A PRECURSORA E A SUCESSORA DA GRAMÁTICA DE PORT-ROYAL

Sílvio Ribeiro da Silva – Doutorando em Lingüística Aplicada

ssilva2@uol.com.br

Introdução

Gramática. Do grego gramma (= letra), por sua vez de grápho (= risco) é o estudo do sistema de uma língua determinada. Exclui ordinariamente o léxico (das palavras, que formam o dicionário) e a fonologia (sistema de sons de uma língua); mas em sentido amplo, tudo poderá ser incluído. Pode-se dizer que a gramática é o código de convenções, que institui uma língua (excetuando o léxico e o sistema de sons).

Trata a gramática do sistema interno de uma língua, no que se refere à maneira de expressar os objetos conforme se apresentam nas operações mentais (conceitos, juízos, raciocínios), de tal maneira que as partes das operações sejam compreendidas isoladamente, ao mesmo tempo que dentro do todo. Dinamicamente, as determinações da gramática se denominam regras da língua; ou ainda, suas normas, leis. Como acidentes de viagem, as línguas nacionais tendem para as exceções que as gramáticas anotam, e que tornam as respectivas línguas mais difíceis que as planejadas com regras absolutas.

A gramática é uma ciência positiva, porque pela via da constatação as normas viáveis são estabelecidas. Aquele que estabelece as normas, qualquer que seja a oportunidade que o faça, fica sendo o autor da gramática. Nas línguas espontâneas o autor é o usuário. Neste caso o gramático é o usuário. Todavia, entende-se também por gramático aquele que fica observando as regras que regulam determinada língua. O gramático, atento aos acontecimentos de uma língua, estabelece a estrutura geral que a comanda, criando, por conseguinte, a gramática explícita. Ainda que a rigor nas línguas nacionais o autor da gramática seja o conjunto dos falantes que a adota, este conjunto de falantes não tem consciência explícita das regras às quais obedece. O gramático profissional é apenas um expositor racional da vontade codificadora dos falantes.

Importa não perder de vista o caráter tecnológico da língua, tratando-se como uma técnica (como um fluxo de elementos), e não teoricamente (como a coisa é). Portanto, o gramático vê a língua como um sistema que deve conduzir a um resultado, à significação.

Neste trabalho, não falaremos do que é a gramática, ou de quem são os gramáticos. O que faremos será um pequeno percurso mostrando as principais marcas deixadas pela antecessora e pela sucessora da Gramática de Port-Royal. Como antecessora, elegemos a Gramática Especulativa, e como sucessora a Gramática Comparada. Convém informar que não traremos as considerações que cada uma das gramáticas faz a respeito de nomes ou verbos. Apenas traremos uma parte do histórico de constituição de cada uma delas.

Tentaremos mostrar a origem de cada uma, bem como os seus nomes mais significativos e ainda a contribuição que deixaram para os estudos da gramática em si. Daremos maior ênfase aos comentários da Gramática Especulativa e da Comparada, por acreditarmos que, assim, traremos uma pequena contribuição ao entendimento da participação destas gramáticas para a constituição da Lingüística enquanto ciência autônoma. Também por acharmos que sobre essas duas não existem muitos tratados, diferente do que acontece com a Gramática Geral. Nesse percurso, será necessário não esquecermos da Gramática de Port-Royal, que, neste trabalho, fica sendo o “canteiro central” de duas importantes avenidas.

Nas considerações finais, retomaremos o objetivo central do trabalho, bem como pincelaremos os acontecimentos posteriores à Gramática Comparada, tentando, de alguma forma, relacioná-la ao trabalho de seu sucessor, Ferdinand de Saussure.

 

1- Fundamentos da gramática especulativa

A chamada Gramática Comparada não é apenas sucessora da Gramática de Port-Royal. Foi também importante na constituição da Lingüística enquanto ciência. No século XVII, os estudos da linguagem eram motivados pelo Racionalismo. Os pensadores da época concentraram-se em estudos sobre a linguagem enquanto representação do pensamento, procurando mostrar que as línguas obedeciam a princípios racionais e lógicos.

Essa idéia de que a linguagem é representação do pensamento tem sua origem por volta do século XIII, com os chamados gramáticos especulativos. As gramáticas medievais seguiram basicamente as linhas de Prisciano e Donato, mas consideravam também a reflexão aristotélica de que os princípios da linguagem são os mesmos para todos os homens, para mostrar o que podemos e não podemos pensar e o que pode ou não pode ser.

A Gramática Especulativa (derivada do latim speculum, que significa espelho) (cf. Azeredo, 1993) é consistente com as concepções de Aristóteles (língua, pensamento e realidade). Dessa forma, apresenta uma tendência a considerar que o estudo do que dizemos é um bom caminho para considerar o que sabemos e incluir o que pode ser dito. Assim, a linguagem reflete os traços fundamentais do nosso pensamento e do mundo.

