium and monumentum), Denkmal (German, denken “to think”), and to the forefathers, implicit in “inheritance”. Side by side with these rather subjective and affectionate terms, liking people to their real or supposed ancestors, there is also a more economic or legal definition, “cultural property”, or “cultural assets”, as is usual in Romance languages (Italian, beni culturali), implying a less passionate and personal link between monument and society, so much so that it is treated as a “property”. As the definition of “property” is a political one, “cultural property is always a political matter, not a theoretical one”, as Carandini (1979: 234) put it.
The questions raised by the organisers of this session on “Restoration or conservation?” bear direct relation to this dichotomy which opposes an emotive “Heritage” to a more distant “cultural property”. Indeed, “what happens when contemporary uses of monuments apparently conflict with their historical value?”, “is there a case for allowing monuments to decay rather than be preserved?”, “can planned destruction ever be justified?”, “who has the right to decide?”, these are all questions which are inextricably linked to the tensions between “Heritage” and “cultural property”. Or in other words, everybody can claim that a monument is part of “our heritage”, as is the case of proud Brazilians who claim that a colonial city is a “World Cultural Heritage”, but only scholars or officials refer to “cultural properties”. The right to decide is thus an essential aspect of the whole debate about the destruction or conservation of monuments and it is only understandable through a study of the insertion of Heritage perception in a particular society. The aim of this paper is to discuss how Brazilian society has been dealing with Heritage and what are the tasks of the academic community.
Not so long ago, Joachim Hermann (1989: 36) suggested that “an awareness of history is closely connected with archaeological and architectural monuments, and that such monuments constitute important landmarks in the transmission of historical knowledge, understanding and awareness”. There is no identity without memory, as the lyrics of a Catalan song put it: “those who lose their origins, lose their identity too” (Ballart 1997: 43). Historical monuments and archaeological remains are powerful purveyors of messages and by their own nature as material culture, they are actively used by social actors to produce meaning, particularly materialising concepts like national identity and ethnic difference. We should however strive for seeing these artefacts as culturally constructed and culturally contested rather than as in possession of inherent and ahistorical meanings, inspiring us to think about them, instead of simply admiring them (Potter n.d.). An anthropological approach to one’s own cultural heritage contributes to unmasking the manipulation of the past (Haas 1996). The Brazilian experience is this respect crital-clear: the official fabrication of the past, including by means of heritage management, is constantly reinterpreted by ordinary people. As summarised Antônio Augusto Arantes (1990: 4): “Officially preserved Brazilian heritage shapes a distant and foreign country, only accessible in one way, were it not the fact that social groups reelaborate it symbolically”. These strata are those excluded from power and thus from heritage preservation.
There has been traditionally a lack of interest by archaeologists in interacting with society at large - as is the case, by the way, elsewhere in Latin America, as notes Gnecco (1995: 19) - and heritage in particular has been left to “writers, architects and artists, the true discoverers of cultural heritage in Brazil, not historians or archaeologists” (Munari 1995). The preservation of colonial church buildings could be considered, in Brazil and in the rest of the Latin America (García 1995: 42), as the oldest heritage management. It is interesting to notice that the importance of the Catholic Church in the colonisation of the Iberian New World explains the strategic choice of preserving these buildings, be they temples built over the remains of Native structures (cf. the Maya example in Alfonso & García n.d.: 5), be they churches in hills dominating the urban landscape, as was usually the case in Brazil. However, even church buildings were not particularly well preserved in Brazil, with notable exceptions and this is due to the fact that in the last one hundred years or so the country elite has been dominated by a rush for so-called progress, so much so that the Republican flag carries the slogan “Order and Progress”. Since the proclamation of the Republic in 1889, Brazil has been mesmerised by modernity and any modern building is considered better than an old one. There were several reasons for transferring the capital from Rio de Janeiro to a newly constructed city, Brasília, in 1961, but whatever the economic, social or geopolitical reasons, it was only possible by a state of mind prone to constant movement towards modernity. The most appropriate image of Brazilian society would not be the historical buildings in Rio de Janeiro, but a most modern city and even the most humble rural dwellers in the back lands should overlook their own local material heritage in favour of a city with not past (Funari forthcoming).
