A sala do Teatro São Pedro de Alcântara, vista da caixa, em noite de espetáculo e de enchente real.
A ATRIZ, o ATOR, depois o EMPRESÁRIO, EMPREGADOS e CURIOSOS, depois um SUJEITO que quer
saber para onde se mudou a Companhia Montedônio.
(Durante o diálogo que
se segue e que pode ser dito de modo que os espectadores reais pouco percebam,
a Atriz vai parecendo pouco e pouco incomodada, até que desmaia.)
ATOR – Signora duchessa, há visto il Conte?
ATRIZ – Non
me ne parlate. Questo uomo esercita un sinistro influsso sulla mia esistenza; è
il mio cativo genio. Con tutto questo, una forza irresistible mi spinge, malgrado
mio, verso di lui!
ATOR – Voi l’amate.
ATRIZ – E chi ne sa? Questo uomo... (Interrompendo-se.) Ah! (Leva a mão ao
peito. O Ator corre para ela e ampara-a. Cai o pano do fundo. A cena enche-se
de pessoas que correm para a Atriz, carregam-na e levam-na para o interior. Ao
mesmo tempo, os empregados tiram os acessórios de cena.)
EMPRESÁRIO (Entrando, fora de si.) – Dio! Dio! La signora
Duse sempre ammalata! Il signor Rossi ammalato! La signora Aleoti è stata
ammalata! Tutti sono ammalati! Di questa maniera anch’io finiró per cadere
ammalato! Ma come la signora Duse, una donna così ideale, così delicata, è
vittima di una indigestione! – Pazienzza! Pazienzza!... (Vai a sair
e encontra o sujeito que quer saber para onde se mudou a Companhia Montedônio.)
O SUJEITO (Entrando.) – Boa noite: sabe me dizer para onde se mudou a Companhia Montedônio?
EMPRESÁRIO – Lasciateme, seccatore! (Sai.)
SUJEITO (Só, ao público.) – Pois não! Dizem-me que a empresa Montedônio está na Fênix; vou à Fênix e bato com a cara na porta. O barbeiro de defronte informa-me que o Montedônio foi para o Príncipe. Corro ao Príncipe! qual Montedônio, qual nada! O barbeiro da esquina explica-me a coisa: o Montedônio foi para Niterói. Tomo a barca, atravesso a baía... Qual Montedônio nem meio Montedônio! Um barbeiro, que faz barbas a seis vinténs (Sendo em dúzia, há um abatimento), diz-me que o Montedônio viera para o Lucinda. Toca para o Lucinda: nem novas nem mandados! Estará ele no Politeama? Eu queria impingir-lhe a minha peça Os filhos da gentalha... Vou informar-me com o barbeiro da ilharga. Addio! (Sai. Mutação.)