Os eruditos medievais do século XIII, influenciados pelos trabalhos de Aristóteles, retomaram então o debate sobre a relação entre a linguagem e o pensamento, imprimindo aos estudos gramaticais um caráter novo: a gramática passaria a ser especulativa, elaborada de acordo com a concepção da língua como espelho da organização do raciocínio (cf. Azeredo, op. cit.). Segundo esta visão, as diferenças entre as línguas são circunstanciais e acidentais; fundamentalmente, todas as línguas consistiriam num sistema fixo e comum de categorias lingüísticas que seriam categorias do pensamento. Posteriormente, no Renascimento, essas idéias foram rejeitadas e até ridicularizadas, mas exerceram grande influência no pensamento gramatical do Ocidente.

O nome mais expressivo da Gramática Especulativa foi Tomás Erfurt. Tomás viveu em Erfurt antes de 1350. Era reitor e maestro em artes e dirigia uma escola de gramática e lógica. Havia dúvidas sobre a verdadeira autoria da Gramática Especulativa, mas o filósofo e historiador Martin Grabmann, segundo Farré (1947), esclareceu esse fato. A prova mais forte da sua autoria está no Códice Q.281 da Biblioteca de Munich que contém dois tratados de modis significandi. O primeiro atribui-se a Pedro de Dacia e o segundo a Tomás de Erfurt. Esse Códice foi escrito no ano de 1350. Na mesma Biblioteca encontram-se outros dois Códices da mesma Gramática com o nome de Tomás de Erfurt (cf. Robins, 1983).

A Gramática Especulativa foi escrita na época em que a escolástica se posicionava contra a tendência da metafísica negligenciar o sensível e o real. Essa reação provinha dos nominalistas. Eles, discutindo o problema dos universais, defendiam a tese de não se negligenciar as observações diretas dos sentidos, o que acarretaria conseqüências desfavoráveis para o conhecimento intelectual. Os nominalistas não negavam a fé, mas, para eles, a filosofia não era a serva da teologia. Ver a filosofia como um conhecimento não subordinado ao conhecimento teológico foi uma das conquistas do nominalismo para a filosofia. A Gramática Especulativa, portanto, responde às tendências filosóficas do auge do nominalismo.

Para Erfurt, segundo Farré (p.13), a gramática é a arte que expressa uma aspiração dos objetos, racionalmente. Segundo essa Gramática,

o substantivo, adjetivo, verbo, advérbio não são palavras mais ou menos adequadas para compreendermos: elas indicam uma determinada aparência dos objetos, enquanto a linguagem é uma estrutura perfeita que organiza as categorias gramaticais para a compreensão entre os seres humanos (Farré, op. cit.: p.13).

Por isso se entende porque, segundo Erfurt, toda Gramática se reduz a “modos de significar”. É, portanto, sobre os modos de significar dos nomes e do verbo que a Gramática Especulativa trata. Não é uma Gramática que se propõe a expor um conjunto de regras operacionais, mas um conjunto de definições e divisões com o objetivo de orientar o bom uso da língua a partir dos princípios racionais que a constitui. Entretanto, apesar da gramática ser especulativa, ela põe em uso os resultados da sua especulação. Com isso ela cumpre um dos objetivos do nominalismo, que é o de valorizar o sensível sem excluir o intelecto.

Sob as influências dos trabalhos de Aristóteles, a gramática, da época, era vista como um auxiliar da lógica (cf. Câmara Jr, 1975). Dessa forma, era possível encontrar na Idade Média um estudo lógico da linguagem, de grande importância, pelo impacto que exerceu nos séculos seguintes. Segundo Câmara Jr. foi a partir das idéias veiculadas na época que o conceito de cópula teve lugar na teoria gramatical. Em termos lógicos, toda oração possui três partes essenciais: sujeito, cópula, predicado. A cópula serviria para estabelecer a relação do sujeito com o predicado.

A idéia de uma gramática geral, cujos princípios têm dominado o pensamento dos homens acerca da linguagem por muitos séculos, surge nessa época a partir dos fundamentos pregados pelos gramáticos especulativos de que existe uma estrutura gramatical universal comum a todas as línguas.

O modelo gramatical universal teria fundamento na própria estrutura do espírito humano. As desconformidades que houvesse seriam anomalias que não afetariam o modelo básico, uma vez que este é analógico, baseia-se naquilo que os homens têm de comum, isto é, o pensamento, e o pensamento humano estruturar-se-ia segundo as mesmas regras e teria as mesmas operações (apreensão, juízo e raciocínio). A expressão verbal da apreensão é o termo, a do juízo é a proposição, e a do raciocínio é o argumento. Todos os princípios e regras válidas das operações do espírito seriam, também, de suas expressões verbais. Nessa correspondência entre Lógica e Gramática está o próprio fundamento teórico desta, isto é, de sua natureza formal. A lógica aristotélica foi considerada, assim, até o advento do racionalismo cartesiano, como a própria sistemática do espírito.