Perhaps the clearest example of this fight against material remembrance is the huge megalopolis, São Paulo City, whose growth has been unparalleled elsewhere. Even though founded in 1554, it was a small town up to the late nineteenth century and in the last one hundred years it grew to become the largest city in the southern Hemisphere. In the process, old remains suffered constant ideological and physical degradations, new buildings being constructed in order to create a completely new city. The historical buildings are the Cathedral and a Modernist Park planned by the renowned Niemeyer, both inaugurated in 1954 to commemorate the 400th anniversary of the city’s foundation. The main public buildings, like the Governor’s Palace, or the State Assembly building, are also quite recent, and the most important avenue, Paulista avenue, founded at the end of last century as a bastion of elite mansions, was completely remodelled as late as 1970s. Even in colonial towns though, some of them well known abroad, as is the case with Ouro Preto, declared a World Heritage Monument, modernity is always present, as ordinary inhabitants of the town are keen to modernise it. Guiomar de Grammont (1998: 3) describes this reality with strong words:
“The gulf between the public authorities and the people is the same as that between civil society and the past, due to the lack of information, even though the inhabitants of colonial towns depend on tourism to their own survival. Who are the strongest enemies of the preservation of these colonial towns? First and foremost the town administration itself, unaffected by the social problems and ignorant of cultural issues in general, but sometimes the inhabitants too, unaware of the importance of the monuments, contribute to the deformation of the urban setting. New widows, parabolic antennae, garages, roofs, and whole houses are enough to transform a colonial town into a modern one, a mere shadow of an old colonial town, as is the case with so many of them”.
It is easy to understand that people are interested in having access to modern facilities but, as foreigners are the first to note when they visit these colonial towns, if Medieval building in Europe can be completely refurbished without damaging the buildings themselves, there should be no problem in doing the same in a Third World context. Another common menace to the historical heritage of these colonial towns is the thievery, as thieves are very active against the protected artistic heritage scattered around more than five hundred church buildings and local museums (Rocha 1997; cf. a Czech similar case in Calabresi 1998). A more prosaic problem is the deterioration of monuments due to lack of basic maintenance and shelter, even inside buildings (Lira 1997; Sebastião 1998). These three menaces to the preservation of cultural properties, apparently unrelated, reveal a common underlying cause: the alienation of the population, the divorce of people and authorities, the distance separating common concerns and official elite ethos and policies. There has been a “heritage policy which preserved the Big-Housea, Baroque Churches, Military Forts, the Town Council Houses and Jails as the reference to the building of our historical and cultural identity and it has relegated to oblivion the slave-quarters, the slums and the workers cabins” (Fernandes 1993: 275).
For ordinary people, there is then a sense of alienation, as if their own culture were not at all relevant and worth of attention. Traditionally, there were two kinds of houses in Brazil: the houses of two or more stores, called sobrados, where lived the elite, and all other forms of dwellings, such as the casas (“houses”, but with the same meaning as in Latin, “any simple or poorly built house, a hut”, recreating the opposition domus/casa, now as sobrado/casa), mocambos (“from kimbundu, mukambu, “ridge”, used to refer to ordinary poor dwellings), senzalas (collective slave-quarters), favelas (slums or shanties) (Reis Filho 1978: 28). The result of a society grounded on slave labour, from the inception there are two groups of people in the country, the people in power, the powerful with their material culture and their splendour, whose memory and monuments are worth of reverence and preservation, and the squalid remains of the subaltern, worth of disdain and disregard. As the senior sociologist Octavio Ianni (1988: 83) emphasised, what is considered heritage is the architecture, music, pictures, paintings, and everything else associated to elite families and to the upper crust in general. The Cathedral, used by the “good people” is to be preserved, whilst the Saint Benedict Church building, used by the “poor people”, the so-called “Native blacks” (pretos da terra), is not protected and is often left to decay. The monuments considered as heritage by the official institutions, according to another leading anthropologist, Eunice Durham (1984: 33) are those related to the “history of the ruling classes, the monuments preserved are those associated with the deeds and cultural production of these ruling classes. The history of the ruled are seldom preserved”.
