ALGUMAS COPLAS DE O BILONTRA
As coplas abaixo destacadas são exemplos que apresentam a força crítica pretendida pela linguagem dos autores da peça de 1886.
Primeiro Ato, Quadro I, Cena VII.
"Não sei por que razão
Quem passa a vida
De perna alçada,
Sem fazer nada,
Há de ser bem feliz,
Pois é negócio,
Neste país,
Viver entregue ao santo ócio".
Primeiro Ato, Quadro II, Cena I.
"Sou nada menos do que um rei,
Sou nada menos que um monarca,
E não receio a escrita parca,
Pois nunca a bota baterei,
Se dirigir a traquitana,
Governarei o meu país;
Não sou pr’aí nenhum banana;
Se o sou, porém, ninguém mo diz.
Eu baldo ao naipe, nunca estou,
Se as coisas vão embaralhadas,
Pois copas, ouros, paus, espadas,
Nenhum jamais me abandonou".
Primeiro Ato, Quadro III, Cena VI. Esta observação refere-se principalmente ao caráter da burguesia brasileira da segunda metade do século XIX.
"Onde houver vil metal luzente
Há sempre ratos de dois pés;
Dona polícia ultimamente
Caçou debalde uns oito ou dez...
Agora todas as semanas
Desfalques há com profusão;
Mas fogem logo as ratazanas,
Ninguém lhes podem pôr a mão!
Sem tugir,
Nem mugir,
Lá vão, sem passaporte
Habitar,
Povoar.
A América do Norte!"