A idéia de relacionar o pensamento com a linguagem, segundo Martin (2003), foi formulada pelo lingüista americano J. A. Fodor. Ela não só aparece na Gramática Especulativa, como também progride para outros modelos, como a Gramática Geral e a Gramática Gerativa. A idéia central desse pensamento é a da existência de uma estrutura universal do pensamento humano, subjacente a todas as línguas e independente de sua variação superficial (cf. Martin, op. cit.).

Weedwood (2002) nos diz que a Gramática Especulativa estudava o essencial e universal. Os mais adeptos desse modelo de gramática foram os modistas, que eram um pequeno grupo de eruditos em atividade na universidade de Paris entre os anos de 1250 e 1320.

A Filosofia Especulativa da Idade Média contemplou ainda outra importante contribuição: os modos de significar, pelos quais relacionavam-se as propriedades das coisas, enquanto seres existentes, ou seja, seus modos de ser, aos modos de compreendê-los e de significá-los. Assim, aos modi essendi, encontrados em todas as coisas e subjacentes a toda percepção do mundo e à construção da linguagem, constituídos estes do modus entis (propriedade permanente, para reconhecimento das coisas) e do modus esse (propriedade de mudança e sucessão), aos quais correspondem os modi intelligendi activi e os modi intelligendi passivi, além dos modi significandi activi e modi significandi passivi, respectivamente, pelos quais se estabelecem as relações entre a compreensão que o homem tem das coisas, conforme suas propriedades, e a sua significação (Robins, 1983:62) ou, melhor dizendo, a sua representação das coisas, expressa através da linguagem.

O estudo da linguagem, na época, concentrava-se no latim e as línguas vernáculas não eram objeto de qualquer estudo normativo e especulativo. Havia, porém, certa curiosidade acerca das línguas faladas como também a necessidade de transmitir aos povos que as falavam a doutrina cristã. Isto deu lugar ao que hoje é conhecido como “Estudo de Línguas Estrangeiras”, embora aquelas línguas vernáculas fossem estrangeiras aos escritores, que com elas trabalhavam, apenas no sentido de que os mesmos se colocavam, do ponto de vista do latim, a considerar como latinos os falantes das línguas de seus respectivos países (cf. Câmara Jr. op. cit.).

A abordagem da especulação filosófica foi muito aplicada aos estudos lingüísticos. A distinção entre o que se chamava gramática vulgar a e gramática filosófica ganhou terreno e foi definida por Francis Bacon como sendo uma investigação nas relações entre as palavras e os objetos ou idéias (cf. Câmara Jr. op. cit.).

Inaugurando a Idade Moderna, o Renascimento rompe com a mundividência que a antecede imediatamente e debruça-se sobre a tradição clássica, pela retomada dos modelos gregos, na origem, desprezando, assim, o aristotelismo medieval da Filosofia Escolástica. Os estudos lingüísticos direcionam-se ao descritivismo das línguas modernas, inspirado nos modelos gregos principalmente, na gramática de Dionísio da Trácia, contemplando a língua literária. Portanto, os estudos sobre a linguagem assentavam-se, primordialmente, no seu papel estético. A Gramática da Linguagem Portuguesa, de Fernão de Oliveira, por exemplo, acompanha, de perto, a de Dionísio, no que tange aos temas tratados, abordando, inclusive, uma detalhada descrição das representações, sonora e escrita, da língua portuguesa (cf. Martin, op. cit.).

Na época em que o Renascimento estava em alta, o latim cedia cada vez mais espaço às línguas vernáculas. Os gramáticos não tinham um passado literário para apresentar como modelo e expressão, e a questão da língua se tornou uma obsessão (cf. Azeredo, op. cit.).

Na época dos alexandrinos, Duarte Nunes acreditava que o tempo desfigurava e corrompia as palavras. Esse sentimento de certa forma impregnaria o espírito racionalista dos séculos XVII e XVIII. Os filósofos e escritores precisavam se dar a certeza de que nada tinham perdido e que as línguas nacionais eram até melhores que o latim para a expressão das idéias e sentimentos. Essa idéia passou a perdurar após ter sido feito a opção pela expressão nas línguas vernáculas.

A obsessão da expressão clara conduziu à eleição na língua de meios apropriados para que a expressão lógica do pensamento fosse considerada, não sendo aceitas quaisquer manifestações, abusos ou imperfeições que contrariassem a esse ideal (cf. Azeredo, op. cit.). É assim que surge a Grammaire Génerale et Raisonée, de Port-Royal.