We must agree with Byrne (1991: 275) when he contends that it is usual for the dominant groups to use its power to push its own heritage to the fore, minimising or even denying the significance of subordinate groups as it crafts a national identity in its own image, but the degree of alienation of upper and lower echelons of society is usually not as accentuated as in Brazil. In this context, it is not surprising that ordinary people do not pay too much attention in protecting cultural property felt as foreign, not directly related to themselves. There is a saying in Brazilian Portuguese which explains a lot about this sense of alienation: “they are white, so they must solve problems among themselves”. It is interesting to notice that this sentence is used by white people too to refer to authorities in general. The same alienation affects heritage, as colonial buildings, for instance, are considered as “their problem, not ours”. We could say that the search for a modern life, irrespective of the destruction of cultural properties, could well be interpreted as a kind of struggle not only for better living conditions but against the material remembrance of secular suffering by subaltern people.
Archaeological heritage stricto sensu should not be affected by this lack of interest in preserving elite material culture, as archaeology produce evidence of Natives, slaves, ordinary people in general (cf. Trigger 1998: 16). However, there are several factors inhibiting an active engagement of ordinary people in archaeological heritage protection. First and foremost, there is a lack of information and formal education about the subject. Natives, Africans and poor people are seldom mentioned in history syllabuses and often the few references to them are detrimental, as they are portrayed as a lazy and backward mass of serfs who have always been unable to reach civilisation. Indians were considered as fierce enemies, rightfully decimated over the centuries. In a famous debate, in the beginning of this century, Von Ihering, director of the Paulista Museum, in São Paulo, proposed the extermination of the Kaigang Indians who, according to him, were hindering the development of the country (Schwarcz 1989: 59) and even though he was challenged by other intellectuals, mainly from the National Museum in Rio de Janeiro, his stance was and still is very symptomatic of the low esteem of Native peoples, even within the academia. It is enough to say that Native material from the West of São Paulo State, found eighty years ago are only now being exhibit in the area, thanks to an innovative and critical museological project by the University of São Paulo (Cruz 1997): better late than never!
Blacks, for their part, were considered as menacing barbarians, or, as put it recently a most renowned Brazilian historian, Evaldo Cabral de Mello (Leite 1996): “It is not possible to deny what <the seventeenth maroon> Palmares was: it was Black republic, it was destroyed and I prefer, let me say frankly, that it was so. For a simple reason. If Palmares were to have survived, we would have in Brazil a Bantustan, an independent and impractical state”. So a leading historian still feels he is menaced by blacks and mimics Cato’s words: delenda Palmares! To be able to profess such ideas ex cathedra says a lot about the indoctrination of prejudices which, one way or another, reaches ordinary people (Funari 1996a: 150 et passim).
And last but not least, there is a lack of communication between the academic world, particularly the archaeological community, and the people. Archaeologists should work with the community, not to it (Rússio 1984: 60), giving people a better understanding of the past and of the world around them, to enlighten them (Hudson 1994: 55). To achieve this, long-term research should lead not to quick-fix entertainment (Durrans 1992: 13), but to an integration of processes, such as rescuing historic buildings and excavating archaeological sites, and products, such as publicising the scientific work through different media (Merriman 1996: 382). A good example of this is the fate of a particularly important archaeological site in Brazil: the seventeenth century maroon, known as Palmares. Since the 1970s, people suspected that the famous runaway settlement, which survived fighting against slavocracy for almost the whole seventeenth century, was to be located in the back lands of the Northeastern State of Alagoas, at the Serra da Barriga or Potbelly Hill. Black rights activists found surface remains at the hill and were able, after an unprecedented campaign, to force the authorities to declare the area a National Heritage site in 1985. However, due to complete lack of interest on the part of the archaeological establishment, controlled by a bunch of conservative practitioners linked to the military dictatorship (Funari 1995b: 238-245), the site was left to the discretion of local authorities. The result was the use of bulldozers to level an important part of the site, enabling the authorities to promote festivals and, naturally, to cajole people into supporting them to local offices.
