Senhor Mestre Alfaiate, este calção
Está como os sapatos, que eu lhe fiz?
De que serve o dedal, tesoura e giz,
Se não sabe pagar-lhe com a mão?

Você não é alfaiate, é remendão,
Eu bem podia crer o que se diz;
Porém como por asno nunca quis, 
Justo é sinta o mal sem remissão.

Já outro que ali mora junto à Sé
Bem conhecido, Antônio Marroquim,
Me deitou a perder um guarda-pé.

Se eu daqui a dez anos, para mim,
Não fizer um calção de sufulié,
Não me chamem jamais Mestre Joaquim.

Loja de Rapé. Rio de Janeiro, 1823. Aquarela sobre papel de Debret.

 
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