 

2- A gramática de port-royal

Os pensadores da época consideravam que a linguagem é regida por princípios gerais que são racionais. Passaram a exigir dos falantes, então, clareza e precisão no uso da linguagem. Idéias claras e distintas deviam ser expressas de forma precisa e transparente. Sua principal intenção era mostrar que a estrutura da língua é um produto da razão (cf. Lyons, 1979).

A gramática que pretendiam construir deveria funcionar como uma máquina que pudesse separar automaticamente o que é válido do que não é (cf. Orlandi, 1986). A meta que queriam atingir com essa gramática era a língua-ideal, universal, lógica, sem equívocos e ambigüidades, capaz de assegurar a unidade da comunicação do gênero humano.

As figuras mais expressivas dessa época são dos franceses Arnauld e Lancelot, autores da Gramática de Port-Royal, ou Gramática Geral e Racional. Nessa gramática, explicita-se a noção de signo como meio, através do qual os homens expressam seus pensamentos. Na relação pensamento/linguagem, os gramáticos de Port-Royal elaboraram teorias, pelas quais essa relação era dada por princípios gerais, que se estenderiam a todas a línguas. Assim, afirmaram que, através das operações do espírito, o homem concebia, julgava e raciocinava. Tais operações serviam ao aspecto interno da linguagem e, a partir delas, os homens utilizavam-se dos sons e das vozes, ou seja, do aspecto externo da linguagem, para expressar o resultado daquelas operações (Arnauld & Lancelot, 1992).

Talvez a contribuição mais interessante das gramáticas gerais tenha sido a de estabelecer princípios que não se prendiam à descrição de uma língua em particular, mas de pensar a linguagem em sua generalidade (cf. Orlandi, op. cit.).

As gramáticas gerais produziram alguns frutos no século XIX, como a Gramática Filosófica de Soares Barbosa. Para o século XX, e para os demais, as gramáticas gerais ofereceram não só o modelo da análise sintática que se pratica ate hoje, como também forneceu, graças aos desdobramentos que lhe deu a lógica de Stuart Mill, a terminologia gramatical que se consagrou: sujeito, predicado, objeto, adjunto, etc (cf. Azeredo, op. cit.).

 

3- A gramática comparada

A época das Gramáticas Comparadas é considerada um importante momento na constituição da Lingüística enquanto ciência. Surge no século XIX, século com movimentos e perspectivas bem diferentes dos que aconteceram no século XVII, quando as Gramáticas Gerais surgiram. Enquanto para os pensadores desta época o que importava era o ideal universal, para aqueles o que importava era que as línguas se transformam com o tempo (cf. Orlandi, op. cit.). A preocupação maior era com o aspecto diacrônico das línguas, e com a questão de que elas evoluem. Não interessava mais o funcionamento da língua (cf. Carvalho, 1997).

Embora só tenha “explodido” no século XIX, a Gramática Comparada teve amplo desenvolvimento a partir do século XVII. Todavia estes estudos históricos comparados se orientavam pela vaga ideológica da unidade universal das línguas, fosse por razões bíblicas, fosse pela crença, - não de todo sem fundamento, - de uma gramática universal, ou mesmo do pensamento estóico da existência de étimos naturais. Buscou-se encontrar classes de línguas, ou famílias de línguas, que no decurso das derivações seculares, teriam vindo de unidades anteriores, e estas de novo de unidades mais remotas.

No século XVIII, Leibniz e Catarina a Grande da Rússia prosseguiram mais detalhadamente o trabalho de comparação das línguas, visando mostrar uma unidade geral. Catarina a Grande patrocinou a publicação (1787-1789) de um trabalho do naturalista alemão Peter Simon Pallas (1741-1811), intitulado Vocabulários Comparativos das Línguas do Mundo Inteiro (Linguarum Totius Orbis Vocabularia Comparativa). A listagem compara os termos de 51 línguas e dialetos europeus, com 200 idiomas asiáticos. Pouco antes Lorenzo Hervas e o jesuíta espanhol Panduro publicaram, de 1778 a 1787, um enciclopédia de 20 tomos - Idea dell'universo - em que o 17-o trata das "afinidades e diversidades" entre as línguas, comparando 300 línguas, européias, asiáticas, ameríndias. Declara-se que as afinidades são gramaticais e não lexicais, o que antecipa conceitos básicos sobre o quais se desenvolveu depois a Lingüística. De 1806 a 1817 são publicadas em Berlim as Mithridades de Johan C. Adelung (1732-1806), com mais de 500 línguas comparadas (cf. Robins, op. cit.).