In the early 1990s, when archaeological field work begun at the hill, one of the main aims was to work with local communities and with black activists, so that the people could understand the site and its importance and could thus oppose the mere entertainment use of the archaeological area. The empowerment of those traditionally excluded from decision making (Jones 1993: 203) would only be possible through a massive scientific and media divulgation of the archaeological work. In the last six years (1992-1998), the archaeologists in charge of the site, Charles E. Orser, Jr (1992;1993;1994;1996), and the author (Funari 1991; 1994a; 1995a; 1995c; 1996a; 1996b; 1996c; 1996e; 1996f; Orser & Funari 1992) published three books totally or partially on Palmares, eleven papers in scholarly journals (four abroad and seven in Brazil), as well as two more papers by a PhD student, Scott Allen (1997a; 1997b), and another one by Michael Rowlands (1988). Furthermore, several newspaper and magazine articles, both in Brazil and elsewhere, were published or broadcast on the site. It is probable that this is not enough to change radically the subjective attitude of ordinary Brazilians towards the humble evidence coming from the maroon, as the overall context in Brazil would not be completely altered by an isolated scholarly activity, but still a lot more people are now aware of the existence of the site and of its possible significance.
Indeed, fifteen years ago, in the last phase of military rule, Olympio Serra (1984: 108) offered a strong interpretation of Palmares, as a possible model for a non-authoritarian society: “there should be an opportunity to recreate the experience of a pluralist society, as was the Palmares Republic. And if you look at this most attracting phase of Brazilian history, you will see that at Palmares there were not only blacks, but also Indians, Jews, in other words, all the people discriminated by the colonial society, all those who were different”. Some years later, the field work at the Hill produced archaeological evidence which now substantiate this humanist approach. Palmares owed its growth and survival and final destruction to the role it played in coastal/inland trade, as mercantile interests and Palmares opposed those of the nobility and plantation slave owners, which were able to triumph in the end, due to the strength of precapitalist groups in both Portugal and in the colony (Rowlands, forthcoming). The crushing of a tendency towards pluralism in the early history of Brazil explains the persistence of racist and upper-class discourse, as mentioned above, and the archaeological work in rescuing the material culture of the maroon, as well as its preservation as cultural property, plays thus a non negligible role in fostering a critical awareness inside and outside of the academic world.
Restoration or conservation? In the case of Brazil, the right to decide has always been in the hands of the elite, whose priorities have been both narrow-minded and ineffective. High style monuments, protected officially by law, are by and large left in the hand of free-market agents, and the illegal trade on antiquities is largely tolerated. Just recently, Christie’s has sold an Aleijadinho masterpiece sculpture (Blanco 1998a; Blanco 1998b). The press is always reporting on the subject, but to no avail (recent examples in Leal 1998; Verzignasse 1998; Werneck 1998) Upper-class archaeologists do not bother to hide their ties to antique shops and elite exhibitions (e.g. Lima 1995). Ordinary people feel alienated both from the elite heritage and from archaeological humble evidences, as they are continuously taught to despise Indians, Blacks, Mixed people, poor people, in other words, themselves and their ancestors. In this context, the scholarly tasks confronting archaeologists and heritage officials in the country are particularly complex and contradictory. We must struggle for the preservation of both high style and humble cultural properties, for the democratisation of information and education, in general. Above all, we must pledge for the empowerment of ordinary people, for their right to knowledge, for our right as both scholars and citizens, to work with the people in their own interests. As scholars, first and foremost, we should foster the search for critical knowledge about our common heritage. And this is no mean task.
I owe thanks to Professors Peter Ucko and Robert Layton for the incentive to write this paper and to the following colleagues who helped me in different ways: Scott Allen, Josep Ballart, Brian Durrans, Juan Manuel García, Siân Jones, Charles E. Orser, Jr., Parker Potter, Michael Rowlands, Bruce G. Trigger. I received a grant from the World Archaeological Congress to attend the meeting in Brac, Croatia, and the preparation of the text was made possible too thanks to stays in London, at the Institute of Archaeology in February 1997, with a grant from the Brazilian National Research Council (CNPq) and in the University of Barcelona, as visiting scholar, in January 1998, with grants from the Universities of Barcelona and Campinas. The ideas presented here are my own, for which I am therefore solely responsible.