Na época das Gramáticas Comparadas, o estudo da língua consistia em compará-las para deduzir princípios gerais de evolução histórica das suas unidades lexicais, gramaticais e sonoras. Surge entre 1786 e 1816, mostrando as relações de parentesco genético do latim, do grego, das línguas germânicas, eslavas e célticas com aquelas faladas na antiga Índia (cf. Carvalho, op. cit.).

A figura mais expressiva da época é a do alemão Franz Bopp (1791-1867). Ele é considerado o fundador da lingüística comparativa. Seu livro sobre o sistema de conjugação do Sânscrito abriu novas perspectivas lingüísticas. Segundo Câmara Jr. (op. cit.), Bopp publicou este livro quando estudava em Paris dedicando-se ao estudo das línguas orientais. Logo concentrou sua atenção no Sânscrito. Foi, assim, um filólogo do Sânscrito e seu pequeno livro sobre o estudo comparado dos verbos compreende uma série de traduções do Sânscrito.

Ao tempo de Bopp, a questão da arbitrariedade e da motivação ainda se arrastava. Como, segundo Benveniste, "a Lingüística nasceu da filosofia grega" (cf. Domingues, 1991), essa grande questão remonta àqueles tempos clássicos com a discordância entre Platão (linguagem natural) e os estóicos (linguagem convencional). Uma coisa é certa, nesses momentos iniciais de estruturação da gramática, seus princípios levavam-na a mais pensar que falar. Essa ênfase essencialista dominou a gramática até o aparecimento das idéias de Bopp.

Foi então que Bopp preferiu o fenômeno à essência, procurando estudar a língua por si mesma, através da sua fala. Para conseguir seu intento, ele começou por comparar diversas línguas tradicionais, procurando descobrir seus pontos de intersecção e suas estruturas mais remotas. Para isso, o privilégio anterior dos estudos gramaticais, que recaíam sobre o significado, passou a priorizar o significante e aos poucos a filosofia da escritura foi se ampliando em lingüística da fala, inaugurando-se assim, com Bopp, uma nova idade na arqueologia lingüística, a idade da história de que nos fala Benveniste (cf. Domingues: 1991). A gramática passa a se preocupar mais com o signo, as flexões, as raízes etc.

Na esteira do pensamento de Rousseau, Bopp procurou, em línguas mais antigas, nas suas fontes mais primitivas, as raízes e pontos de intersecção que clareassem a origem dos falares. Foi assim que surgiu sua Gramática Comparada, comprovando a solidariedade do sistema lingüístico indo-europeu. Através desse estudo, Bopp concluiu que o Sânscrito, entre as línguas comparadas, é a que mais se faz presente no conjunto geral, muito mais que o Latim, o Grego e o Hebraico. A língua sagrada dos hindus é uma espécie de irmã mais velha de todo o sistema lingüístico estudado na Gramática Comparada.

Entre as conclusões a que Bopp chegou na sua Gramática Comparada, uma delas é que há três tipos de línguas, relativamente às flexões e afixões. Primeiramente uma língua pode ser justapositiva, quando agrega os afixos à raiz, como é o caso do Chinês e do Basco. Depois pode ser flexiva quando flexiona internamente, o radical, como no Sânscrito e no Celta. E finalmente um somatório dos dois casos anteriores, mistura de flexões e afixações, como ocorre no Árabe. Outra conclusão é de que o estudo de um sistema lingüístico qualquer pode dar-se em duas direções: ou começa pela palavra (etimologia), ou pela estrutura (sintaxe) (Domingues, 1991:339), ou seja, ou pela palavra, tendo a raiz como seu elemento irredutível, ou pelas relações que ela estabelece. Bopp, portanto, se preocupou com o mistério das raízes.

Com Bopp houve também uma preocupação com o verbo "ser". Ao longo dos tempos, diga-se na Gramática Geral, esse verbo era privilegiado. Não era verbo de mortais. "Ser" era divino. Para os mortais os verbos eram outros, principalmente "estar", impregnado de transitoriedade. Os outros verbos tinham que contar com o auxílio do verbo "ser". Assim, antes de Bopp, dizia-se "ele é cantante", "ele é dançante", para, depois de Bopp, a Lingüística histórica cravar "ele canta", "ele dança" (cf. Domingues, 1991). O verbo "ser”, desta forma, perdeu seu pedestal divinizante e nivelou-se aos outros verbos da Gramática, apesar de, em alguns casos, falantes posteriores tentarem, vez por outra, fazer uso desse verbo com essa conotação essencialista.

O trabalho de Bopp em esboçar uma primeira gramática comparada de línguas indo-européias como resultado de suas pesquisas durante a estada em paris, de 1812 a 1816, levou-o ao contato com sanscritistas e orientalistas parisienses que muito contribuíram para sua pesquisa e para conclusões surpreendentes. Uma delas é de que as flexões são antigas raízes. É por isso que ele afirma:

se a língua utilizou, com o gênio previdente que lhe é próprio, signos simples para representar as idéias simples das pessoas, e se nós vemos que as mesmas noções são representadas da mesma maneira nos verbos e nos pronomes, podemos concluir que a letra tinha na origem uma significação e que se manteve fiel a esta (Kristeva, 1969: 280).

Há, no entanto, na gramática de Bopp algumas lacunas impreenchidas. Uma delas responde pela ausência quase total de estudos fonéticos no seu trabalho. A preocupação dele é em torno de flexões, raízes e etimologias comparativas. E esse seu penhor se faz presente logo no prefácio da primeira edição da sua Gramaire Comparée des Langues Indoeuropéennes, de 1933, ao afirmar:

proponho-me fornecer nesta obra uma descrição do organismo das diferentes línguas que estão nomeadas no título, comparar entre si os fatos da mesma natureza, estudar as leis físicas e mecânicas que regem estes idiomas, e procurar a origem das formas que exprimem as relações gramaticais. Resta apenas o mistério das raízes... (Kristeva, op. cit.: 282).

Bopp, no entanto, não ficou só por aí, já que em seu outro livro, Sistema de Conjugação do Sânscrito, em 1816, mesmo se concentrando apenas na língua sagrada dos hindus, ele apresenta, segundo Foucault (1992) uma série de critérios que caracterizam internamente as distinções entre as línguas, quais sejam:

proporção entre os diferentes sons utilizados para formar palavras (há línguas de predominância vocálica e outras de predominância consonântica), privilégio concedido a certas categorias de palavras (línguas de substantivos concretos, línguas de substantivos abstratos etc.), maneira de representar as relações (por preposições ou por disciplinações), disposição escolhida para colocar as palavras em ordem (quer se coloque de início, como os franceses, o sujeito lógico, quer se dê a primazia às palavras mais importantes, como em latim) (Foucault, 1992:298).

O Sânscrito, ao ser conhecido no Ocidente, foi o ponto de partida dos grandes resultados da Gramática Comparada. Ofereceu ainda o Sânscrito a vantagem de possuir uma tradição própria e muito antiga de estudos gramaticais, entrando assim de corpo inteiro na tradição ocidental. Aliás, Sânscrito quer dizer pura, polida, em oposição a Prácrito (= vulgar, comum), nome com que se denominam os dialetos ou línguas em que derivou ao longo dos tempos (cf. Robins, op. cit.).

Panini, nascido cerca do ano 500 a.C., é autor da gramática mais antiga conservada do Sânscrito e que remonta ao menos ao ano 400 a.C.  Intitulada Doutrina das Palavras (Sabdanusasana ou Astadhyayi), a gramática, de oito volumes, com quatro mil aforismos (Sutra), menciona os mestres que o antecederam e que representam uma tradição de pelo menos 1000 anos a.C.
Calcula-se que pelos anos 1.500 a.C. os arianos haviam entrado na Índia. Reordenando e sintetizando sob nova forma doutrinas esparsas dos mestres brâmanes, alguns depois totalmente perdidos, Panini formulou as regras gerais do Sânscrito.

Também na Índia se levantara cedo a controvérsia entre convencionalistas e naturalistas, paralela à controvérsia ocidental entre analogistas e anomalistas.  Deu-se também na Índia mais importância à língua escrita; os textos sagrados induziram naturalmente a isto; estabelecendo glossários a fim de garantir a interpretação dos textos clássicos. Distinguiram-se as classes de palavras: distinção entre substantivo e verbo, preposições e particípios. Trataram os hindus, melhor que os gregos, a fonética, havendo introduzido as noções de raiz, afixo, flexão, desinência.

    Apesar de haverem os gramáticos hindus precedido os gregos nos estudos da língua, mantiveram tradição científica autônoma sem influência para fora do seu meio. Foram, finalmente,  pouco antes de 1.800, descobertos pelos lingüistas do Ocidente, os quais finalmente estabeleceram uma nova e maior síntese geral, explicativa de todo o contexto das línguas indo-européias.

Descoberto o Sânscrito pelos lingüistas ocidentais como língua internamente desenvolvida e estudada, puderam estes lingüistas estabelecer rapidamente uma gramática comparada, com vistas a uma teoria geral sobre o grupo culturalmente mais importante de idiomas: o indo-europeu (cf. Robins, op. cit.).

O orientalista britânico William Jones, em 1.786, em discurso na Sociedade Asiática de Calcutá (Índia), mostrava as semelhanças de forma das línguas clássicas: grego, latim, Sânscrito. Seguindo o método histórico-comparativo, passaram os lingüistas a reconstruir as raízes indo-européias, sendo este o primeiro grande resultado da gramática ou filologia comparada, em que trabalharam, entre outros, os alemães Frederico von Schlegel (1772-1829), Franz Bopp (1791-1867), Jakob Grimm (1785-1863).