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Pedro Paulo A. Funari, has a BA in History, a MA in Social Anthropology, a PhD in Archaeology, all of the them at the University of São Paulo, Brazil, and is a Professor at the Campinas State University, Brazil. He is the author of several papers and books, among them “Dressel 20 Inscriptions from Britain and the Consumption of Olive Oil” (Oxford, BAR, Tempus Reparatum, 1996), and he has co-edited “Historical Archaeology: Archaeology in history” (London, Routledge), with Siân Jones and Martin Hall. He is also member of the editorial boards of several journals, among them the “Journal of Material Culture” (London, UK), and the “International Journal of Historical Archaeology” (New York, USA). E-mail address: pedrofunari@sti.com.br). Postal address: IFCH-UNICAMP, C.Postal 6110, Campinas, 13081-970, fax 55 19 239 33 27.
[1] Departamento de História, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, C. Postal 6110, Campinas, 13081-970, fax 55 19 289 33 27, pedrofunari@sti.com.br.
[2] Professor da Escuela de Arqueología, Universidad Nacional de Catamarca, Argentina.
[3] Estada financiada pelo World Archaeological Congress, em Janeiro de 1996.
[4] Funari contou com um auxílio-viagem da FAPESP para participar das II Jornadas de Etnolingüística y Antropología, em Rosário, Argentina e a Universidad de Catamarca forneceu subsídios para que se pudesse efetuar reuniões de organização do evento.
[5] A primeira comissão executiva contava com Alejandro Haber, P.P.A Funari (representante sênior da América do Sul no Conselho Executivo do Congresso Mundial de Arquelogia), Irina Podgorny (representante júnior perante o mesmo Conselho) e Norberto Luiz Guarinello (Departamento de História, FFLCH-USP, Brasil).
[6] A primeira comissão científica era composta, além dos membros executivos, do Presidente do WAC, Bassey Andah, do Secretário, Julian Thomas, e Peter Ucko.
[7] Em particular, em Londres e Southampton, em fevereiro de 1997, com apoio do CNPq, quando se consolidaram os entendimentos com a direção do WAC e em maio do mesmo ano, quando, com apoio dos Departamentos de História da UNICAMP e da USP, a Profa. Podgorny participou de reuniões com Funari e Guarinello.
[8] A Sociedade de Arqueologia Brasileira, na gestão de Paulo Tadeu de Albuquerque e Sheila Mendonça, apoiou e divulgou o evento; a Associação de Antropologia Brasileira propôs a realização encontro no quadro da reunião regular da ABA; o Fórum Interdisciplinar para o Avanço da Arqueologia, na gestão de Eduardo Goes Neves, associou-se à proposta e a divulgou.
[9] Eduardo Goes Neves passou a integrar a comissão executiva.
[10] A Comissão Científica passou a contar, também, com a Presidente da ABA, Mariza Correa e com Haiganuch Sarian (MAE-USP, Brasil).
[11] World Archaeological Congress, CAPES, FAPESP, IFCH-UNICAMP e MAE-USP.
[12] Com apoio financeiro do WAC.
[13] Com apoio financeiro da FAPESP.
[14] Com apoio financeiro do WAC.
[15] Com apoio financeiro do WAC.
[16] Doutorando da UNICAMP, contou com apoio financeiro do CONICET (Argentina).
[17] Com apoio financeiro da FAPESP.
[18] Doutoranda da UNICAMP, contou com apoio financeiro da CAPES.
[19] Com apoio financeiro da FAPESP.
[20] Com apoio financeiro da FAPESP.
[21] Com apoio financeiro da FAPESP.
[22] Com apoio financeiro da FAPESP.
[23] Composta por Irina Podgorny, Gustavo Politis, Andrés Zarankin, Felix Acuto, Marisa Lazzari, Ximena Senatore, Eduardo Goes Neves, Cristiana Barreto, Bernd Beyer.
[24] Com apoio financeiro do WAC e Fundación Antorchas.