O trabalho de comparação entre línguas vivas, feito pelos gramáticos comparativistas, tinha por função buscar as regularidades das diferenças entre elas com o propósito de estabelecer um elemento comum. Os textos, principais documentos dos estágios históricos da língua, tornaram-se preciosa fonte para o conhecimento de sua evolução. Por conta de nem sempre os textos poderem ser tidos como autênticos, devido a quaisquer modificações que pudessem ter sofrido ao longo do tempo, constituiu-se, a partir de então, a crítica textual, atividade a que já os filósofos de Alexandria tinham se dedicado com o propósito de explicar e proteger da corrupção textos clássicos da literatura grega (cf. Azeredo, op. cit.).

Com essa comparação, os estudiosos perceberam muitas semelhanças entre as línguas sânscrita, grega, latina, persa e as línguas germânicas. A essas línguas semelhantes foi dado o nome de Línguas Indo-Européias.

Os estudiosos dessas línguas, chamados de indo-europeístas, diziam que as semelhanças nelas encontradas indicavam um grau de parentesco. Poderiam ser consideradas da mesma família, sendo vistas como transformações naturais de uma mesma língua de origem (o indo-europeu). Pelo método comparativo, era possível estabelecer a correspondência, sobretudo gramatical e sonora. Dessa forma, o alvo visado não era mais a língua ideal, mas a proto-língua (cf. Orlandi, op. cit.).

Jacob Grimm, contemporâneo de Bopp, avançou um pouco mais no estabelecimento do estudo histórico da linguagem, atendo-se às línguas germânicas da família descoberta por Bopp (cf. Câmara Jr. op. cit.). Grimm, em seu primeiro livro, tratava dos poetas medievais do alto-alemão, da maneira que Augusto Schlegel tratara dos poetas medievais do sul da França. Pouco a pouco, embrenhou-se no estudo da linguagem e seu novo interesse era evidente na revisão que fez da gramática islandesa de Rask. Por fim, tomou a si a tarefa de escrever uma gramática comparada das línguas germânicas que haviam tido um tratamento muito superficial na gramática comparada de Bopp, a qual abrangia todo o campo das línguas indo-européias.

Orlandi (op. cit.) diz que a grande contribuição das Gramáticas Comparadas foi evidenciar que as mudanças sofridas pelas línguas são regulares, têm uma direção. Não são caóticas como se pensava. No século XIX, para mostrar a regularidade das mudanças, alguns gramáticos históricos, os neogramáticos chegaram a enunciar leis para as mudanças da língua: as leis fonéticas. Por elas, os estudiosos procuravam explicar a evolução da língua.

Eles construíram uma escrita própria para anotar as formas em sua evolução. Colocaram essas formas como matrizes para o conjunto de formas existentes nas línguas indo-européias, em relação à inexistente língua-mãe, o indo-europeu. Dessa forma, puderam identificar e organizar as formas dessa família de línguas.

Por mais que a codificação dessas regularidades tenha sido o foco de muitas controvérsias, através delas os gramáticos chegaram a formas cada vez mais remotas das línguas, até reconstruírem formas supostas da hipotética língua de origem (cf. Orlandi, op. cit.).

 

Considerações Finais

Neste trabalho, tivemos como objetivo apresentar alguns pressupostos teóricos das gramáticas Especulativa, de Port-Royal e Comparada. Priorizamos a discussão em torno da Gramática Especulativa e da Gramática Comparada. Achamos que seria válida essa prioridade por ser esta gramática, segundo nos informa Carvalho (op. cit., 1997), grande contribuídora para os fundamentos da Lingüística enquanto ciência autônoma, já que Saussure recebeu toda sua formação acadêmica na época em que o Comparativismo Indo-europeu dominava os estudos lingüísticos, e por ser aquela a precursora da Gramática de Port-Royal.

Dessa forma, quisemos mostrar a importância da Gramática Especulativa, considerada a primeira gramática geral feita no mundo, segundo Dom Filipe Robles Dégano, citado por Farré (op. cit.). Tomás viveu em Erfurt antes de 1350. Era reitor e maestro em artes e dirigia uma escola de gramática e lógica. A Gramática Especulativa foi escrita na época da escolástica quando os nominalistas, discutindo o problema dos universais, reagiram contra a metafísica que negligenciava o sensível e o real. A Gramática especulativa, portanto, responde às tendências filosóficas da época, sendo uma das conquistas do nominalismo para a filosofia, a rejeição da idéia de que a filosofia era serva da teologia.

Nessa Gramática, há influência de Aristóteles, Porfírio e Elio Donato. Aristóteles figura como sendo um gramático e lógico. Erfurt, baseando-se na obra de Aristóteles “Da Inter pretação”, conserva as definições clássicas sobre substância acidentes. Para Erfurt, segundo Farré (op. cit.),

a gramática é a arte que expressa uma aspiração dos objetos racionalmente. O substantivo, adjetivo, verbo, advérbio não são palavras mais ou menos adequadas para compreendermos: elas indicam uma determinada apreciação dos objetos. A linguagem é uma estrutura perfeita que organiza as categorias gramaticais para a compreensão entre os seres humanos. Por isso, toda gramática se reduz a modos de significar (p.13).

A Gramática Comparada constituiu-se no século XIX, a partir dos trabalhos de Franz Bopp. Caracterizou-se pela utilização do método comparativo, que consiste em comparar formas semelhantes de línguas consideradas como sendo da mesma família de línguas. A Lingüística Comparada, também chamada de Gramática Comparada ou Comparativa, tem como objetivo estabelecer correspondências entre línguas para poder estabelecer suas relações de parentesco. Por exemplo, pelo estudo comparado do grego, latim e sânscrito, pode-se chegar à reconstituição do indo-europeu e assim se estabelece que estas três línguas são aparentadas e derivam do indo-europeu.

Saussure não poderia ter ficado imune à atmosfera científica que acontecia na época da Gramática Comparada. Ele viveu em Leipzig e em Berlim, onde manteve contato com os expoentes da Lingüística Comparatista, dos quais acabou recebendo sólido embasamento e decisiva influência.

O trabalho da Gramática Comparada foi, sem dúvida, importante. Seu fundador, Franz Bopp, inovou ao dar as vogais um papel mais importante na linguagem, pois ao valorizar a fala, o lado sonoro dessa linguagem foi privilegiado, enquanto antes, para a Gramática Geral, a linguagem nascia quando a letra era reproduzida com o ruído da boca. Ruído é consoante. E ao ser articulada essa consoante, necessita ela da ajuda do som vocálico. Mesmo uma língua consonantal como o hebraico, na escrita, ao ser articulada, ela adquire sonorizações, o que corresponde a sons vocálicos. Foi isso que Bopp constatou que na maior parte das línguas, as raízes trazem no mínimo uma consoante ao lado de uma vogal, essa vogal podendo ser inicial ou terminal (cf. Lyons, 1979). Assim, o estudo das raízes das palavras atrelado à análise das flexões e das derivações fez com que a etimologia deixasse de ser um procedimento regressivo em direção a uma língua primitiva (Foucault, 1992:304) ou ao primitivo dessa língua para ser o estudo da diacronia lingüística onde se inclui a sua própria evolução.

Apesar de Saussure ter aparecido no momento em que a Gramática Comparada estava no auge, o mestre suíço acabou abandonando o estudo histórico-comparativista, conferindo prioridade à pesquisa descritiva (sincrônica). Até então, todos os lingüistas da escola comparativista faziam apenas diacronia. Segundo Carvalho (op. cit.), essa diacronia chegava a ser exagerada, porque era manipulada como um fim em si mesma, ignorando os estudos sincrônicos.

É o próprio Saussure, no Curso de Lingüística Geral, quem diz que o método exclusivamente comparativo acarretava todo um conjunto de conceitos errôneos, que não corresponderiam a nada na realidade, e que seriam estranhos às verdadeiras condições de toda linguagem. Para os comparativistas, a língua seria uma esfera à parte, um quarto reino na natureza (cf. Saussure, 1988).

Apesar disso, podemos associar Saussure a Bopp na valorização que ambos deram ao significante. No seu Curso de Lingüística Geral, de 1916, Saussure revela a sua preocupação de determinar o valor da Lingüística e de distinguí-la de todas as outras ciências (Cardoso, 1997:66). Começa tratando a língua como sistema e objeto do discurso da Lingüística, procurando encontrar seu lugar entre os fatos humanos. Saussure procura filiar a Lingüística à ciência geral dos signos, à Semiologia, colocando-a como parte dessa ciência.

Graças aos neogramáticos, não se viu mais a língua como um organismo que se desenvolve por si, mas um produto do espírito coletivo dos grupos lingüísticos. Ao mesmo tempo, compreendeu-se o quanto eram errôneas e insuficientes as idéias da Filologia e da Gramática Comparada. De acordo com Saussure (op. cit.), por maiores que sejam os serviços prestados pela escola comparativista, não se pode dizer que ela tenha esclarecido a totalidade da questão das línguas. Para Saussure, os problemas fundamentais da Lingüística Geral não foram solucionados. O mestre dizia que ela aguardava uma solução.

 

Referências Bibliográficas

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